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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

VAN GOGH - A CONSTRUÇÃO DE UMA A-NORMALIDADE

Imagem publicada - a capa do livro Van Gogh - ou enterro no campo de trigo (escrito em frances- Van Gogh ou l'enterrement dans les blés), da escritora francesa VIVIANE FORRESTER, que abre uma outra visão sobre o pintor e sua biografia. Na capa um autoretrato famoso como um homem branco, de barba, vestindo um paletó simples e de olhar profundamente penetrante, sobre um fundo azul. Um homem indecifrável, apesar de todas as biografias ou patografias que se escrevam sobre ele. Apenas um homem que amava sem ser amado...

"La tristesse durera toujours" (em francês, "A tristeza durará para sempre" frase que marca seu último suspiro nos braços de seu irmão)


O Cão de Van Gogh é amarelo. Amarelo como os seus girassóis, como seu trigal e os corvos, como o início de seu crepúsculo em Arles. É o amarelo de uma dor profunda e inesgotável de quem se tornou o maior mito de loucura da história humana. A sua obra é transversalizada pelas ideias preconceituosas sobre os loucos, mas não sobre o seu sofrimento ou sua alienação pela Sociedade e seus a-normais.


Nunca é tarde para a construção ou desconstrução de um mito. Nunca é tarde para que a história traga novas luzes ou sombras sobre os homens. Um novo estudo sobre sua vida pode trazer um homem genial para a ''claridade'' ou para o enevoamento? como se fosse possível obscurecer um pintor que amava a luz. 

O homem "depressivo" que nasceu e logo recebeu o mesmo nome de seu avô paterno e também daquele que seria o primogênito da família, morto antes mesmo de nascer exatamente um ano antes de seu nascimento: Vincent Willen Van Gogh. Esta pode ter sido uma de suas primeiras atormentações que sedimentaram sua genialidade e vida. Eu sou o passado morto e não o futuro que a Arte me revelou.

Antonin Artaud o denominou ''o suicidado da sociedade'' em seu brilhante texto. Ele é VAN GOGH (1853-1890). O holandês que foi denominado de ''louco'', "esquizofrênico'', ''epiléptico'', "drogadicto'', "alcóolatra", "maníaco-depressivo'' e, finalmente "suicida''. Hoje ele é um dos mais utilizados exemplos pela indústria farmacêutica psiquiátrica como transtorno bipolar. 

Tornou-se, como qualquer ícone ou mito, um ''brand sense'', uma peça de marketing ou de propaganda. Hoje é um símbolo de ''riqueza'' quando um Banco o torna uma ''conta para privilégiados'' clientes. Ele continua "vivo" embora sempre renovadamente suicidado pelo consumo de sua arte impressionante e pós-impressionista.

Em 29 de julho de 1890, em Auvers-sur-Oise, na França, faleceu de um agora "suposto" tiro no próprio peito. Termina nos braços de seu irmão após agonizar por dois dias dizendo: "a tristeza durará para sempre". Conforme a descrição que conhecia primeiro, em brilhante texto de Juan Antonio Vallejo-Nágera, um psiquiatra espanhol, que com seu Loucos Egrégios, escreve sobre o Crepúsculo deste artista. Ele me apresentou as Cartas a Theo, donde iniciei meus questionamentos sobre a patologização de Van Gogh. São 821 cartas que muitas vezes transpiram mais lucidez e sofrimento do que o que chamamos de loucura.

Hoje, dois escritores premiados pelo Pulitzer trazem uma nova versão que poderá mudar a visão patologizada e anorma deste mestre dos impressionistas. Segundo Steven Naifeh e Gregory White Smith em nova biografia livro "Van Gogh: The Life" (Van Gogh: A Vida, em tradução livre); para eles o pintor foi vítima de uma bala perdida de um suposto duelo de dois jovens que se vestiam de cowboys. A arma que matou Van Gogh nunca foi encontrada, eis o ponto de partida para esta pesquisa e livro destes autores.

Segundo a matéria jornalística publicada: "Nesta nova biografia, os autores escrevem ainda que a família de Van Gogh terá tentado internar o pintor, que sofria de epilepsia, num asilo. Steven Naifeh e Gregory White Smith defendem que Van Gogh viva sob grande aflição e que terá sido a mistura de sentimentos, entre a mania e a depressão, que terão provocado a sua epilepsia." Estas aflições já o haviam atormentado antes, já se expressavam em sua arte e nas cartas dirigidas ao irmão Theo, seu provedor e protetor. Para quem se lamentava que este " tenha que viver como um pobre para me sustentar''...

Era um homem que se atormentava ou era atormentado na pobreza? Ambas as situações, vivenciadas por ambos e sua família, demonstram que a época que viveu ajudou muito a sua exclusão social. Após alguns incidentes em Arlés, sul da França, escreveu para Theo: " Escrevo-lhe de plena posse de meu espírito e não como um louco; como o irmão que você conhece... Pessoas daqui enviaram ao prefeito (acho que se chama Tardieu) uma nota, com mais de 80 assinaturas apontando-me como um homem indigno de viver em liberdade ou coisa semelhante... Já estou aqui há muitos dias, debaixo de chaves, ferrolhos e guardiões, no manicômio. Se não contivesse a minha indignação, julgar-me-iam um louco furioso..." 

E fala de sua espera paciente pela ''liberdade'', uma liberdade que, solitário, só conhecia com pincéis, tinta e terebentina, ao ar livre.

Ele, em pleno século das incipientes internações, continuou motivo de ''tratamentos'' posteriores, como os que foram realizados pelo médico Dr. Gachet, em Auvers-sur-Oise, a quem retratou no período em se internou "voluntariamente", após considerar em carta para Theo: "Acho que está tão doido como eu". 

Em estudos posteriores sobre a vida e a obra do pintor atribui-se ao médico algumas dos seus sintomas. Dr. Gachet é retratado com uma planta em sua mão: a digitalis. A mesma que pode ter contribuído para algumas das alterações psíquicas vivenciadas como efeitos colaterais deste tratamento.

Trago, então, novas tintas para o quadro "patográfico" de Van Gogh. Primeiramente evoco, como transversalidade histórica, o fato de ser no período de maior criatividade e também de ''loucura'' de Van Gogh que se construiu, conforme Foucault, a articulação do modelo asilar. Nascem os primeiros espaços de segregação dos que, como Van Gogh, sofressem de "Loucuras". 

E isso se dá exatamente como nos mostra Foucault: "...o asilo (a internação) tinha se constituido no prolongamento do modelo familiar - o asilo do século XIX funcionou com base no modelo de um micropoder próximo do que podemos chamar de poder disciplinar...- creio que podemos situá-la entre 1860-1880 - e é simplesmente a partir daí que a família pôde se tornar modelo no funcionamento da disciplina psiquiátrica, mas sobretudo pôde se tornar o horizonte e o objeto da prática psiquátrica." (pág. 153- O Poder Psiquátrico)

Reinvindico a atualização de uma construção de a-normalidade para os Van Goghs nesses tempos atuais. O que estamos assistindo, ou melhor tele olhando, é a afirmação de que na Era ou Idade Mídia todos podem ser transformados em ''a-normais''. Estamos no tempo em que um artista com TOC pode propor uma ''arrumação'' de grandes artistas e sua obras. Para que a sociedade disciplinar, de Foucault, dê passagem à Sociedade do Controle a que nos estamos acostumando, é preciso ''deixar o mundo (globalizado) mais arrumado''.

Há uma revoada de corvos políticos sobre o trigal que não poderemos modificar. As massas, seus dessaranjos e dessassosegos, teimam em se indignar com tanta necessidade de ordem e progresso à custa de muitas misérias. 

Penso e repenso sobre Van Goghs nesses tempos de tantas e tamanhas movimentações da Dona Morte em busca, obsessivamente, da Ordem e do Progresso. Mata-se um ditador na Líbia enquanto, sob o mesmo solo árido e fecundo da África, alguns mercenários brincam de cowboys. Matam e violentam, quaisquer seres vivos considerados Vidas Nuas, na Somália ou outros solos que tragam sangue e petróleo misturados. Genocídios tornam-se naturais e banalizados, dizem que se constroem novas democracias, e também, por que não novos mercados. E, nesse cenário em ruínas, são pintados os quadros neo-capitalísticos.

Portanto, os que procuram um diagnóstico retrospectivo do pintor precisam estar alertas para as barbáries que se gestam nos nossos corações solitários e ações coletivas. Podemos continuar acreditando que a melhor solução para as loucuras individuais seja ainda a ''grande internação'', mas nos esquecemos de colocar antipsicóticos ou antidepressivos na ''caixa d'água'' dos que lubrificam, com miséria, guerras e fome, as máquinas de destruição.

Ainda não li o novo livro biográfico reformulador da morte de Van Gogh. Espero que o traduzam e possamos compará-lo ao texto de Viviane Forrester. Ela, na minha compreensão, já estava atravessada pela paixão das cores do holandês maldito. E será sempre um contraponto às formas de captura das biografias no nosso hipercapitalismo e pós-modernidade. 

Foi ela que nos ante avisou sobre o Horror Econômico, ao afirmar que "os ricos não precisam mais dos pobres''. Uma Europa que hoje assistimos em sua derrocada econômica, e produzindo no Velho mundo as mesmas massas de desfiliados que ajudou a produzir, no passado, em nosso Novo mundo latino-americano. 

Um bom exemplo, para nossa reflexão, é quando um banco espanhol nos propõe que façamos os ''investimentos Van Gogh". Eles estão trabalhando, nessa peça publicitária que: ..."têm como objetivo gerar uma reflexão nas pessoas sobre o hábito de investir, estimulando os clientes a fazê-lo sempre e de maneira certa, proporcionando mais liberdade de escolha em suas vidas e apoiando a realização de sonhos e projetos futuros, mesmo que eles ainda nem saibam exatamente quais são neste momento". 

E assim poderemos um dia, bem protegidos em nossas finanças e condomínios, nos distanciarmos do mundo onde vivem somente as minorias despossuídas, os loucos de toda sorte, e todos os outros excluídos destas poupanças ou proteções financeiras. Para eles/elas, mesmo que artistas ou gênios em potencial, ficarão os viadutos, a rua, os ''abrigos'' ou o manicômio.

Retomemos, então, o cuidado e a suavidade para com os que recebem muitos rótulos ou estigmas. Os que colocamos como marginais da história, seja na arte, na política ou na filosofia, acabam retornando de suas tumbas para nos assombrar com revelações de nossas essências universais. Van Gogh ainda deve continuar sendo um nome a re-conhecer, para além de quaisquer de suas ''loucuras''.

E que se torne também um paradigma estético para uma nova ética sobre como pintar um outro mundo possível. Um planeta Terra cheio de luz, com muitos girassóis e trigais, sem os corvos macropolíticos que se alimentam de nossos escombros ou cadáveres midiatizáveis . E, então, continuo sonhando que os nossos cães, como já disse, ladrarão. E, obsoletas, por pura utopia ou sonho, nossas massas micro revolucionárias passarão.

E, nós os psiquiatras, psicanalistas, psicólogos e outros mais modernos psis, cuidaremos, com respeito, ética e muita suavidade de outras ou nossas próprias loucuras... Van Gogh descansará em seu campo de trigo...bem longe da porta giratória dos bancos e dos banqueiros. Entra-se triste e se sai sempre mais triste de lá. A TRISTEZA DURARÁ PARA SEMPRE?

copyright jorgemarciopereiradeandrade (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet e outros meios de comunicação de massa. - Direitos Reservados 2025)

Fontes sobre o texto na Internet:

Vincent van Gogh - https://pt.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh

Nova biografia- Afinal Van Gogh não se suicidou, foi vítima de uma bala perdida https://ipsilon.publico.pt/artes/texto.aspx?id=295239

Van Gogh não cometeu suicídio, revela nova biografia - https://www.correiodoestado.com.br/noticias/van-gogh-nao-cometeu-suicidio-revela-nova-biografia_128631/

Em nova campanha, Santander propõe reflexão às pessoas https://exame.abril.com.br/marketing/noticias/em-nova-campanha-santander-propoe-reflexao-as-pessoas

Para deixar o mundo mais organizado, artista com TOC rearranja quadros famosos https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/arte/album-de-fotos/artista-suico-com-t-o-c-rearranja-quadros-de-pintores-famosos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS INDICADAS -

- LOUCOS EGRÉGIOS - Juan Vallejo-Nágera - Editora Guanabara Dois, Rio de Janeiro, RJ, 1979
- Van Gogh - O Enterro nos Campos de Trigo - Viviane Forrester , Editora LPM, Porto Alegre, RS, 1989.
- O Poder Psiquiátrico - Michel Foucault - Editora Martins Fontes, São Paulo, SP, 2006.

- Van Gogh - A Vida - biografia de 1095 páginas - Steven Naifeh e Gregory White Smith- Companhia das Letras - São Paulo - SP - 2012 (ano de início de sua leitura atenta e amorosa)

LEIA TAMBÉM NO BLOG -
Os Nossos Cães desColoridos - nossas ''depressões'' no Dia Mundial da Saúde Mental -
https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/10/os-nossos-caes-descoloridos-nossas.html

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os Desastres, os Haitis e as Serras no Hipercapitalismo

Imagem publicada - uma fotografia de um dos milhares de acampamentos de haitianos, com milhares de tendas militares ao fundo, que têm em um enorme telão a projeção de uma ''novela'', ao centro, para que possam continuar sonhando/acreditando na Sociedade do Espetáculo, e, talvez, esquecer todas as corrupções, explorações, humilhações e escravagismos a que o povo do Haiti foi e continua sendo submetido. O Haiti 01 ano após ainda é um país em ruínas, com disputas macropolíticas que determinarão quando e quem irá ''doar'' dinheiro para sua reconstrução. Um país de milhares e incontáveis mutilados e novos membros da multidão de pessoas com deficiência do mundo... E no telão vemos o rosto de uma criança negra... (Acampamento de Carradeux, New York Times)

"Todos os dons recebidos pelo homem através de seu profundo conhecimento da natureza - os progressos da sua tecnologia, de sua química, de sua medicina -, tudo aquilo que parecia poder atenuar o sofrimento humano, tendem por um espantoso paradoxo, arruinar a humanidade..." Konrad Lorenz

Quando li pela primeira vez, há muitos anos, Civilização e Pecado de Konrad Lorenz, não tinha a ideia de seu caráter de ''futurologia ". A gente não olha para o futuro como possibilidade, principalmente quando falamos de Desastres, Calamidades, Catástrofes, ou melhor de cenários de destruição. 

Como Lorenz era apenas um etólogo, aliás um ramo científico por ele formulado como "um estudo científico e comparativo do comportamento instintivo e aprendido dos animais", sua visão é datada e contextualizada. Este cientista, para além de controvérsias ideológicas,  concluiu que a liberdade raramente existe sem perigo. Acrescento não há vida sem risco. Há sim a perpetuação aética de nossos "erros capitais".

Hoje, bombardeado pela incessante midiatização do sofrimento dos afogados, dos soterrados e dos desabrigados, por chuvas, represas abertas, descaso e imprevisão política, fiquei "atolado". Fiquei me sentindo preso entre ideias de Lorenz e de Naomi Klein, cuja atualização já fiz quando escrevi sobre O Aprendizado do Desastre, há um ano atrás.

As teorias de Lorenz são fundamentadas na "análise dos processos que ameaçam o ocaso da civilização e o fim da humanidade, ditados pelas leis naturais...". Em 1973 esse cientista ganhou o Prêmio Nobel de Medicina, tendo lançado um grito de alerta sobre a urgência, já naquela época, de se preservar e conservar o Meio Ambiente para que em breve este "não se torne inadequado à sobrevivência" de seres humanos.

O que estamos fazendo com nossos ''dons"? apenas aplicando à contabilidade de uma máquina cruenta de calcular corpos soterrados? ou nossa matemática de mortos e vidas destroçadas ainda não é suficiente para a naturalização da Doutrina do Choque, com nos afirma Naomi Klein? 

Para muitos a culpabilização do volume de água que os céus nos derramam é a única explicação. E aí podemos cantar que: "olha lá vai passando a procissão, eles acreditam nas coisas lá do Céu...", e apenas ''orar" ou "chorar" perante as perdas de vidas humanas e o arrasamento das cidades. Aparece, como mostram as telas, nossa solidariedade que se, potencializada coletivamente, poderá ser transmitida para a proposta das 3 Ecologias de Guattari.

A mudança que desejamos diante dessas devastações naturalizadas é urgente. Não deveríamos esquecer de nossos semelhantes haitianos, após 1 ano de terremoto. Ainda tremem as pernas e pés desses negros e negras diante da Cólera e do abandono das promessas de reconstrução de seu país, suas casas, suas vidas.

Como podemos nos reaproximar desse Haiti Vivo que sumiu por um longo período das telas e dos noticiários, retornando quando a Dona Morte atinge mais de perto os nossos vizinhos estaduais?. Nos distanciamos, processo humano de proteção de si e dos narcisismos, de quaisquer sofrimentos intensos que atingem, primeiramente, o Outro ou os Outros.

Precisamos rever a nossa construção de uma Ecosofia e de uma Ecologia Humana. Para Lorenz: "a ecologia humana se transforma muito mais rapidamente que todos os outros seres vivos. O ritmo lhe é ditado pelo progresso de sua tecnologia, sempre acelerado e em progressão geométrica..." Para ele isso é responsável, ao modificarmos profundamente nossos meios ambientes, até mesmo por nossas ruínas das "biocenoses nas quais vive e das quais vive".

Reforçamos a teoria de que criamos as condições e meios através dos quais podemos criar ou destruir a Vida, muito mais na direção de ''manipulação'' dos desastres do que na direção de outros modos ecosóficos de viver e TRANSMITIR A VIDA.

Por isso digo que não estou ''chocado" com as imagens que atolaram nos meios televisivos. Estou apenas mais consciente da urgência de analisarmos quais são os nossos "pecados", ou melhor nossas "armadilhas", que mantemos, macropoliticamente, em construção e recriação, do que chamamos, eufemisticamente, de Civilização. Seremos transmissores de Vida em 2011, insisto na pergunta?

Me interrogo: - seremos apenas os "homo homini lupus" (o Homem é o Lobo do Homem)? ou podemos, micropoliticamente, re-inventar a liberdade e a crítica, através de uma Bioética e Ecosofia de mãos dadas, desmontando as artimanhas do Hipercapitalismo, encontrarmos as saídas para um mundo sem Arcas de Noé ou Naves, "made in China" e privatizadas de 2012?

Qual é a distância (humana) entre Porto Príncipe, Itatiaia, Nova Friburgo, Concepción, Franco da Rocha, Santiago, Três Corações, Temuco, Petrópolis, Brisbane, e onde vivo? Será que terei a resposta do poderoso computador Tupã do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), instalado na cidade com nome de água cheia de força e intensidade: Cachoeira Paulista?

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Leia também no Blog -

O APRENDIZADO DO DESASTRE - O Hai di Ti é em qualquer lugar - https://infoativodefnet.blogspot.com/search/label/Capitalismo%20do%20Desastre

GRACIAS A LA VIDA EN EL CHILE -


AS MASSAS E OS SOBREVIVENTES - Terra Trêmula - https://infoativodefnet.blogspot.com/search/label/Haiti

O HAITI NÃO ERA AQUI - A Terra Queimada -

Indicações/referências bibliográficas:

CIVILIZAÇÃO E PECADO, os oito erros capitais do Homem - Konrad Lorenz - Círculo do Livro, São Paulo, SP - 1977.

A DOUTRINA DO CHOQUE - A Ascenção do Capitalismo de Desastre - Naomi Klein - Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ, 2009.

AS TRÊS ECOLOGIAS - Felix Guattari - Ed. Papirus, Campinas, SP, 1990.

ARTIGO - LA VALORACIÓN ECONÓMICA DE LOS DESASTRES: UNA APROXIMACIÓN METODOLÓGICA -Dra. Ana Fernandez-Ardavín &Dra. Carmen Calderón Patier, Dra. Monserrat Cabello Muñoz y Dra. Isabel Martínez Torre-Enciso

sexta-feira, 4 de junho de 2010

AS SELEÇÕES: OS ESTÁDIOS, OS PARADIGMAS E UM NOVO GAME


Imagem publicada - O cartaz do filme Rollerball, os Gladiadores do Futuro (1975) que traz o ator James Caan, personagem principal do filme vestido com um capacete e com sua mão em riste, com uma luva cheia de pontas, como parte da "armadura" que os jogadores devem vestir, nessa distopia filmica que fala de um futuro (2005) onde não havendo mais guerras, os países seriam substituídos por corporações, e este game novo seria disputado em arenas lotadas, como um jogo violento que serviria para aliviar as tensões e controlar a população, demonstrando-se a futilidade do individualismo.

Em tempos de futebol global, de novas "cóleras étnicas" e novas administrações de combates estatais das epidemias planetárias, com o porquinho gripal nos ameaçando a vida, com um passado recente de uma outra gripe que batia asas e colocava os ovos de serpente dos fascismos, faz-se necessário retomar a questão da BIOPOLÍTICA.

A produção da homogeneidade não exige mudanças de paradigmas mas sim a sua conservação e institucionalização, quase sempre de forma sedutora e muito bem desejada pelas massas. Já lotamos estádios de futebol com milhares de corpos humanos, tanto para as Copas como para o emparedamento de chilenos na era Pinochet. O campo de disputa lúdica, hoje uma grande máquina-indústria esportiva, pode ser o mesmo para a eliminação da discordância ou dissidência política.

Bastou trocarmos as chuteiras por botas militares... a única diferença é o rumor de torcida que não se ouviu no controle autoritário e ditatorial de prisioneiros políticos, mas a bandeira da pátria tremulava, e alguma forma de biopolítica serviu para justificar a sua '' eliminação ", tudo em nome do nacionalismo.

Para ajudar na compreensão do que escrevi anteriormente na linha de cruzamento entre a Biopolítica e a Bioética, e devido à proximidade da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, estou trazendo algumas linhas já escritas sobre a questão do Paradigma Biomédico questionando seus fundamentos, história, sua ligação com a Biopolítica e os questionamentos que devemos produzir.

É uma tentativa de lembrar que os nossos paradigmas, ou seja normas ou padrões, ao se tornarem instituídos, naturalizados e ‘cientificamente’ comprovados, muitos deles podem perder suas forças instituintes, seu potencial de sonho e transformação, tornando-se fechados e rígidos. Passam de possibilidades de avanço para uma confirmação de retrocesso.

O paradigma biomédico é historicamente ligado ao surgimento de uma concepção de ‘normatização da vida’, uma proposta que foi denominada de ‘biopolítica’ pelo pensador Michel Foucault. Este paradigma era fundamentado na visão fisicalista e orgânica da vida, como uma nascente de um modelo, nos fins do século XVIII, de administração e controle dos corpos e uma nova ‘gestão calculada’ da vida (Foucault, 1978).


Pela primeira vez nesse período da história, o biológico ingressa no registro da política: a vida entra, através de um esquadrihamento estatístico, demográfico, uma concepção de doença e controle das epidemias, no espaço do controle do saber e da intervenção do poder estatal.

Os sujeitos, cidadãos e cidadãs, na qualidade de sujeitos de direitos, se necessário com a perda destes, passam a ocupar um segundo plano em relação à preocupação política de maximizar o vigor e ‘não-doença’ (aqui um conceito próprio para não me referir à saúde, como nos termos atuais propostos pela OMS). 

Para  Michel Foucault deveríamos, então, falar de uma ‘biopolítica’ para designar o que faz com que a vida e seus mecanismos possam entrar no domínio de cálculos explícitos, e o que transforma o saber-poder em um agente de transformação da vida humana.


Na biopolítica, os corpos e a população devem ser submetidos a um novo e sutil modo de controle. Passamos da Sociedade Disciplinar para a Sociedade do Controle. Viva o Big Brother dos corpos "saudáveis e válidos" que foram "selecionados". Para isso precisamos da naturalização de uma visão hegemônica e dominante da condição de ser, do homem e do conhecimento, que a História demonstra o quanto de exclusão, discriminação, segregação, racismos e eugenia puderam ser confirmados em fundamentos "científicos e biomédicos". Assim o Estado pode transformar muitas vidas humanas em "vidas nuas" (Giorgio Agamben).

Dentro dessa visão do Poder do Estado de Exceção é que podemos afirmar que um paradigma também é uma representação mental, socialmente aceita e legitimada, que se torna um marco conceitual para tudo o que pensamos, sentimos, fazemos ou dizemos. Passa ser o modo a partir do qual veremos a realidade, e, portanto, o substrato de nossas ações. Eis a Questão Humana?

Eis o momento ideal para o surgimento de nossas ‘cegueiras brancas’, como nos ensina e adverte Saramago. Bastará lembrarmos o que se constituiu o modelo biopolítico do Nacional Socialismo, da medicina nazista e fascista, que experimentou suas primeiras formas de controle, com extermínio e experimentações científicas, de milhares de pessoas com deficiência. Foram estas pessoas as primeiras, assim como ciganos e homossexuais, que sofreram os campos de extermínio e concentração, depois vieram os judeus, dissidentes políticos e demais ‘parasitas sociais’. A alegação principal é, eugenicamente, da ‘purificação da raça e da sociedade’.

Em seu nome temos uma transformação do corpo de todos os seres humanos, como nos transmitiu Bettelheim, transformados em “mercadoria’: “Tanto os campos de concentração quanto os de extermínio, e o que ocorria neles, era uma aplicação irracional do conceito de trabalho como uma mercadoria. Nos campos, não só o trabalho humano como a pessoa como um todo transformavam-se em mercadoria. As pessoas eram’ manuseadas’ como se fossem feitas de encomenda. Eram usadas e substituídas ao bel-prazer do freguês, no caso, o Estado. Quando não prestavam mais, eram jogadas fora, mas com cuidado, para que não se desperdiçasse nenhum material aproveitável...”.

No final do século XVIII, em passagem para o século XIX, houve uma ruptura de paradigma no interior do saber e da prática médica; a medicina segundo a conceituação de Foucault deixa de ser classificatória para tornar-se anátomo-clínica. Bichat, um anatomista, ao estudar as superfícies tissulares do corpo humano, inaugurou uma nova concepção, denominada por Foucault de ‘medicina moderna’. Nessa perspectiva, passa-se a pensar a doença como localizada no corpo humano, e a anatomia patológica, até então sem nenhuma função para uma medicina eminentemente erudita, insere-se na prática médica.

Uma das mais importantes vertentes do paradigma biomédico, no século XVIII para o XIX, que irá atravessar ‘corpos deficientes ou inválidos’, é a do higienismo, confirmada por Canguilhem em seus Escritos sobre a Medicina: “A vigilância e a melhoria das condições de vida foram o objeto de medidas e de regulamentos decididos pelo poder político solicitado e esclarecido pelos higienistas. Medicina e política, então, se encontraram em uma nova abordagem das doenças, da qual temos uma ilustração convincente na organização e nas práticas de hospitalização.”

Para este autor, analisando particularmente seu país, a França, no decorrer da Revolução, houve um empenho em substituir os hospícios, asilos de acolhimento de doentes quase sempre abandonados (os loucos de toda sorte, alienados, miseráveis, débeis mentais, bastardos, prostituídos, etc...) pelo local higienizado do hospital, assim como ‘uma máquina de curar’, onde estes sujeitos passam a ser catalogados, vigiados, cuidados e analisados. No século seguinte proliferaram os Tratados de higiene industrial, chegou o tempo de um paradigma biomédico preocupado com a saúde das populações operárias.

Hoje com o crescimento demográfico e as epidemiologias nossos olhares biopolíticos, sem o atravessamento crítico da bioética, pode ser desviado na direção de novas formas de controle e de escaneamento das maneiras "sadias" ou "ideais" de vida coletiva e produtiva. A minha/nossa medicina dos dias de hoje tem um compromisso bioético de rever as suas práticas ao estar mais a serviço do Estado do que chamamos de sujeitos, cidadãos e cidadãs.

A questão da Loucura e dos loucos, nesse momento da busca de uma afirmação de novas formas de cuidado e novas tecnologias para a transformação da promoção de saúde, nos deve inspirar um ativo cuidado ético e bioético com os paradigmas.

Ainda temos muitos desses ‘velhos’ paradigmas atravessando e transversalizando nossos novos modelos de prática na Saúde, na Educação e na formulação de políticas públicas. Somos nós, ainda, herdeiros de um modelo biomédico que negligencia as importantes contribuições do meio ambiente, das relações sociais e da existência de uma subjetividade singular, ao procuramos afirmar todas as nossas incapacidades, nossas deficiências, nossos corpos 'defeituosos', nossas mentes conturbadas e transtornadas, apenas dentro de uma visão quase exclusiva de explicações genéticas ou fisicalistas?


A que interesses estamos submetidos no mundo hipercapitalista das biotecnologias que, por exemplo, no campo dos sofrimentos psiquiátricos cada dia mais se produzem novos "diagnósticos", novas "terapêuticas", novas "medicações" e consequentemente novas formas de produção de subjetividade e de controle biopolítico desses corpos?

Então os anormais serão normatizados, todos os 'inválidos' serão reabilitados, e os matáveis poderão ser eliminados em um novo jogo de "roller ball"... VAMOS VESTIR NOSSAS CAMISAS/UNIFORMES PARA A PRÓXIMA SELEÇÃO? Dizem que o novo "game" se chama: "FAIXA DE GAZA" ou será de nossa própria seleção verdeamarela.

EM TEMPO - este texto foi escrito após uma estimulante ajuda que prestei à minha filha de 09 anos em um exercício da sua escola sobre todos os Estádios de futebol da atual COPA MUNDIAL DE FUTEBOL na África do Sul, alguns desses estádios já foram palco do APARTHEID e de outras formas de utilização biopolítica pelos colonialistas em tempos pré-MANDELA.

 Aliás o Estadio Nelson Mandela não é que tem a maior capacidade de público ou de superpopulação. Podemos também não esquecer que em 1978, a setecentos metros do estádio, encontramos a Escola da Armada, hoje um arquivo da Memória da Ditadura Argentina, onde os gols foram ouvidos pelos muitos torturados, depois assassinados, assim como pelos seus algozes e torturadores. E, há registros históricos, de que, nessa época, contavam com o apoio irrestrito de nossos dirigentes ligados à Fifa... enquanto a bola rolava também se aplicavam choques elétricos nos prisioneiros dessa "Escola"...

copyright jorgemarciopereiradeandrade 2010/2020 (favor citar a autoria e as fontes indicadas na republicação e multiplicação livre pela Internet)

INDICAÇÕES de leitura:

Nascimento da Biopolítica - Michel Foucault - Ed.Martins Fontes - São Paulo-2008
O Poder Psiquiátrico - Michel Foucault - Ed. Martins Fontes - São Paulo - 2006
Homo Sacer - o poder soberano e a vida nua - Giorgio Agamben - Ed. UFMG - Belo Horizonte - 2007

Referências no texto:
Bettelheim, Bruno, O Coração Informado – autonomia na era da massificação, Rio de Janeiro, RJ, Editora Paz e Terra, 1985.

Canguillem, Georges, Escritos sobre Medicina, Rio de Janeiro, RJ, Ed. Forense Universitária, 2005.

Ortega, Francisco, Biopolíticas da Saúde: reflexões a partir de Michel Foucault, Agnes Heller e Hannah Arendt, Revista Interfaces, Comunicação, Educação e Saúde, V. 8, Nº 14, pág. 9-20, set 2003-fev2004

Indicação de Filmes -
Rollerball - os Gladiadores do Futuro - Lançamento: 1975 - Direção: Norman Jewinson - Genero: ficção científica (?)
http://www.adorocinema.com/filmes/rollerball/

A Questão Humana - Lançamento: 2007 - Direção: Nicolas Klotz - Gênero: drama
http://omelete.com.br/cinema/a-questao-humana/

matéria publicada no informativo (também) - iNFO ATIVO 4421 junho 2010

LEIA TAMBÉM NO BLOG - 

A PARÁBOLA DA ROSA AZUL - https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/05/parabola-da-rosa-azul.html

RACISMOS, BARBÁRIES, FUTEBOL... ONDE SE ENTRECRUZAM AS VIOLÊNCIAS SOCIAIS? 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2014/05/racismos-barbaries-futebol-onde.html

DEMOLINDO PRECONCEITOS, RE-CONHECENDO A INTOLERÂNCIA E A DESINFORMAÇÃO
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/demolindo-preconceitos-re-conhecendo.html

domingo, 23 de maio de 2010

A PARÁBOLA DA ROSA AZUL


Imagem publicada - foto do filme Beleza Americana onde uma jovem, loira e com sua nudez recoberta por pétalas de rosas, é o motivo de sonhos e fantasias de um personagem (Kevin Spacey). Ela está, simbolicamente, em um "mar de rosas vermelhas", as rosas americanas que não tem espinhos nem odor, são quase artificiais por isso com muito menos calor humano a transmitir. E me interrogarão: onde é que  a encontramos nesse mar as Rosas Azuis?

BIOPOLÍTICA, BIOÉTICA E NOSSOS CORPOS CONTEMPORÂNEOS

"Mas Diadorim, conforme diante de mim estava parado, reluzia no rosto, com uma beleza ainda maior, fora do comum. Os olhos - vislumbre meu - que cresciam sem beira, dum verde dos outros verdes, como nenhum pasto...." Guimarães Rosa ( Grande Sertão: Veredas)

Houve um tempo em que existiram, um jardim, um jardineiro e uma roseira. O jardineiro sabia-se apenas um cuidador das flores e plantas do jardim. O jardim era seu éden, quase perfeito e tinha um único dono. 

Coube ao jardineiro tentar uma experiência e pesquisa científica com essa roseira, que em tempos primaveris e com boa rega e adubos, produzia rosas de diferentes cores. Eram como as sexualidades humanas: multicoloridas, múltiplas e sempre mutantes, apesar dos espinhos. Não lhes faltavam rosas com a cor da dor ou do amor e seus variados perfumes sutis.

Como o dono do jardim quis provar, cientificamente, que poderia alterar gênese e função estética, além de seguir um padrão uniforme de toda a vizinhança, solicitou ao jardineiro que ‘normatizasse’ as rosas dessa roseira multicolorida.

Estabeleceu como ideal que ele provocasse uma mutação, um novo enxerto ou "terapia hiper-eugênica" para que a roseira só produzisse rosas com uma nova e intensa cor perfeita: Azul. Como o jardineiro, a moda do jardim de Alice no País da Maravilhas, tentasse obedecer a este amo e senhor, buscou fielmente a realização de seu desejo.

Mas a vida, assim como as rosas, não obedece a todos os nossos parâmetros de perfeição, e as flores antes multicoloridas e de diferentes perfumes, ao serem padronizadas passaram a ser tomadas como um ideal nas redondezas. Toda uma população contaminada e identitária passou a ‘pintar’ suas rosas para que essa nova cor da moda fosse presença em todos os jardins.. Nascia mais um império monocromático.

Como dizem, o que é bom dura pouco. Devido à sua perda precoce de pétalas, sua fragilização dos espinhos e progressivo envelhecimento precoce, surgiu, então, um problema e dilema, para que as rosas se tornassem apenas azuis.

Havia que também passar, necessariamente, por uma modificação genética e uma experiência nanotecnológica com transformação, através de pílulas e injeções, das mãos do próprio jardineiro. Tudo que ele passasse a tocar tornar-se-ia monocromático, apenas uma cor seria visível. E, progressivamente, seu próprio corpo também se tornaria perfeito: azul como aquela propaganda de celular.

Até um arco-iris, se possível de ser tocado, passaria apenas a traduzir em seu espectro luminoso o azul. Desde então o jardineiro está confinado em um laboratório de experimentação de drogas da indústria de pesticidas e invenção de rosas perfeitas e eternas. O jardim vem morrendo pelo aquecimento global, gerado pela hiper-industrialização e comercialização de rosas de plástico, que inclusive, tornaram-se as ‘culpadas’ de um novo tipo de lixo não reciclável, o seu dono está cada vez mais imperial e determinado a criar um ‘mundo global perfeito e sob controle’.

E as rosas? como dizia o doce Cartola: as rosas não falam, simplesmente exalam o perfume que roubam de ti... Por fim surgiram rosas simulacros e de cor única, todas de plástico e imortais. Para sempre azuis. E o mundo continuou a girar e gerar progresso, lucro e alienação.

Será apenas ficção ou cinema quando nossos corpos são utilizados para a experimentação científica? Ou cada dia mais estamos nos tornando cobaias e objeto de pesquisas em nome da Ciência e do Progresso? O quanto de biopolítica poderia se tornar uma ecopolítica bioéticamente "sustentável"?

Meta-parábola interrogante e dilemática do jardineiro infiel: a criação de rosas perfeitas, cuja beleza americana(1) é o paradigma da nossa sociedade pós-hiper-capitalista.... ou ainda podemos diversificar e multicolorir os nossos heterogêneos jardins da subjetividade humana?

Como então não cair nos espaços hipercapitalistas de criação de corpos e vidas nuas que se tornam qual cyborgs, que quando "recoloridos" cairão em um espaço de troca de peças, recall, manutenção preventiva e recauchutagem? Como em Gattaca seremos como novos ‘veiculos’- máquinas impulsionadas pelo modelo biomédico de produção serializada de corpos perfeitos e esteticamente ideais, escolhidos em laboratórios, mas precisando do sangue dos "inválidos"?.


E os olhos de Diadorins se apagarão para sempre...

(copyright jorgemarciopereiradeandrade 2010-2011 - ad infinitum - favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massas)

REFERÊNCIAS NO TEXTO:
1- Beleza Americana - filme do diretor Sam Mendes (1999) - http://pt.wikipedia.org/wiki/Beleza_Americana

2- Gattaca (a Experiência Genética) - filme do diretor Andrew Niccol (1997) - http://pt.wikipedia.org/wiki/Gattaca

3- Ciborgue - Cyborgs - http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciborgue

LEIAM TAMBÉM NO BLOG -  

SAÚDE, BIOÉTICA E POLÍTICA - VENDEM-SE CORPOS, COMPRAM-SE CONSCIÊNCIAS 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/04/saude-bioetica-e-politica-vendem-se.html

SEREMOS, NO FUTURO, CIBORGUES? Para Além de Nossas Deficiências Humanas https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/seremos-no-futuro-ciborgues-para-alem.html

ROBÔS, POLÍTICA E DEFICIÊNCIA 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/07/robos-politica-e-deficiencia.html

AUTISMO: O AMOR É AZUL? 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/03/autismo-o-amor-e-azul.html

sexta-feira, 16 de abril de 2010

POR QUE AS TECNOLOGIAS NOS AFETAM?


imagem publicada - duas crianças, um menino e uma menina, comendo pipoca, sentados em um sofá, assistindo a uma cena em 3D em anúncio de uma televisão em terceira dimensão, usando os óculos especiais para esta finalidade. Eles estão boquiabertos com a sensação provocada pela tecnologia 3D. E ficarão mais surpresos ainda com as que o Futuro nos reserva? ou não haverá surpresas com nossos caminhos sendo cruzados pelas diferentes tecnologias no Futuro?

"Os direitos nascem quando o aumento de poder do homem sobre o homem - que acompanha, inevitavelmente, o processo tecnológico ( a capacidade de dominar a natureza e os outros homens)- ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios para suas indigências." Norberto Bobbio (A Era dos Direitos)

Devido a um recente aviso da Samsung sobre o efeito danoso de uso de Televisores com 3D para mulheres grávidas, alcóolatras e pessoas idosas, com a presença de "efeitos colaterais", como: "Visão alterada, sensação de enjôo, movimentos involuntários como espasmos musculares, confusão, náuseas, perda de consciência, convulsões, cãibras ou desorientação", interroguei o que as altas (high) Tecnologias causam de 'mal' aos consumidores?

Os gregos tinham uma visão de arte para a palavra "Techné ou Tykne" (técnica), que implicava em dar um 'sentido' para seu signicado e significante; eles, como Aristóteles, em a Ética para Nicômano", tinham a Techné como uma representação das realidades sobre as quais o homem poderia intervir, indagando-se com um "para quê", qual a finalidade, portanto não era apenas um mero instrumento ou meio. Deveriam, e devem as tecnologias, existir em um contexto social e ético, no qual se produzia um valor de uso ao se indagar o 'como' produzir, criar, inventar e o indispensável ' para que e para quem'?.

Por isso, por exemplo, as tecnologias educacionais já foram, são e serão um indispensável ferramenta para determinadas pessoas como as que vivenciam deficiências. Ao se reconhecer que instrumentos ou meios podem desde facilitar, até radicalmente mudar, a visão ou outro de nossos sentidos ou funções corporais. Ao se reconhecer que os mesmos podem equiparar oportunidades e direitos ao remover as barreiras, com uso e acesso universal a todas as tecnologias. Sejam as visíveis ou as invisíveis. Sejam elas 'sociais' ou 'midiáticas ou novas tecnologias de informação e comunicação'.

Esta semana algumas novas tecnologias de acessibilidade e de comunicação estarão sendo apresentadas para pessoas surdas, cegas, com paralisias cerebrais, paraplégicos e outras formas de deficiências. Trata-se da Reatech, uma feira que traz no seu nome a implicação com as tecnologias, em especial as chamadas tecnologias assistivas ou as ajudas técnicas, que muitas vezes mudam e afetam, criativamente, a vida de pessoas com deficiência. 

Nesse campo tecnológico, que pode ser definido como um campo onde se criam ou inventam-se soluções e engenhocas, desde as mais rudimentares às mais sofisticadas, como as que dependem de meios eletro-eletrônicos, encontramos diferentes profissionais dedicando-se de corpo e alma para que as tecnologias estejam a serviço do ser humano. É uso bio-ético possível de uma invenção ou adaptação técnica ou tecnológica.

Eu, no momento, experimento uma adaptação que me tem permitido escrever deitado. É uma simples adaptação de um mesa dobrável com um braço de sustenção que suporta peso do laptop de forma segura. 

Assim como com uma inclinação, por um mecanismo sob a madeira desta mesa para notebook, tornando-a ergométrica e ajustável à melhor posição do seu usuário. É a tecnologia que se torna dobrável ao meu desejo de escrever e de me comunicar por este blog, e não o contrário. Não fosse esta mesa e a sua simples e econômica tecnologia não haveria, logo após a minha cirurgia de coluna vertebral, a possibilidade e a facilidade de usar minhas mãos, idéias e sentimentos para a escrita no notebook, mais ainda se este não existisse...

Por isso é que os gregos tinham o mesmo verbo "tictein"como conjugação tanto para a palavra "técnica" como para a "tecnologia". Eram nascentes da mesma raiz verbal. Este verbo que poderia ainda ser o preciso significado/sentido destas palavras, que o tempo se encarregou de tornar polissêmicas e, às vezes, desvirtuadas e banalizadas, já teve outra inventividade e poesis (capacidade de duplicação e multiplicação vital).

Talvez devessemos e possamos fazer a indagação: os gregos tinham a razão ou a emoção no ato de "criar, conceber, produzir, dar à luz"?. Retomo aqui o que já escrevi há alguns anos atrás (2003), acerca das exclusões de acesso às novas tecnologias e a urgência de sua socialização:

 "A 'naturalização' das tecnologias pode vir a ser enfrentada com resistência, como possibilidade de uma mudança e transformação de nossas condições de sujeitamento e submissão, a partir de uma tomada de posição política e social, na qual coletivamente possamos assumir e concretizar o desejo de que as tecnologias se tornem públicas, universais e democráticas...".

Então, nos perguntamos por quê alguns irão ver em 3D e outros em uma única dimensão: suas realidades ainda são em preto e branco? e ainda assim alguns serão excluídos por seus 'efeitos colaterais'? As mulheres por colocarem sua vida e a de sua concepção ainda intra-útero? os idosos por suas fragilidades geradas pelo envelhecimento biológico ou ou envelhecimento e exclusão por sua invalidez, na sociedade e nas famílias? e os "bêbados" por já estarem, para além de sua dependencia química, vendo e sentindo a vida embriagada em todas as suas duplicidades e esfumaçamentos?

Não, apenas como telespectadores estarão estes 'excluídos da Tv 3D', segundo uma fabricante de televisores e outros eletro-eletrônicos "lembra(ndo) que ver televisão em 3D pode causar desorientação no espectador..."

Para que não sejam acionadas judicialmente, no futuro, pelos bêbados e equilibristas, a empresa não nos adverte para não vermos os Big Brothers e outros reality shows da vida, mas 'para não colocarmos os aparelhos de TV perto de sacadas ou escadas'... Ou seja não nos adverte sobre como evitar o maior dos efeitos colaterais: nossa alienação dos direitos e a perda progressiva de nossas liberdades.

Ironia ou Desprezo por nossas capacidades de crítica e/ou lucidez diante deste recall tecno-eletrônico pós-surrealista?

Agora serão os mercados capitalísticos eletro-eletrônicos os nossos presente-futuros estimuladores de uma falácia: há tecnologias que nos fazem mal. Vamos voltar aos modelos tradicionais de tele-visão. Não importará que, no futuro, tenhamos uma microcâmera orwelliana embutida nestes aparelhos de lazer e controle remoto dos seus espectadores passivos. 

As tecnologias em si, como já disse pela etimologia, não são necessariamente nem boas nem maléficas. As tecnologias, inclusive as biotecnologias, conforme a visão bioética, necessitam é de um maior controle e re-visão de seu uso, finalidades econômico-políticas e de sua forma de produção no Hipercapitalismo.

Muitos dirão que gostamos da idéia da tridimensionalidade dos espetáculos, sejam na tela pequena da tv ou das panorâmicas telas do Cinema, como o recente Avatar de James Cameron, é certo. 

Mas temos de colocar outros óculos além dos adaptados à 3D. Principalmente, diante dos usos de tecnologias reificadas, inescrupulosas e consumistas: o indispensável telescópio/microscópio da crítica ao utilitarismo e à negação dos princípios de proteção da Vida Humana e de todos os seres vivos, bioéticamente, em nome do progresso e da falsa modernização descartável das tecnologias, em todos os campos da Ciência, do Mercado e da Invenção.

TECNOLOGIA PARA O ACESSO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS OU ACESSO UNIVERSAL A TODAS AS TECNOLOGIAS? continuarei indagando e questionando...

PS- Senhores Políticos, Sr. Ministro das Comunicações e demais autoridades do campo das Telecomunicações: quando é que reconheceremos o direito à "coisas telecomunicantes" menos 'perigosas' à Saúde Pública que a TV 3 D, por exemplo: para as pessoas cegas, com a Audiodescrição e para as pessoas surdas, como todos os programas, universalizantemente, com Closed Caption?

Fontes:

II REATECH - Feira de Tecnologias em Reabilitação, Acessibilidade e Inclusão
http://www.reatech.tmp.br/
Local - Centro de Exposições Imigrantes - Rodovia dos Imigrantes - Km 1,5 - São Paulo - SP - DE 15 A 18 DE ABRIL.

Grávidas, idosos e bêbados devem evitar TV 3D, alerta Samsung
https://tecnologia.ig.com.br/noticia/2010/04/15/gravidas+idosos+e+bebados+devem+evitar+tv+3d+alerta+samsung+9459008.html

Tecnologia assistiva para o acesso universal ou acesso universal às tecnologias? Jorge Márcio Pereira de Andrade
https://www.cidec.futuro.usp.br/artigos/artigo9.html

Exemplo de Tecnologias Assistivas já produzidas para Pessoas com Deficiência aplicáveis na Educação: https://www.clik.com.br/intelli_01.html

Audiodescrição - 
hhttps://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2009/10/saga-da-audiodescricao-no-brasil.html

Closed Caption - https://pt.wikipedia.org/wiki/Closed_Caption

Inclusão Digital ainda é desafio para o Brasil ( 2017) 
https://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2017/03/03/inclusao-digital-ainda-e-desafio-para-o-brasil.html

INFOATIVO DEFNET 4394 - abril de 2010

Referências bibliográficas -

'Para além das exclusões: por uma Sociedade da Informação rumo à Sociedade do Conhecimento e das Diferenças' - 
Jorge Márcio Pereira de Andrade, In "Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiências - Shirley Silva e Marly Vizim (orgs.) - Editora Mercado de Letras &ALB (Associação de Leitura do Brasil), Campinas, 2003.

Tecnologia Educacional - política,história e propostas - Edith Litwin - Editora Artes Médicas - Porto Alegre - RS - 1997.

LEIAM TAMBÉM NO BLOG - 
ROBÔS, POLÍTICA E DEFICIÊNCIA 
http://sinfoativodefnet.blogspot.com.br/2012/07/robos-politica-e-deficiencia.html

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O APRENDIZADO DO DESASTRE - O hai di ti é em qualquer lugar,,,

Imagem publicada: Uma da série de fotos tiradas por soldados americanos de prisioneiros do Iraque em Abu Ghraib. O prisioneiro com capuz (Satar Jabar) teve as duas mãos e o pênis amarrados com arame, e seria, segundo notícias, eletrocutado se ele caísse da caixa sobre a qual estava de pé. No momento em que esta foto veio a público, oficiais americanos declararam que o arame não estaria eletrificado. Isto foi negado depois pela pessoa da foto que declarou em uma entrevista que o arame estava eletrificado e estava "acostumado" a levar choques, para não perder todos os equilíbrios. A naturalização e a exibição das imagens pelos soldados tem uma finalidade de desmoralização de suas vítimas, assim como um alerta para todos os que se opuserem às suas técnicas de dominação, sejam políticas, econômicas ou mesmo as militares...

"...Mas países estilhaçados são atraentes para o Banco Mundial também por outra razão: eles acatam as ordens docilmente. Após um evento cataclísmico, os governos habitualmente fazem seja o que for para obter ajuda em dólares — mesmo se isso significa assumir dívidas enormes e concordar com políticas de reformas arrasadoras. E com a população local a lutar para obter abrigo e comida, a organização política contra a privatização pode parecer um luxo inimaginável". ( Naomi Klein - A Ascensão do Capitalismo do Desastre - 2005 )

A afirmação acima é feita por Naomi Klein, uma jornalista canadense, uma mulher inquieta e lúcida que traz, há anos, um pouco de luz às trevas ocultas sob as entranhas do Hipercapitalismo. Ela é autora de um livro de 592 páginas, que desnudam a face obscura de ações de guerras e de intervenções militaristas, em especial dos EUA, em países considerados "com soberania limitada". O Afeganistão, o Timor Leste, e, para um refresco de memória, o devastado HAITI, foram e são exemplos notórios.

Em seu texto a autora, em 2005, já denunciava: "O mesmo se passou no Haiti, a seguir à derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide. Em troca de um empréstimo de US$ 61 milhões, o banco está exigindo "parceria público-privado e governabilidade nos setores da educação e da educação", segundo os documentos do Banco (Mundial - World Bank) — ou seja, companhias privadas passam a administrar as escolas e os hospitais. 

Roger Noriega, ao secretário de Estado Assistente dos EUA para os Negócios do Hemisfério Ocidental, deixou claro que o governo Bush compartilha esses objetivos: "Também encorajaremos que o governo do Haiti avance, no momento apropriado, com a restruturação e a privatização de algumas empresas públicas", disse ele ao American Enterprise Institute em 14 de Abril de 2004".

Mais um desastre se tornou espaço de intervenção globalizada. Mais um povo deverá, no futuro, pagar as contas de todos os 'investimentos' e, quiçá, as ' doações' generosas e indispensáveis para a reconstrução da velha terra queimada, que para esta jornalista é, portanto, uma excelente oportunidade para a aplicação de " A Doutrina do Choque ". Este seu livro tem um sugestivo subtítulo, que utilizo com outras possibilidades: " A Ascensão do Capitalismo do Desastre", já traduzido e nas livrarias brasileiras.

Tomei contato com a pesquisa e ideias dela, que não são infundadas ou mero panfleto anticapitalista, em um vídeo do YouTube onde a aplicação de eletrochoques(ECT), são historicamente lembrados da psiquiatria, de Cerletti e Bini, aos dias de hoje, e são a base sobre a qual, segundo Klein, a CIA elaborou uma teoria sobre o seu uso e aplicação no campo macropolítico. Veja o vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=jKU3jm4sjZE . No Iraque esta 'teoria' foi aplicada em Abu Ghraib.

Transcrevo um trecho do livro que por si só deixará para nós uma reflexão sobre as vítimas do terremoto no Haiti, ou melhor o que será feito desse país devastado e re-colonizado, pois o fura Katrina afetou especialmente um povo negro: "Tragédia em Nova Orleans, 2005. Enquanto o mundo assiste ao flagelo dos moradores com as inundações causadas por tempestades que estouraram os diques da cidade, o economista Milton Friedman apresenta no jornal The Wall Street Journal uma ideia radical. 

Aos 93 anos de idade e com a saúde debilitada, o papa da economia liberal das últimas cinco décadas vislumbrava, naquele desastre, uma oportunidade de ouro para o capitalismo: “A maior parte das escolas de Nova Orleans está em ruínas”, observou. “É uma oportunidade para reformar radicalmente o sistema educacional”. 

Para Friedman, melhor do que gastar uma parte dos bilhões de dólares do dinheiro da reconstrução refazendo e melhorando o sistema escolar público, o governo deveria fornecer vouchers para as famílias, que poderia gastá-los nas instituições privadas. Estas teriam subsídio estatal. A privatização proposta seria não uma solução emergencial, mas uma reforma permanente. A ideia deu certo. Enquanto o conserto dos diques e a reparação da rede elétrica seguiam a passos lentos, o leilão do sistema educacional se tornava realidade em tempo recorde".

Nossos pequenos desastres, nossas vítimas mais próximas nos aproximam dos mais de 200 mil mortos no Haiti. A nossa compreensão do desastre do Outro deveria passar pela visão bioética de pertencimento à mesma Terra. Mas, lentamente, no nosso modo hipermidiático de ser, vamos retirando das manchetes o Haiti e seu povo.

 Lentamente, esqueceremos ou não. Se a terra aqui não fosse tão pluvial e tropical, se a terra tivesse cobrido, não uma pousada a beira mar e casas humildes, mas invadisse a Usina em Angra, talvez agora estivéssemos agradecendo a chegada de mais uma leva de Marines... Dizem por aí que God is a Brazilian?...

Mas ainda há, espero, as revoluções moleculares e a resistência aos neocolonialismos, mesmo os travestidos de humanismo e de generosidade dos mais 'desenvolvidos', e os soterrados e sob controle nos campos de refugiados sobreviventes de Vida Nua ressurgirão dos destroços para assustar e expulsar os neo-invasores de seus territórios. VIVA O HAITI VIVO E LIVRE...

Lá estará, mundialmente, por enquanto, um privilegiado espaço para uma 'extreme makeover", como o programa da ABC, onde 'voluntários' passam por cirurgias e reformas radicais de seus corpos, que modificam plasticamente esses sujeitos e depois os devolvem para uma família, amigos e telespectadores maravilhados com a mudança de seu visual fashion... Aparentemente é tudo de graça, é tudo free..., com as melhores das boas intenções.

Portanto, 'hai di ti' que crê estar em um mundo longe desta possível aplicação de uma reforma radical, por interesses macropolíticos e econômicos, se o seu córrego ou riachinho virar uma inundação... E conheceremos a 'parte social do Capitalismo' tão cara ao encontro de Davos.

Não ficamos chocados com as imagens do Haiti? Qual será nosso aprendizado? Esperamos outros ''choques''?

(jorgemarciopereiradeandrade -Copyright and left ad infinitum, 2021, todos direitos reservados TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

FONTES = indicações de leitura crítica e letramento

 A DOUTRINA DO CHOQUE -  A Ascenção do Capitalismo de Desastre - Naomi Klein, Nova Fronteira, 2006, Rio de Janeiro, RJ.







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OS DESASTRES, OS HAITIS E AS SERRAS NO HIPERCAPITALISMO - https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/01/os-desastres-os-haitis-e-as-serras-no.html 

O HAITI NÃO ERA AQUI - A TERRA QUEIMADA