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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

RACISMOS, NEGRITUDES E INTOLERÂNCIAS, CONSCIÊNCIA PARA QUÊ?

Imagem publicada – foto que fiz de um panfleto do Movimento Negro RJ, na comemoração do centenário da Abolição da Escravatura, tendo ao alto: 1888 LEI ÁUREA 1988, sendo 1888 em rosa, LEI em branco, ÁUREA em rosa e 1988 em branco, seguida da fotografia de uma pintura do século XIX, com a representação dos castigos corporais impostos aos negros e negras escravizados, tendo um capataz que segura uma mulher negra, junto ao que aplica uma palmatória em outra escrava, ajoelhada em sua frente, com uma criança ao lado, tendo três outros homens negros, em primeiro plano ao centro, com uma roda de carro de bois, com mais outros escravos ao fundo, aguardando seus castigos, principalmente aos que eram chamados de “negros rebeldes ou fujões”. Segue-se em letras vermelhas: NADA MUDOU. Abaixo está a fotografia de um policial militar que traz um grupo de homens negros amarrados por cordas nos pescoços, uns aos outros, em fila, com quatro deles em primeiro plano... Segue-se, em baixo dessa foto, do ano 1988, a convocação: VAMOS MUDAR, convocando para a MARCHA CONTRA A FARSA DA ABOLIÇÃO (Participe – 11 de maio – 16 horas – Candelária – Movimento Negro – RJ). Será preciso descrever mais? Ou ainda continuamos convivendo com uma nova “cegueira branca”?

“2.4 A tolerância pode ter a forma da marginalização dos grupos vulneráveis e de sua exclusão de toda participação na vida social e política e também a da violência e da discriminação contra os mesmos. Como afirma a declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais, “Todos os indivíduos e todos os grupos têm o direito de ser diferentes” (art. 12)

A citação é parte da Declaração de Princípios sobre a Tolerância, uma declaração da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura reunidos em Paris em virtude da 28ª  Reunião da Conferência Geral, que proclamou o dia 16 de novembro como o Dia Internacional da Tolerância.

Há apesar dos anos e lutas, a manutenção da imagem da foto de 1988? Lamento dizer que sim, apenas os meios de aprisionamento, encarceramento e de violentação, assim como vulneração, dos corpos e das vidas de negros é que se tornam menos ‘visivelmente acorrentadas e acorrentadoras’. As novas e modernas cordas em nossos pescoços são mais sutis e aperfeiçoadas. Estão também em nossos inconscientes colonizados e colonizadores.

Muitos ainda questionam o porquê e para que termos de inventar/respeitar um Dia da Consciência Negra? Aos que ainda têm dúvidas e aos intolerantes envio alguns dados:
 - A maioria dos homicídios que ocorrem no Brasil atinge pessoas jovens: do total de vítimas em 2010, cerca de 50% tinham entre 15 e 29 anos. Desses, 75% são negros.
- Segundo o Mapa da Violência (2013): “... Podemos verificar que no conjunto da população:
• O número de vítimas brancas caiu de 18.867 em 2002 para 13.895 em 2011, o que representou um significativo decréscimo: 26,4%.
• Já as vítimas negras cresceram de 26.952 para 35.297 no mesmo período, isto é, um aumento de 30,6%.
• Assim, a participação branca no total de homicídios do país cai de 41% em 2002, para 28,2% em 2011. Já a participação negra, que já era elevada em 2002, 58,6% cresce mais ainda, vai para 71.4%.
• Com esse diferencial a vitimização negra passa de 42,9% em 2002 – nesse ano morrem proporcionalmente 42,9% mais vítimas negras que brancas – para 153,4% em 2011, em um crescimento contínuo, ano a ano, dessa vitimização”.

Em artigo de minha autoria publicado no livro O que é Violência Social, que está sendo lançado na III Conferência Internacional - Dinâmicas Sociais em África: Rupturas e Continuidades, na Universidade Eduardo Mondlane e seu Centro de Estudos Africanos, em Maputo, Moçambique, afirmo, ao analisar estes e outros dados de nossas exclusões e segregações sociais alimentando o genocídio de toda uma juventude negra, quando se trata da questão da cor da pele no Brasil, que: “Entre 2002 e 2010, segundo os registros do Sistema de Informações de Mortalidade, morreram assassinados no país 272.422 cidadãos negros, com uma média de 30.269 assassinatos ao ano. Só em 2010 foram 34.983...; um dado que confirmava também o decréscimo de mortes da população branca, com um crescimento de mortes violentas, principalmente junto à juventude, de cidadãos e cidadãs negros...”.

Nesse quadro, já comprovado e denunciado teríamos ainda dúvidas sobre a necessidade de estímulo das nossas “consciências”,  para além de que etnias, raças ou cores estivermos sendo biopoliticamente classificados?

A questão de aceitação do Outro e das suas diferenças é que nos dá parâmetros e limites para o que chamamos de Tolerância? Sempre digo que temos que ir além da aceitação, precisamos antes do re-conhecimento desse Outro, dessa Alteridade, no mais profundo de cada um de nós. Um dia apenas de conscientização não mudará todas as ‘más-consciências’ e nem aplacará a nova Onda de intolerância, fascismos e/ou racismos de todas as colorações e conotações.

Precisamos, urgentemente, da prática ético-política cotidiana dessa construção de novas culturas e mentalidades. Conseguiremos afrouxar os grilhões e mordaças que nos impuseram? Precisamos nos re-conhecer como in-tolerantes do Outro e dos Outros além de nós.

Por isso é que afirmei estarmos ainda com várias cordas e cordões nos aprisionando, visíveis e invisivelmente, transversalizando nossas relações, sejam sociais, micropolíticas e/ou amorosas. Há ainda debaixo dos tapetes de nossas culturas e história uma densa camada de poeira dos preconceitos mais arraigados. Entre eles está a presença negada desses escravizados que nos tornam seus afrodescendentes.

Avisem os ex-presidentes que “todos temos os pés na cozinha da mãe África preta e retinta”. Somos todos e todas mais Libéria do que libertos por nossas áureas leis. Somos na essência do humano e da humanidade mais negros, embora nos distanciemos do continente multifacetado e multicultural que chamamos de Mãe África.

Ainda jovem, muito influenciado pelas Marchas pelos Direitos Civis, por Martin Luther King, Malcolm X, Angela Davis e outros negros e negras “rebeldes”, que desejavam outro lugar social e político, escrevi um poema que chamei de Negrume. Dizia, se lembro destes anos ginasiais, perto de 1968, que ‘devíamos nos livrar do que nos impunham... pois já havíamos lavado com sangue coagulado... a mancha de nosso, do só nosso, do meu  e do seu: Negrume”. Anos depois descobri minhas novas implicações. Tornei-me, temporariamente, mais uma negritude.

Um efeito e contágio com a poesia de Aimée Cesaire.  Sempre a poesia, aquela que me trouxe a compreensão de que há um Outro, que este não é um lado “negro”, mas que nos habita que deseja sempre mais liberdade, mas ar, mais espaço, mais tempo, enfim, mais Vida. O conceito de negritude tornou-se, por sua radicalidade de orgulho e valorização da cultura negra, minha nova arma de luta contra todas as discriminações. Os eurocentrismos em mim se desmontavam, desfaziam-se ...

Por isso desejo que possamos combater novamente com “novas” negritudes, tornadas novos rizomas para criar novas cartografias. Em tempos de ódios, além dos raciais, também macropolíticos, ainda acredito que alguns possam se contagiar dessa busca onde o cultural poderá ficar acima do político e dos políticos. Onde se ultrapassaria, como os tigres e suas tigritudes, ir além dessas negritudes do passado. Ir além do consciente autorizado, buscar a radicalidade de liberação dos nossos inconscientes sob eterna captura e colonização.

Como no texto inicial deixar florescer em nós, e além de nós, rompendo todos os limites e limitações, a afirmação da Diferença não só como direito ou necessidade, da diferença que nos torna mais Potência Zumbi, libertária, do que a ruptura de conceitos e preconceitos, inclusive dos racismos enquanto ideologias.

Em tempos, de marchas ré, de neo-pastores fundamentalistas, fascistas de plantão, intolerantes pelo indiferentismo, lobinhos maus, lobões, espertos ao contrário, falsos tolerantes e negociadores dos medos que apregoam a Ordem como segurança, urge e ruge em mim o desejo de ir além, o desejo que vai além da vacina para o Ebola. O desejo sem fronteiras, para além das Áfricas. Em mim, urge, como poesis, sob a pele indelevelmente negra, o apelo para a re-existência e a resiliência.

Como no pedaço de meu papel rabiscado dentro do livro sobre Billie Holiday e a biografia de uma canção – Strange Fruit: -
 “Ai quem me dera um dia, apenas um dia sem dor ...
A dor de ser demasiada e apaixonadamente  humano,
Sempre com a mesma cor, sempre Negro
Entretanto, apenas um Outro, um Outro Pessoa...”

Quem sabe me acordo, como já recordei, em um mundo e tempo onde já sonhei, com menos meninos e meninas negras vulnerados e violentados?  E, po-éticamente, alguma consciência despertarei?

Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet e outros meios de comunicação para e com as massas. TODOS DIREITOS RESERVADOS 2925...)

INDICAÇÕES PARA LEITURAS CRÍTICAS, REFLEXÕES E COMBATE DAS DISCRIMINAÇÕES E RACISMOS –

VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA NO BRASIL – Pesquisa de Opinião Pública Nacional – DATA SENADO – Novembro de 2012 - https://www.senado.gov.br/senado/datasenado/pdf/datasenado/DataSenado-Pesquisa-Violencia_juventude_negra.pdf

JUVENTUDE VIVA - Homícidios e Juventude no Brasil – Mapa da Violência - Julio Jacobo Waiselfisz, Brasília, 2013 https://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2013/mapa2013_homicidios_juventude.pdf

MÍDIA E TOLERÂNCIA – A ciência construindo caminhos de liberdade – Margarida Maria Krohling – Roseli Fischmann (Orgs.), Editora EDUSP/Unesco, São Paulo, SP, 2002.

O QUE É VIOLÊNCIA SOCIAL - Antônio Zacarias, Daniel dos Santos, Jorge Márcio Pereira de Andrade, Ricardo Arruda, Escolar Editora, Coleção Cadernos de Ciências Sociais (Org. Prof. Carlos Serra), Lisboa/Maputo, Portugal/ Moçambique.

Na Internet –

LEIA TAMBÉM NO BLOG –

RAÇA, RACISMO E IDEOLOGIA: ZUMBI ERA UM VÂNDALO, UM BLACK O QUÊ? 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/11/raca-racismo-e-ideologia-zumbi-era-um.html

RACISMO, HOMOFOBIA, LOUCURA E NEGAÇÃO DAS DIFERENÇAS:as flores de Maio 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/racismo-homofobia-loucura-e-negacao-das.html





quarta-feira, 26 de junho de 2013

FUNDAMENTALISMO, FASCISMO E INTOLERÂNCIA SÃO INCURÁVEIS? E OS GAYS?

Imagem publicada- uma foto de minha autoria, que denominei de uma Saudação ao Futuro? Primariamente colorida, transformada digitalmente em preto e branco, como nos Anos 60. Foi feita durante a manifestação popular aqui em Campinas, no dia 20 de junho de 2013. É o instante de um jovem com o braço erguido, com vários cartazes à sua volta, e se destacava um deles: Feliciano sai do armário. Há nesta foto, para mim, um movimento dos corpos que protestavam, indignados, na rua contra muitas das violências invisíveis a que todos e todas fomos e somos submetidos. Existe também nela uma reprodução de uma saudação com os punhos cerrados. Este gesto foi feito por negros, por brancos, por diferentes seres humanos. Teve a cada tempo uma simbologia. A que me ligou o olhar foi a que lembra os braços em ordem e progresso, alinhados e serializados dos tempos fascistas da nossa História ocidental. Ou será uma história acidental? Uma história repetitiva? ou um alerta para novos Fascismos?

Não dormi direito esta noite novamente, e acho isso vai continuar. Eu tive um motivo extra para minha insônia já cotidiana. Passei um tempo tentando usar as comunicações das redes sociais para levar um pouco de minhas reflexões. Podem dizer para que os meus leitores e leitoras tenham paciência, fôlego e persistência. Os temas acima me exigiram também emoções.

Ainda tento modificar e questionar a constatação de Bauman: “Nenhuma das explosões populares de protesto estimuladas pela Internet e eletronicamente ampliadas conseguiu remover os motivos da raiva e do desespero das pessoas”. Será?

Os discursos extremados e extremistas, que trouxeram um cheiro podre de golpe e de re-militarização da vida esses dias, me provocaram. Meu/nosso cartaz na manifestação era: “64 Nunca Mais – Direitos Humanos Sempre”!

Eis-me refletindo sobre a nossa força virtual ou presencial nestes dias de apaixonadas manifestações por todo o país. Por isso temos agora, após as suas espetacularizações, um momento impar de diálogo aberto com o que chamamos de Governo.

Temos a rara oportunidade de uma maior politização social, e, por conseguinte, do ato de esclarecer nossos concidadãos, brasileiros e brasileiras, sobre as midiatizações bem ou mal intencionadas. O momento é de combater e denunciar, principalmente, os atos de Intolerância e Terror Policial que foram, estão e podem sendo cometidos no país.

Disse concidadãos (ãs) para não usar o termo compatriota. O patriotismo já revela e revelou nos seus “ismos” recentes como os slogans fascistas nele podem se esconder. Lembre-se de cartazes ou faixas que dizem: -“Meu partido é o meu País”. Os fascistas gostam de homogeneidade e desaparecimento de qualquer manifestação de diferença.

Os criadores dos partidos Fascistas na Itália ou na Alemanha também utilizaram a ideia inicial do apartidarismo como forma de captura, por exemplo, dos desejos das massas italianas ou alemãs, principalmente os jovens. Depois propuseram a ideia do Partido único e hegemônico.

Por isso seus líderes máximos tiveram seu apogeu nos períodos de guerra na Europa, no início do Século XX. E arrastaram o Mundo e arrasam muitas massas. Na construção de seres matáveis e sacrificáveis, como no Holocausto, eliminaram muitos corpos considerados ou impuros eugenicamente ou inúteis.

Uma grande Onda, um Tsunami ideológico, conquistou e envolveu o “povo”. Essa massa humana, presa às inflações econômicas e éticas, tinha a crença de uma “nova” forma de populismo ultranacionalista.

Uma massa que se considerava uma verdadeira “floresta” em marcha, um exército a ser invencível, um grupo de eleitos por outra massa inflacionada que poderia “salvar” todo o mundo e dominá-lo.  Porém precisavam de culpados por suas falências.

Essas inflações, com várias origens, inclusive as crises monetárias, foram imputadas aos “diferentes”: fossem judeus ou comunistas, pessoas com deficiência ou homossexuais, ciganos ou dissidentes políticos, todos, ideologicamente, foram, cada grupo ao seu tempo, “incluídos no estigma de insetos nocivos para a Sociedade”. Tornaram-se o “mal” a ser eliminado.

Após a retomada de alguns textos importantes para nossas reflexões, e a análise mais detalhada das fotos que fiz no dia 20 de junho, no início da manifestação aqui em Campinas, amenizei as outras dores do meu corpo e mente conectados com as massas.

O título escolhido para este texto é uma provocação para a urgente compreensão das raízes subterrâneas, não rizomáticas, duras e nefastas que já estavam sendo plantadas contra esse movimento popular histórico. Não há mágicas para explicar essa explosão, esse “enxame humano” que está ocupando as ruas do Brasil. Há é gêneses políticas e socioeconômicas. Não são só os 20 centavos do MPL.

Reli e sugiro leitura urgente alguns capítulos do livro TEMPOS DE FASCISMOS. Lá há uma importante conceituação sobre a INTOLERÂNCIA. Este termo é transversal tanto para os Governadores, como Cabral ou Alkmin e outros, como para outros gestores, e, principalmente para o tipo de Polícias, repressões e Políticas que estão em ação no Brasil.

A INTOLERÂNCIA, em um importante glossário e dicionário construído na Itália, durante os ANOS FASCISTAS de Mussolini, em uma visão enciclopédica, é definida como sendo: “a atitude de quem, tanto na religião como na política, sente um apego tão forte às próprias ideias, opiniões, sentimentos, que não pode admitir de nenhuma maneira a MANIFESTAÇÃO de um pensamento diferente, ao qual, com base unicamente em tal deformidade nega qualquer validade...”.

O interessante e histórico é que esse verbete, que faz parte da Enciclopédia Italiana, criada à sombra do regime fascista entre 1929 e 1939, foi escrito por Alberto Pincherle, um professor judeu de história das religiões na Universidade de Roma, e depois na de Cagliari. Ele próprio sofreu perseguições e foi vítima da intolerância fascista. Foi afastado do mundo acadêmico em 1938. 

Foi excluído pelo decreto de expulsão de todas as “pessoas judias” da escola italiana de qualquer “grau ou ordem”. Por aqui essa perseguição, com muitos exilados, torturados ou presos, foi o mote dessa caça aos “professores comunistas” ou “vermelhos (simpatizantes de partidos de esquerda)” em muitos períodos da Ditadura Militar.

A definição de Pincherle tem o cuidado de esclarecer ainda mais esse mecanismo e atitude tão atravessador das histórias do mundo. Por negar qualquer validade a outras formas de pensamento é que os intolerantes: “... considera(m) também a polêmica apenas como um meio destinado a uma finalidade mais geral. Tal atitude nasce da convicção de possuir uma verdade absoluta e imutável, por isso a intolerância distingue-se também da intransigência, que é predominantemente de ordem prática...”.

Para um mundo que vem assistindo como diz Giorgio Agambem uma perpetuação do que ele denuncia: “... A tradição dos oprimidos nos ensina que o Estado de Exceção em que vivemos é na verdade uma regra geral. Precisamos construir um conceito e História que corresponda a essa verdade. Nesse momento, perceberemos que nossa tarefa é criar um verdadeiro Estado de Emergência”.

Porém o que estamos hoje, ouvindo, assistindo e promovendo é uma ‘urgência de outro Estado’, e os ‘golpistas’, aliados aos fundamentalistas, reivindicam o trono e a glória. Anunciam-se como donos da Verdade, não a da Comissão, como os arautos salvadores de um Brasil Novo, quiçá um Estado Novo remodelado.

E, para aplacar essas ondas e massas, com múltiplos interesses ou reivindicações, o Governo Federal e nossa Presidente se apressam na proposição de pactos e de um Plebiscito. Porém o que permanece claro para os indignados, agora mais provocados ainda, é que se associam os governistas hegemônicos, PT e aliados, com os que querem evangelizar o Planalto.

O protesto que se anuncia, quando os 20 centavos, a PEC 37 e um novo ordenamento político anti-corrupção se pronunciam, momentaneamente, solucionados, agora é pela luta contra a intolerância e fundamentalismo na recente aprovação da chamada “Cura Gay”.

E um ícone pastoral surge, novamente, para além dos cartazes e faixas como o novo “inimigo do povo” a ser derrotado. Porém corremos um risco aí da suposta ingerência do Executivo no Legislativo, que não se fez e nem se fará, e o Feliz sem ano continuará, mesmo a contragosto popular, “gerenciando” felicianamente os Direitos Humanos e as Minorias.

Por isso associei a não “cura” possível desses “males”: o fundamentalismo religioso e os fascismos. As suas raízes “pangenéticas”, ou seja, múltiplas, nascem, pelo que aprendemos da História, do próprio desejo das massas.

No verbete intolerância ainda podemos compreender melhor essa faceta, esse rosto de Jano dos intolerantes, fascistas e fundamentalistas. Para eles, como foi definido por Pincherle: “... A intolerância, em outros termos, pressupõe uma ortodoxia, ou seja, trata-se não somente de defender a verdade, mas impedir que os outros caiam em erro (acrescentaria o Pecado), considerado por si só pernicioso, aliás, o pior dos males, a ser evitado mesmo a custo de consequências gravíssimas.”

Foi essa a gravidade de uma sorrateira ação fundamentalista do Pastor. Foi e é nessa forma de intolerância que não deve ser apenas quanto às escolhas ou modos de vida sexual, que uma Comissão de “Direitos Humanos” alegou o direito de escolha para serem curados os que considerarem suas homossexualidades um “mal a ser curado”, mesmo que isso implique em uma nova forma de “castração psicológica” ou “arrependimento de um grave pecado”.

Caso não consigam entender como podem ser fascistantes estas perigosas ações dos fundamentalistas, reforço que eles/elas, muitas vezes investidos de nossos representantes, se outorgam ter, por Amor, a capacidade de escolher o que é melhor para os outros mortais. Basta que lembremos que suas palavras são meras repetições de suas Bíblias, suas afirmações são mais que ortodoxas, são dogmáticas. As suas bocas vociferam A VERDADE.

Por isso, não podemos cair na ‘pastorfobia’, na ‘deputadofobia’, na ‘políticofobia’. Não tenhamos essas arrogâncias ou “doenças” fascistantes. Estes, dessa lista, querem impor sua verdade, como vimos, e se tornam totalitaristas. Hoje se transmutam em utilitaristas já que muitos dos seus eleitores são apenas “consumidores” de suas pregações e convicções. E, muitos creem neles ou nelas.

Para fanáticos ou fascistas não há nem diversidade, nem diferença, somente uma identitária e ortodoxa igualdade... Vestem os mesmos uniformes, ternos ou longas saias encobridoras de desejos, aspiram purezas imaginadas em corpos doutrinados, marcharam no mesmo passo repetitivo e alienante.  

Por isso podem destruir com a mesma dureza quaisquer uns que lhes pareçam ser ameaça às suas verdades. São, porém mais sutis que os partidários de Mussolini. Os novos campos de exceção ou de doutrinamento primordiais foram montados em velhos cinemas. Lá já encontraram o palco e a tela. Os seguidores já sabiam previamente do Espetáculo.

Um espetáculo, na Alemanha , denominado Triunfo da Vontade, que uma cineasta alemã, Leni Rienfenstahl soube muito bem, em 1934, captar no e para o Nazismo. Apenas localizou e ampliou os ângulos de crescimento e força das massas nacional socialistas de Hitler. E, magistral e cinematograficamente, valorizou um gesto: Heil Hitler! E multidões, muito bem adestradas e serializadas, gritavam em uníssono em grandiosos cenários públicos, como o de Nuremberg.

Tomemos, portanto, cuidado ao erguermos nossas mãos. Podemos estar realizando o mesmo movimento, a mesma ONDA, os mesmos símbolos e as mesmas intolerâncias que Mussolini ou Hitler propunham para os Fascistas e os Nacionais Socialistas. 

Temos nas vivências mais simples a possibilidade de reproduzir esses tiranos, mesmo nas nossas mais microscópicas relações. Essas microfascistações estão no âmago dos seres humanos  ditos modernos e revolucionários.

Esse é, então, o mesmo cuidado e carinho que devemos ter ao buscar no movimento atual das multidões brasileiras. Não podemos generalizar ou simplificar. Há uma complexa engrenagem social, econômica e um grande Analisador Histórico em ação.

Não estamos nas barricadas da Comuna de Paris, em 1867, como no filme os Miseráveis, muito menos na Presidente Vargas de 1964. Só não podemos nos arvorar a reproduzi-las, pois já deveríamos ter aprendido algumas coisas, por exemplo, como são analisadoras essas lições das ruas e das “revoluções” populares do passado da Humanidade.

Os analisadores históricos são importantes para trazer à tona as partes submersas dos ‘parcialmente’ visíveis icebergs das sociedades. Ontem, antes de ontem e, quiçá, amanhã as mídias simplificaram e naturalizaram como Vandalismos as violências dos violentados. 

Ocorreram e ocorrerão exageros e depredações. Foram e serão reativas, assim como provocativas, a uma eficiente máquina policial repressora chamada de Choque. A mesma que troca a munição de borracha por chumbo grosso quando entra na “pacífica e higienizadora” tomada das favelas.

O cenário que se construiu, midiática e espetacularmente, aproximou-se do chamado Caos. Este caos de fumaças, bombas, lágrimas violentadas, corpos arrastados e outras violências visíveis e tele visíveis, forma anunciados como a antevéspera dos fins e dos apocalipses.

Eram, a meu ver, apenas resultantes dessas mútuas intolerâncias surgidas de confrontos políticos latentes. E do lado dito popular tenho minhas indagações certeiras sobre suas infiltrações fascistantes e direitistas. Os que se chamam de “carecas”, em outros confrontos, por exemplo, gostam desses exercícios de força e de lutas. Eis um exemplo de intolerância que se encaixa “perfeitamente” no conceito de Pincherle.

Esses, em suas homofobias e racismos múltiplos (de negros a judeus, passando por moradores de rua e gays), são um exemplo típico da violência intolerante. Lembremos que, recentemente, isso foi evidenciado pelos ataques a homossexuais por skinheads na Avenida Paulista e outros locais do Brasil. São, porém, apenas  a ponta minoritária do iceberg dos fanatismos políticos fascistas.

Os episódios dos Choques que foram e estão sendo explorados midiaticamente, geram falas endireitadas e perigosas, a ponto de termos de ouvir um SemAntena falar sobre a urgente “hora da revisão Constitucional” diante da “falta de política e de políticos honestos”. Hora da generalização e do sensacionalismo.

Outras redes de televisão exploram os diferentes focos de fogo ou insurgência popular, e, novamente os manifestantes tornam-se os porta-vozes de uma “urgente reforma política, com novas eleições”. 

E as redes sociais reproduzem até o pedido de Impeachment a la Collor. Começam dizendo que a marcha é “pacífica”, mas têm os vândalos infiltrados para provocar uma dura repressão. A energia desse “fogo” das ruas deverá ser aplacada.

Discursos competentes que reproduzem, a meu ver, também essas intolerâncias subjacentes e não visíveis dos atuais movimentos e manifestos. E o discurso “oficial”, vem dias depois, se associar a esta fala televisiva que nos distancia de uma real visão analítica implicada dos acontecimentos. 

Como acalmar os ânimos dos rebeldes? Como responder ao “clamor” dessas massas? Novos pacotes, novos acordos, novos pactos, novas leis, novos endurecimentos da governamentabilidade ameaçada?

Há como já escrevi, relembrando um texto de 25 anos atrás, a insurgência e a emergência dos rancores reprimidos contra o Estado de Exceção. É aí que corremos o risco do amor fanático à Cólera coletiva. E todos levam a mão ao peito, erguem o punho, e cantam emocionados o Hino Nacional. A que ou ao que estamos e estaremos saudando? Ou o que e quem esperamos salvar?

Surgem, portanto, nesse cenário de força criativa das multidões, dois caminhos possíveis: a despolitização dessas massas ou a sua hiperpolitização falsa ao lhe dar um caráter de totalidade de todo um “povo brasileiro”. 

Nem a aversão aos partidos e seus/nossos representantes como solução, nem a ideia e pensamento mágico de mudança utópica apenas pela nossa expressão massiva de opiniões e queixas do Estado e seu modelo democrático.  Há alguma forma de “cura” profilática ou higienizadora que dê conta dessas convulsões sociais?

Não podemos ter a pretensão totalitária de “curar” as atitudes dos que agora dizem ouvir as ‘vozes e clamores da multidão’.

Os manifestantes, segundo a Globo emitem “gritos de guerra”. Já estão gritando velhos e conhecidos refrãos pelos direitos civis. Todos dizem: , ARROZ E FEIJÃO! SAÚDE, EDUCAÇÃO. Porém a transversalidade do momento histórico nos revela que a descrença na política e nos políticos não se resolve de forma vertical e hierárquica.

“Eles” lá no PlanALTO  e nós sob os paralelepípedos, blocos de cimento ou asfalto das ruas intensificadas.

A história nos diz que, em 1968, quando éramos “os jovens”, ou apenas meninos e meninas sonhadores, sob as pavimentações das ruas estavam intensos e múltiplos sóis ou luas. Os novos tempos demonstram que há uma micropolítica emergente, milhares de intensidades se manifestando ao ar livre.  A Rocinha, que não é rural, só pede saneamento básico, saída para os esgotos que se derramam no mesmo mar do Leblon, no Rio de Janeiro.

Porém como já disse há a permanência de alguns fanáticos ou fascistas e suas intolerâncias que nos querem “manter engarrafados”, não apenas na Marginal como marginais ou periféricos.

Querem é nos asfixiar com suas “verdades” fundamentalistas. E, asfixiados por estas bombas e gases invisíveis deixarmos a indignação de lado. Então, novamente seduzidos pela Sociedade do Espetáculo e do Controle passarmos para o seu caminho endireitador e biopolítico de corpos em serialização.

Não se derrubaram Pinochets, Médicis, Videlas e outros generais fascistas e suas ditaduras apenas com a molecularidade revolucionária dispersa das ruas ocupadas. Elas foram, são e serão indispensáveis. Segundo Canetti as multidões tem como metáfora as fogueiras. E se o fogo for cívico ou tender para o fanatismo fará com que tenhamos o resultados históricos diferentes dessas labaredas das massas.

Escrevi hoje sobre um cidadão que resolveu quebrar a calçada de um órgão público, uma Secretaria da Saúde, para construir ali um direito por ser um cadeirante: uma rampa. Disse a respeito da matéria: “- um homem sozinho pode quebrar algumas ou muitas barreiras... entretanto, quando as gotas de água do Rio humano se unem e aglutinam podemos até transformá-las em cascatas, cachoeiras, TROMBAS D'ÁGUA, em ENCHENTES DE GENTES...”.

Vamos lembrar que um pequeno grupo de mães e avós, uma gota lúcida nas águas turvas da Ditadura Argentina, chamadas de “loucas”, as Madres e Abuelas de Mayo, conseguiram, também, denunciar e combater os desaparecimentos políticos da co-irmã ditadorial dos Anos 70. Mantêm sua roda em frente à Casa Rosada até este instante de hoje. Os fascismos e fanatismos em nós precisam de combate cotidiano e persistente.

Aprendemos que, mesmo denominada Las Locas, persistiram e não arredam os pés e lenços da sua vigília cívica na Plaza de Mayo.  Aqui no Brasil também já temos nossas Mães de Maio, lutam por, em e para Direitos Humanos. Também viram seus filhos serem assassinados.

 Nossas mães têm uma história que as motiva e alimenta como às argentinas, lutam, cotidianamente: “Em memória das 13 vítimas da Chacina da Maré e do jovem Jackson de Itacaré-BA (25/06/2013), das 3 vítimas da Favela Funerária (22/06/2013); das 8 vítimas da Baixada Santista (última semana) e demais vítimas da repressão em todo Brasil”.  Serão também chamadas de “malucas”, “loucas”, “doidas”?

Até quando estamos dispostos a manter nossas passeatas e manifestações para além do virtual, para contrariar algumas expectativas oficiais, para além das redes sociais ou dos outros modos de distanciamento do Outro e da política?

Não poderemos curar os pastores homofóbicos, se ficarmos imobilizados, pois seus corpos e mentes já foram ou se sentem salvos. Não há como dizer para eles que não existe essa Verdade absoluta e totalitária de um mundo só de seres totalmente idênticos e iguais. Muito menos lhes explicar o que significa e se enraíza neles de uma adoecida e envelhecida intolerância brutal.

Oportunamente, diante das manifestações que usam seu nome nas faixas e cartazes, o Infeliz Sem Ano, anuncia, provavelmente com seu cartel já instalado em Brasília, que “não existe cura gay, pois a homossexualidade não é uma doença”...

Porém, homossexuais, lésbicas, transexuais, travestis e outros desviantes sexuais, continuarão sendo alvo da intolerância, por pastores homofóbicos e seguidores, como uma “aberração” contra os princípios de uma verdade bíblica e dogmática. Estes cidadãos e cidadãs são “amaldiçoados”, e nós, os negros também nos incluímos aí...

Provavelmente irão, diante das iras populares incendiadas, que a mídia oficial chamou de “vândalos”, enterrar esse projeto que autoriza a chamada “cura gay”, com tratamentos psicológicos. Não dirão que há, no magma destas terapias, um passado de lobotomias, eletrochoques, experimentações médicas, castrações, tratamentos hormonais, trabalhos forçados, reconversão com uso de prostitutas, extermínio e campos de concentração.

A construção da Anormalidade sempre justificou medidas terapêuticas biopolíticas, panópticas, manicomiais, de isolamento social, repressivas e, se necessário, de eliminação dessas Vidas Nuas. Como recurso final, deveríamos internar compulsoriamente estes anormais?

Concluo, então, que os PASTORES FUNDAMENTALISTAS, RACISTAS E HOMOFÓBICOS, NÃO TÊM “CURA”, ASSIM COMO A INTOLERÂNCIA E O FASCISMO. Não podemos usar a sua lógica perversa e aética  para aplicar a eles a mesma terapêutica ou conversão.

Todos têm história, enraizamento, plateia, seguidores e formam outra “rede” ideológica, como uma cruzada, na qual querem “incluir” todo o MUNDO... E CONTINUAREMOS ASSIM, OS INFIÉIS, OS ÍNDIOS, SEM O DEUS DELES, MORTAIS E TERNAMENTE INCURÁVEIS.

Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade 2013/2014/ 2024 ad infinitum, atualizado e revisto em 11 de janeiro 2023, após invasão do Congresso, Palácio do Planalto e STF por bolsonaristas insuflados por seu fascismo- Todos os direitos RESERVADOS 2025 (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet e outros meios de comunicação de Massas)

Notícias na INTERNET conectadas no texto:



Tempos de NeoCura Gay - Terapia de Reversão Sexual incluiram Lobotomia, Choques e Castração, é desumano!

PARA OS QUE AINDA LEGITIMAM, usando inclusive a Constituição, o retorno a um passado de preconceito, eugenia e intolerância - recomendo a leitura de Triângulo Rosa — Um Homossexual no Campo de Concentração Nazista https://acervo.revistabula.com/posts/livros/triangulo-rosa-um-homossexual-no-campo-de-concentracao-nazista

Hoje(01/10/2011) na História: 1944 - Nazistas iniciam experiências de castração em gays nos campos de concentração https://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/15630/hoje+na+historia+1944++nazistas+iniciam+experiencias+de+castracao+em+gays+nos+campos+de+concentracao.shtml

Para quem não leu a HISTÓRIA E AS SUAS RAÍZES- Nazistas tentavam 'curar' gays com prostitutas e tratamento hormonal https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2013/06/1297868-nazistas-tentavam-curar-gays-com-prostitutas-e-tratamento-hormonal.shtml


Resposta do Movimento Mães de Maio ao convite da Presidenta Dilma Rousseff para importante reunião! https://racismoambiental.net.br/2013/06/resposta-do-movimento-maes-de-maio-ao-convite-da-presidenta-dilma-rousseff-para-importante-reuniao/

LIVRO CITADO –

TEMPOS DE FASCISMOS – Ideologia – Intolerância – Imaginário – Maria Luiza Tucci Carneiro & Federico Croci (Orgs.) – Editora EDUSP, São Paulo, SP, 2010.

FILME citado no texto –
O TRIUNFO DA VONTADE (TRIUMPH DES WILLENS) – Leni Rienfenstahl – 1935 - DVD- Excertos do filme https://www.youtube.com/watch?v=KQxKvg_CDLQ

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A COREIA DO FANATISMO POLÍTICO E O FANATISMO RELIGIOSO DO PASTOR: ESTAMOS NO SÉCULO XXI?
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/a-coreia-do-fanatismo-politico-e-o.html

domingo, 5 de maio de 2013

A ILHA DE FELIZ SEM ANO E SEU INTRUSO, E, NÓS TAMBÉM. (apenas um re-conto)



Imagem publicada – Uma fotografia colorida de uma ilha deserta, com um monte  pétreo ao fundo, parecido com um vulcão. Ao longe está um lindo céu azul, depois de uma vegetação rasteira típica e insular de cor entre o verde e o laranja, tendo em primeiro plano uma gaivota de asas abertas. Seríamos felizes se tivéssemos de viver, como Fernão Capelo, degredados ou isolados nesse paraíso?

“É uma ilha ou uma montanha, ambas ao mesmo tempo, pois a ilha é uma montanha marinha e a montanha uma ilha ainda seca. Eis a primeira criação tomada da recriação que se concentra numa terra santa ou no meio do oceano. Segunda origem do mundo, mais importante do que a primeira é a ilha santa: muitos mitos nos dizem que aí se encontra um ovo, um ovo cósmico...” Gilles Deleuze.

E, também sendo chocado, o Ovo da Serpente.

ERA UMA VEZ UMA ILHA... Como aquela do Saramago, QUE SE ENCONTRA NA PERDIÇÃO. E que, por ser utópica, AINDA NÃO FOI RE-CONHECIDA nem REVELADA...

 Era uma vez..., contou-me um dia um marujo vindo do Planalto da Atlântida perdida, uma ilha situada nas costas de um país chamado Terra Brasilis. Um local paradisíaco, ainda não descoberto por resorts ou ecologistas. Um local afastado das costas du Brésil, conforme o diário de bordo, isolada no meio de um oceano chamado Corruptiones Terribilis.

Nessa ilha, por acaso e destino está um náufrago. Ele foi degredado pelos seus pares. O pobre abandonado nas praias desse isolador mundo é um ex-deputado. O quase desnudo homem tem o nome de Feliz, porém pelo seu estado de degradação humana, cada mês, dia, minuto ou segundo ele se autodenomina: sou o Feliz-sem-anos.

Um dia, segundo a carta encontrada dentro de uma garrafa, escrita pelo Pedro Vais Sofazinho, parente distante de Pero Vaz Caminha, revelou uma inusitada e surpreendente revelação.O sobrevivente náufrago não se apaixonou por uma bola de vôlei, Wilson, como a do personagem no cinema. Ele teve um “caso” muito sério de amor proibido.

O Feliz-sem-anos caminhava pelas matas inebriantes e lúbricas da ilha quando o encontrou. Foi o encontro com uma maldição. Ele descobriu que sua solitária permanência estava sendo invadida penetrantemente por um intruso. E, como uma estória já escrita, o nosso replicante Robinson Feliz Com o Zé (do povo) teve, tristemente, de se ajustar à presença incômoda de um negro. Um (01) negro na ilha?

Este encontro, como são os imprevisíveis e não desejados, gerou uma sensação de flash back no pobre abandonado pelo Galeão, chamado Câmara Di Profundis. O nome dessa embarcação enorme, mais capaz de coletar e distinguir espécies e gêneros que a Arca de Noé, lhe fora dado pelo pelos capitães do Brejo da Luz, depois tornados coronéis do Sertão da Água Seca. Hoje estão todos no mesmo barco...

A sua cassação foi devido a um motim da marinhada de direita, após um golpe de gancho de direita no Capetão. O castigo que sempre defendeu para seus desafetos, por suas heresias e blas-fêmeas abusivas, devido à sua visão fundamentalista e fascista, acabou por gerar sua própria Inquisição e excomunhão. E o mar entrou em agitação vermelha e engoliu parte do galeão.

Ele, o “tadinho” tão difundido pela mídia, acabou deletado na prancha digital e pós-moderna do pregão da Nau dos Menos Insensatos. Estava prejudicando a boa imagem (e os votos) de seus pares. Após sua queda de prestígio e notoriedade acabara, então, degredado na ilha. Não esperava por se sentir um puro e imaculado, além tanto desaforo, ainda ter que encontrar tal maldição. Um nativo na sua privada ilha sem privada, e com aquela cor da pele tão ruim e discriminada.

O capelão-psicólogo da nau tentara, antes do desembarque abandonativo, em vão, lhe exorcizar, mas o Feliz Neo Robinson não acreditava nas Escrituras do Regimento Interno, muito menos nas Tábuas legislativas, sempre rasas e por interesses apropriadas nessa embarcação sem rumo certo. Ali prevalecia a lei dos mais ricos ou mais fortes.

Como, todos e todas, poderíamos nos colocar na pele deste sofredor abandonado. Teríamos o mesmo preconceito étnico e racial diante do intruso? A nossa sobrevivência nessa ilha seria como naqueles realities shows? Teríamos também uma crise histérica religiosa diante da figura de alteridade de um ser tão diferente de minha pureza racial? Como tocar no côco (ainda com acento para não gerar dúvidas ou más-línguas), com sua água salvadora, se a boca negra e maldita também bebeu por lá?

O outro incômodo, que ele combatera e pregara a extinção em seus discursos pastorais, podia e era sua única companhia. O que seria, então, sua suprema felicidade ou suprema solidão?

Ele descobre, como todos/todas em situação de confinamento, como os rapazes e moças BBB, que “vale tudo” para que EU seja o sobrevivente. No programa ainda se ganhava mais mídia e dinheiro. O modelo original que copiou os campos de concentração e extermínio.

Nessa ilha, onde estou só e isolado, somente mais “calor humano” nas horas de tempestade poderá aliviar ou me salvar? Indagava torturadamente o pobre iN-feliz-sem-ano.

Foi assim, para encurtar esta estória/conto/lenda, que resolveu do alto de sua magnitude, dar um nome para o seu intruso predileto. Primeiro corou-se a si próprio como o Rei, ou melhor, o Ditador, igual ao de Chaplin. Lembremos que ele se considerava um fidalgo, já que tinha pedigree, à diferença dos outros da Nau dos Menos Sensatos e Mais Corruptos, sentia-se ungido e protegido pelos “deuses” da  Terra do Pau Brasilis.

 Como estava imposta a presença indesejável do Outro, em sua nobreza suposta pela paranoia, deu, como clemência, um nome ao apelidado negro. Passou a chamá-lo de meu “pretinho básico”, já não seria mais o “Sexta-feira Amaldiçoado”, foi convertido e revertido/invertido, e,magnanimamente, o acolheu em sua caverna.

E VIERAM OS TEMPOS DE ESCURIDÃO E DE FOME DE VOTOS... Nesses momentos o utilitarismo, assim como o fascismo, proliferam. O Feliz-Sem-Ano-Robinson encontrou sua solução para os muitos dias de SECA AFETIVO-SEXUAL. Como uma raposa no mato, que cercava sem limites todo o território da Ilha, deixou de ser o caçador e passou a ser a caça.

Como disse, no meio da contação, alguém encontrou, tempos depois, nas praias da Terra Brasilis, o tal diário de uma insuspeita e intensa paixão. Não há como tirar um ganso da garrafa, na mesma em que cresceu, sem ter de ferir ou quebrar o recipiente.

E o nosso Robinson teve de romper todas as suas convicções, todos os seus falsos princípios, todas as suas pregações, todos os seus discursos moralistas e discriminatórios. Aquela ilha só tinha dois habitantes. Oh!

Deixo aos leitores/ouvintes a conclusão deste minireconto provoca-ação. Cada um por imaginar o que quiser, de acordo com suas convicções ou ideologias, afinal a Ilha era desconhecida, nem os cartógrafos a encontravam ou descreviam, e podemos dizer que ficava, para nosso alívio, na Terra do Nunca Aceito Diferenças ou Diversidades.

Para mim eles se casaram, tempos depois da aprovação de uma nova lei pelo Ditador da Ilha (ele mesmo), que aprovava e permitia a união entre pessoas do mesmo sexo. Ressalvando que mesmo assim ainda restavam, em seus âmagos, interrogações e dúvidas sobre a pluralidade e a multiplicidade do que chamamos de sexualidades.

Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massa. TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

Fonte da imagem –

LEITURAS RECOMENDADAS, SUBTERRÂNEAS ou CITADAS NO TEXTO –.

O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA – JOSÉ SARAMAGO - https://www.releituras.com/jsaramago_conto.asp

A ILHA DESERTA – GILLES DELEUZE, Editora Iluminuras ltda., São Paulo, SP, 2006.

ROBINSON CRUSOE - DANIEL DAFOE - https://pt.wikipedia.org/wiki/Robinson_Crusoe

FERNÃO CAPELO GAIVOTA – RICHARD BACH - 

LEIA TAMBÉM NO BLOG –

A CORÉIA DO FANATISMO POLÍTICO E O FANATISMO RELIGIOSO DO PASTOR – estamos no Século XXI?  https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/a-coreia-do-fanatismo-politico-e-o.html


A TOLÊNCIA É MAIS QUE UM BACALHAU NO MEU FEIJÃO COM ARROZ? – EM BUSCA DA EMPATIA, PARA ALÉM DA ANTIPATIA. https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/07/tolerancia-e-mais-que-um-bacalhau-no.html

A DIFERENÇA NOSSA DE CADA DIA, SEMEANDO A IGUALDADE DE DIREITOS. https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/09/diferenca-nossa-de-cada-dia-semeando.html

domingo, 11 de setembro de 2011

NOSSAS IN -DEPENDÊNCIAS da DONA MORTE em 11/09/11


Imagem Publicada - a capa de DVD do filme "11"09'01", realizado por 11 diretores de diferentes nacionalidades, culturas e pontos de vista acerca do ataque terrorista às Torres do WTC, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. São episódios de curta duração, alguns minutos que condensam a sensibilidade e a diversidade humana diante de tragédias coletivas. A capa traz recortes, fotográficos, dos episódios, como se fossem as torres gêmeas, e o nome de todos os 11diretores de cinema abaixo do título,11 de Setembro, em letras vermelhas.


Caríssima e sempre atemorizadora Sra.
Dona Morte

Assisti muito pouco da cerimônia de homenagem aos mortos das duas torres. Apenas observei, quando despertava de mais uma noite mal dormida, por minhas dores, que as dores dos familiares ainda estavam presentes nesse espetáculo-lembrança. Lá estavam, atrás de vidro blindado, os presidentes, o passado Bush e a atualidade Obama.

Cara Dona Morte, ultimamente reforçou-se em mim as lembranças de um velho livro: A NEGAÇÃO DA MORTE. Nele seu autor, Ernest Becker nos traz uma das mais preciosas leituras sobre as nossas in-dependências da morte. Nele se explica um pouco do modelo norte-americano agora reificado e midiatizado, a transformação de nossos heroísmos codificados em solução para as nossas mortes em massa. Apesar de querermos ser livres na sua presença oculta em nós, por temor e terror, somos seus melhores aliados quando se fala sobre e com as massas.

Se estivesse podendo convidá-la para assistir a uma boa reflexão sobre nossos modos biopolíticos de lidar com esse evento, a queda do World Trade Center, a convidaria para assistir o filme coletivo ''11'09''01". Esse precioso trabalho foi realizado pelos cineastas: Samira Makhamalbaf (Irã), Claude Lelouch (França), Youssef Chahine (Egito), Danis Tanovic (Bósnia), Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso), Ken Loach (Reino Unido), Alejandro González Iñárritu (México), Amos Gitai (Israel), Mira Nair (Índia), Sean Penn (EUA) e Shohei Imamura (Japão).

Já citei a beleza e reverência, sem extensão, ao episódio construído pela direção de Samira Makhamalbaf. Eu a citei no meu texto em homenagem aos professores: Um pedaço de giz na lousa digital. O que esta cineasta iraniana nos traz é um pouco mais de reflexão, quiçá o melhor e mais ético episódio do filme, através de uma professora cheia de realismo.

Tudo começa em uma olaria, um local pobre, na fronteira do Irã, onde um homem morre ao cair em um poço. O importante, a seguir, é o que a professora faz para chamar a atenção das crianças que estão amassando barro. Ela vem distribuindo livros. Eles, então, se reúnem em um espaço onde se sentam sobre o chão. O quadro negro é precário, e nele a professora representará do que ocorreu naquele dia 11 de setembro de 2011.

Essa professora de Samira interroga aos seus alunos, assim como aos espectadores, se sabem o que aconteceu de importante nessa data. Elas, respondem sobre a presença concreta de sua digníssima pessoa: a Dona Morte. Uma menina fala dos homens que caíram no poço em busca da água, quando um deles morreu, e outra da sua tia que foi morta apedrejada por talibãs no Afeganistão. São todos ali um resultado das guerras e dos processos geopolíticos de migração após as mesmas.

A naturalização de sua presença, Dona Morte, faz com que essas crianças só conheçam um presente muito fugaz. Estão fazendo tijolos para se abrigarem de ''bombas'' que podem ter de enfrentar logo depois de suas aulas. Afinal lá também se temem homens-bombas e exércitos estrangeiros.

Dona M., se assim posso lhe chamar, ficam explicados pelo realismo de Samira a sua atividade criativa de Vida naquela aldeia miserável do Irã. Lá onde, até hoje, refugiados afegãos esperam uma espécie de ''solução final". Porém lá não há campos de extermínio eficazes como os nazi-fascistas. Lá só permanecem campos de exílio ou de refúgio.

A persistente e resiliente professora é um baluarte da compreensão que todos deveríamos ter. Ela instiga seus educandos, com os pés descalços, a responder o que aconteceu lá longe. Ela lhes conta das torres gêmeas. As crianças afegãs não conhecem torres imperiais. Ela lhes mostra então as chaminés, fumegantes, feitas de tijolo.

Se nos transportamos para este cenário, se nos sentarmos naquele chão batido e sofrido, talvez respondêssemos como as crianças, de 5 para 6 anos. Diríamos que foi Deus que destruiu as torres. Porém uma das crianças retruca que não foi, pois 'Deus não destrói as coisas, mas apenas os homens', nós a parte carnal de sua criação. Teríamos, então, uma boa discussão politica e teológica, e, quem sabe, encontraríamos as respostas sobre o que os terroristas em aviões pensaram minutos antes de obrigarem dois aviões causarem aquela demolição do símbolo máximo dos EUA.

Creio como Becker que estes estavam imbuídos, no seus fanatismos, do contrário que as crianças refletem nesse lindo episódio fílmico. Eles, sob a alegação do extremismo ideológico, passam a se crerem também ''superiores'' àqueles que devem exterminar. Repetem como os criadores de câmaras de gás ou de cremação a mesma transformação em Vidas Nuas a existência de um Outro e suas diferenças a destruir.

Houve um outro 11 de setembro a para não apagar da História, lá no Chile também se praticou esse tipo de terrorismo e ideologia da superioridade. Lá o extermínio foi iniciado em campos de futebol.

Digo-lhe, então, que os Pinochets tornam-se muito próximos de nós, independente de sua nacionalidade, seja o recente terrorista Breivik (ing) ou de nosso exterminador da Escola de Realengo. Todos acreditam não ter medo da Senhora Dona Morte. 
Ao contrário, eram, são e serão seus adoradores, psicopaticamente, tendo-a como uma redenção de suas próprias vidas amargas. Para eles outras vidas dos outros não são Vidas.

Os extremistas, em seus narcisismos das pequenas diferenças negam as vias políticas para resolução dos messianismos ou dos fundamentalismos. Aproximam-se de mártires religiosos e crêem, piamente, em suas 'outras vidas'.

O que Samira Makhamalbaf faz com sua micropolítica representada por seus ''alunos'' afegãos é romper, silenciosamente, com esta visão. Ela aponta o medo que temos da Dona Morte e por isso precisamos, artesanalmente, de amassar o barro, endurecê-lo e com ele construirmos, juntos, um minuto, apenas um minuto de reverência a Morte do Outro, dos Outros, mesmo que nomeados "nossos inimigos". Não importa quantos quilômetros nos separem no mundo globalizado. Somos todos "vizinhos-próximos" da Senhora Dona Morte.

Por isso, Dona Morte, mesmo que, assombradamente me perturbe, nos últimos dias, levando-me parte de meu coração, ainda quero me afastar das soluções geradas pelo ''terror'' de sua vinda e presença. Prefiro reler e revisar minhas leituras dos anos 70, como o livro de Becker, ou procurar uma resposta em afirmações de vida, sem as prerrogativas de encontrar meus entes queridos em "outra vida''. A vida feita em tijolos é ainda a realidade que gostaria de mudar.

Não creio, como solução, nas demolições de torres ou em campos de concentração, de extermínio ou Guantánamos da vida. Quanto mais deixarmos de temê-la e propagá-la como temor, Dona Morte, mais vidas lhe obrigaremos a não ceifar.

Aos que me deixam, quando a Senhora ganha terreno e nos obriga a reconhecer sua irreversibilidade, dedico hoje minha reverência pessoal. Dedico ainda a minha reverência, como Samira, aos que sobre-vivem indefesos para além de vidros blindados. Dedico minha total e silenciosa consternação aos que ainda estão morrendo por tentarem salvar das cinzas os que tombaram nas torres. E deixo para todos e todas o convite à reflexão, não distanciada, dos outros episódios dos diretores do filme "11'09''01".

Dona Morte há nesse filme, também, o que nos pode salvar. 

É o humor do diretor Idrissa Quedraogo, que nos traz também crianças como protagonistas principais. Eles são os meninos que creem, à época, terem visto Osama Bin Laden, e partem para a sua captura, pois, afinal, sua cabeça custava mais de $25 milhões de dólares. E, nós, os que vivem abaixo do Equador, principalmente em Burkina Fasso, sonhamos em sair da miséria, comer bem, vestir um sapato e até andar de ''cadilacs''...

Portanto caríssima senhora, envio mais esta missiva, em tempos de criação de anti-heróis na vida prática, com a permanência de busca de heróis que possam morrer de overdose, para que a distinta possa nos assolar menos, dando-nos um tempinho para tomar fôlego para aprendermos a reconstruir nossas metas e criarmos nossas novas cartografias e ecosofias aliadas. Em tempos de GPS e localização imediata de onde estamos geograficamente, ainda não respondemos a algumas perguntas:

"Na misteriosa rota em que a vida nos é concedida na evolução deste planeta, isso nos empurra na direção de nossa própria expansão. Não o compreendemos simplesmente por não conhecermos a finalidade da criação; somente sentimos a vida latejando em nós e vencemos os outros enquanto se entredevoram. A vida tenta propagar-se em uma direção desconhecida por motivos desconhecidos..." (Ernest Becker)

Texto em homenagem póstuma a um ''índio'' da floresta amazônica que amava a floresta da Tijuca e o Rio de Janeiro... e lá se despediu em busca de seu abraço, apenas por amor...

copyright jorgemarciopereiradeandrade 2011-2012 - 2021 ad infinitum  (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massa, todos os direitos reservados TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

FILME - ''11'09'01'' - França - 2002 -
 https://cinema.terra.com.br/ficha-filme/0,,OI678-EI1176,00+11+de+Setembro.html

VIDEO NO YOUTUBE Assistam o trailer, procurem o filme - 11'09"01 - September 11 https://www.youtube.com/watch?v=3haDg8wk3BE

Referências no texto: A NEGAÇÃO DA MORTE - Ernest Becker - Editora Csírculo do Livro, São Paulo, SP, 1977.

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https://cinema.terra.com.br/ficha-filme/0,,OI678-EI1176,00+11+de+Setembro.html

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