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terça-feira, 29 de abril de 2014

ENVELHE=SER ou TORNAR-SE, + 1, VELHO?

Imagem publicada – fotografia que fiz de meu pai ao por do sol, em Cambuquira, MG, em contraluz, há muitos, muitos, muitos anos atrás, pois agora, somente agora, aos 104 anos completos, sua silhueta começa a apresentar os chamados sinais físicos do envelhecimento. A sua memória e seu humor continuam os mesmos. Não conhecem esse crepúsculo, que para mim e muitos se antecipa: o não aprender a ser, apenas ao falso aprendizado do conformar-se, ao consumir-se a si próprio.

“A liberdade e a lucidez não servem para grande coisa, se nenhum objetivo nos solicita mais: elas têm um grande valor se ainda somos habitados por projetos. A maior sorte do velho, mais que gozar de boa saúde, é sentir-se que para ele, o mundo ainda está povoado de fins...” (Simone de Beauvoir, A Velhice).

Eu, aqui indagante, conheço um que ainda nutre projetos, romarias e caminhadas, rumo a um Norte de fé e solidariedade. E, se lhe for perguntado se teme as bolhas nas solas dos pés, o frio ou as distâncias, responde lúcido e livre, sem medo, visível, da Dona Morte: “eu ainda não morri”.

Tento seguir na sua trilha existencial, uma vereda imprevisível e sempre tortuosa, vencendo montanhas de temores ou amores, entretanto, uma pergunta me assombra nos tempos atuais: Envelhe=ser ou Tornar-se Velho? Essa inevitável pergunta me acompanha há alguns dias. Hoje me ficou mais próxima e íntima, mais intensa com esse aniversário de meu pai centenário. Um espelho vivo e intenso no qual tento me admirar.

A filósofa que cito, Simone de Beauvoir já me trouxe, há muito tempo, a revelação de que: Mulher não se nasce, Torna-se Mulher... E, usando e abusando dessa interpretação do feminino, reflui para o questionamento acima apresentado. Tornamo-nos apenas velhos? Velhos saudáveis sem projetos?

Repasso-lhes, sem respostas definitivas, a indagação: vamo-nos tornar apenas ‘velhos’, eternamente rejuvenescidos? Obsoletos? Asilados ou Exilados? Antigos ou “artigos científicos” de engenharia genética sem éticas que nos prometem a imortalidade ou a perfeição? Ou seremos, bioéticamente, os que querem re-nascer aprendendo a morrer?

Somos todos seres em processo, biológico e humano, em um processo vital chamado de envelhecimento. Nascemos já mortos. Nascemos já imperfeitos e na incompletude de nos sabermos mortais, finitos. Essa finitude nos leva a buscar asilo e abrigo na defesa inconsciente de uma eterna juventude.

Abrigamo-nos sob as asas obscuras da nossa própria obscenidade, nossos fins como obsoletos. Tudo muda com o tempo. Tudo se esvai. Somos, todos e todas, dispensáveis, quiçá, como diz Baumann, somos hodiernamente descartáveis. Poderíamos, ao menos, sermos, no futuro, corpos recicláveis?

Entretanto, quando nos defrontamos com nossos próprios estreitamentos daquela vereda e trilha existencial, o horizonte, que só era para os Outros, se torna mais próximo. Mais visível na estrada aberta em processo de fechamento, de sol poente. Um crepúsculo existencial, hora de chegada que também é uma partida, como disse Milton Nascimento. Um trem ou um treco?

Se formos, mineiramente, como meu ‘velho’, atrás da linha, atrás das Marias Fumaças, em cada estação, em cada parada, levando nossos sentimentos- locomotivas, nossos devires. Encontramos novas linhas, novas fugas, novos túneis. Ao fim deles sempre houve uma curva nas minhas serras geraes. Aos nossos fins também gostaríamos de saber quem e o que nos esperará na plataforma das próximas e insondáveis Estações.

O QUE CHAMAMOS, então, de VELHO, ao nos sentirmos assim?

Aquele jeans que já lavamos diversas vezes? Contraditoriamente, como a vida, a sua cor desbotada torna-se por isso mesmo o símbolo de juventude e, como antigamente, a roupa mais ‘cara’, como sentido de desejada. Já foram até artigo de luxo ou classificação. Hoje, dentro do modo shopping de ser, se tornam mais caros ainda se forem a farrapos. Como alguns seres humanos, hora depreciados como velhos e usados, hora inflacionados como moda.

Aquele que caminha sobre as três patas, interrogando-se sobre o Enigma da Esfinge, é o jovem ou o velho, o que decifra ou que é antecipadamente morto? Ambos acabam usando o cajado, a bengala, o suporte ou a morte. O seu entardecer vital já visível, sobre um apoio extra para sua caminhada, vira um símbolo da sua dependência, tanto para a marcha como do mundo, para uma posição curvada que o torna menos nobre, menos desejável? Não poderia tornar-se uma alavanca?

Ao completar os 60 anos? A idade que nos permitirá algumas ‘regalias’ ou ‘aposentadorias’? Aquele momento de encanecimento das mechas de nossos cabelos, pele e pelos, dos mais visíveis aos mais íntimos? Há, porém aqueles que nos dizem ser a melhor idade, o momento do sentir-se sábio, experiente e com a vida dos que só descansam, mesmo que o dia inteiro de pijamas?

Entretanto, pelas minhas vivências mais próximas e familiares venho aprendendo a desaprender esses conceitos eivados de preconceitos, de mitos e de falácias. O meu próprio pai, aqui lembrado e homenageado, com o texto e a poesia que segue, ultrapassa amanhã, no dia 30, os 104 anos. Ultrapassa muito mais ainda por continuar sendo querido, respeitado e amado.

E, para os que ainda lhe perturbam, como os médicos e as medicinas, ele diz, bem humorado: -“amanhã, vou ao consultório e luto boxe com eles... e verão como ainda estou forte”. Prova não de vigor físico, mas de sua outra força: o humor, bom e gozado, que não deveríamos jamais esquecer ou perder. Com certeza, hoje com os seus 104 anos já tem outros diálogos com a Vida e com a Dona Morte.

Quem sabe já encontrou algumas das suas quase respostas. Eu, aqui, buscador de novas veredas, cartografias e afetos, tento me/nos alertar ou alegrar com poesia e arte.

ENVELHE-SER

SERÁ APENAS VERBO, RIMA, DESFECHO,
SABÊ-LO É UMA SINA?
VERBO QUE PODE SE CONJUGAR, RIMAR OU TER DESCOMPASSO
COM O NASCER...! OU, COM ANGÚSTIA, APENAS SER...
 EM MOMENTOS DE LUCIDEZ FERINA QUE FERE,
ENQUANTO A MUITOS SUBJUGA,
EM OUTROSMOMENTOS, OUTRAS ÁGUAS LÚCIDAS,
ATORMENTA.

QUEM SABE E ESPICHA PARA ALÉM DO CORPO,
MUITO POUCOS AINDA ÁVIDOS, MESMO QUE JÁ PERDIDOS,
OUTRAS BÚSSOLAS, OUTROS NORTES, OUTRAS SORTES,
ORIENTA-LHES O PERDER-SE PARA VIVER...
EM-VELHO-SER

UM DITO ANTIGO E BEM DITO
QUIÇÁ EPICÚRICO E NÃO DE CIANURETO,
A CADA RUGA, A CADA UMA DAS RUSGAS,
INSISTE E RE-EXISTE, TEIMA E APRENDE,
A CADA GESTO MAIS LENTO,
NAQUILO QUE PERDE DE MEMÓRIA E MOVIMENTO,
A LEMBRANÇA DO ÁGIL, DO RÁPIDO E FORTE,
TORNAM-SE APENAS PROVOCAÇÃO...

REAPRENDER É SEMPRE IMPRECISO,
NÃO BASTA NAVEGAR, CARO POETA,
OS HERÓIS ARGONAUTAS, OS DESTEMIDOS,
AGORA GERÔNTICOS, SÓ APRENDEM, NESSAS ÁGUAS,
QUAIS INICIANTES, COMO SEUS DISCÍPULOS,
QUE SEU NORTE AGORA É DA DONA MORTE...

E, COMO A AREIA NÃO CESSARÁ SEU DESPERDÍCIO,
É HORA DE NÃO SE INCOMODAR, NEM DE SUPLÍCIO,
CONTINUA, CAMINHA, NAVEGA, SE PERDE
 E APRENDE, APRENDE
QUE SÓ SENTE, MENOS SOZINHO,
QUANDO A MÃO QUE É PRÓPRIA LHE ASSEGURA,
MAS QUE TAMBÉM SERÃO AS MÃOS ALHEIAS,
MESMO QUE DESBOTADAS, OU ATÉ FERIDAS,
QUE O REAFIRMAM,
COMO CORPO, COMO CARTOGRAFIA,
COMO DEVIR, O SEU INVISÍVEL CORPO, SÓ SEU QUE É NOSSO,
E DO PRÓXIMOPORQUEMPASSO,
 O PRÓXIMO QUE NÃO SOU EU...

E A SUA MIRADA AGORA VOLTADA PARA O FUTURO,
MIOPEMENTE, MIRAGEM QUE NECESSITAMOS,
ENXERGA, PREFERIVELMENTE LONGE, UMA FIGURA,
UMA SOMBRA, QUEM SABE UMA ASSOMBRAÇÃO
PARA OS ASSUSTADOS E TEMOROSOS,
MAS NÃO MAIS QUE DESATINO, NEM MESMO DESTINO,
PARA OS QUE NA POPA, NÃO NA PROA,
DESSE NAVIO, DESSA NAU DOS SEMPREMENINOS,
AQUELES, NÃO OS AQUILES, MAS SIM OS POR ELE DESAFIADOS,
NESSE COMBATE CONTRA ONDAS E HORDAS,
PARA OS SEMPREMENINOS,
EMBORA AGORA SABIAMENTE ENVELHECIDOS,
NEM SEMPRE AS SOMBRAS SÃO DA DONA MORTE...

COMO OS MARINHEIROS DE MUITOS PORTOS,
DE MUITAS SORTES, ENCARAM, ARREGANHAM OS DENTES,
MERGULHAM NO NOVO VASTO E INCÓGNITO OCEANO...

POR ISSO NÃO TEMO, NÃO TEMEREMOS,
ASSIM IMPRUDENTES NOS LANÇAR DENTRO DESSE REDEMOINHO...
ENVELHE/SER
ESMAE/SER
A NOITE/SER

CONVITE IRRECUSÁVEL DO HOLANDÊS E SEU TRIGAL,
PARA ESSAS TRÊS PINCELADAS INTENSAS,
N0 ONÍRICO TEMPO DO QUAL E AO QUAL PERTENÇO,
SEM ENSAIOS OU ANTEVISTOS,
ESSE NOVO ANTIGO QUADRO PINTO E FOTOGRAFO,
TRATO E RETRATO O ESMAECIDO,
PARA VIVER COMO NA TELA DAQUELA NOITE TÃO ESTRELADA,
UMA SÉRIE DE AZUIS CIRCUNSCRITOS, NOSSSOS CREPÚSCULOS,
NOSSAS MEMÓRIAS DAQUELES REDEMOINHOS,
SEM NENHUM BRILHO OPACO...

QUANDO DIANTE DESTE VAN GOGH ESTARRECIDO
IDENTIFICO-ME, E MOLECULAR EU FICO,
VEJO DE NOVO, SEMPRE O NOVO, O MOMENTO,
EIS A INTENSA IDADE QUE ME PROJETO,
UM ANOITECER RENOVADO, SABIAMENTE TECIDO,
MESMO QUE SOBRE UMA TELA OU PAPEL ENVELHECIDOS,
É O QUE SE DESENHA E SE MISTURA COM AS PRÓPRIAS TINTAS,
SUPOSTAS LINHAS, SUPOSTOS FIOS, SUPOSTAS TRILHAS...

TAMBÉM SUPOSTOS ENLOUQUECIDOS,
OS QUE ENVEREDAM E SE EMBRIAGAM COM O PRÓPRIO NÉCTAR,
LUTAM E RE-EXISTEM À SUA PRÓPRIA VERVE,
ALMA PICTÓRICA, DE HORIZONTES SOLITÁRIOS,
DE CORVOS QUE SOBREVOAM NOSSOS TRIGAIS,
ONDE DEVERIA ESTAR EM REPOUSO, AS AVES NÃO FÊNIX,
PELA SUA FORÇA DE FOGO E IMPRESSÃO DELE,
SEMPRE RESSUSCITA, MESMO QUE SUICIDADO,
SEMPRE RENASCE, MESMO QUE MAL-DITO...
PARA UM DIA, UM DIA AINDA NÃO PRESCRITO...

AÍ, SENDO COMO SOMOS, SÓS, SOLITÁRIOS,
 NÃO MAIS FINITOS,
SÓ MÁQUINAS OU ROBÔS SEM MIRAGENS E SONHOS,
ESTAR SÓS NOS ADMIRANDO, FEITO NARCISOS,
NO VASTO LAGO, APAIXONADOS, MOUCOS E SEM ECOS,
A MORRER DO PRÓPRIO ENVELHE/SER...
EM MIM, EM TI INDAGO:
SOMOS APENAS DURAÇÃO OU DURÁVEL-IDADE...?
(jorgemarciopereiradeandrade e ciailimitada)

Copyright e left – jorgemarciopereiradeandrade (favor citar o autor e as fontes em republicações infinitas na Internet, com seu Marco Civil, e em outros meios de comunicação para e com as massas. todos direitos reservados 2025 ,,,)

LEITURAS QUE NÃO ENVELHECEM:

A VELHICE – Simone de Beauvoir, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ, 1990.
UMA MORTE MUITO SUAVE – Simone de Beauvoir, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ, 1984.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG:

POR UMA MEDICINA QUE ENVELHEÇA COM DIGNIDADE

O MUNDO ENVELHECE, AS INJUSTIÇAS AINDA PERSISTEM, E, ENTRETANTOS, MEU PAI FAZ 102 ANOS...



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DEFICIÊNCIAS, MEMÓRIA E ENVELHECIMENTO – Qual é o nosso futuro?

Imagem publicada – uma fotografia colorida, que foi tirada com apoio e ajuda de uma jovem de 12 anos, minha filha, feita em plena manifestação de Junho de 2013, em uma Avenida de Campinas, onde vemos sentada, em primeiro plano, uma senhora, negra, segurando duas muletas, sentada no ponto de ônibus, tendo atrás dela, em pé e na rua, diversos jovens, em destaque uma jovem de costas com a bandeira do Brasil enrolada no corpo. Fiz essa foto para me lembrar do que poderia ser, além dos vinte centavos, outro motivo digno de manifestações ou de revoltas das multidões: o ‘esquecimento’ de nossos velhos, dos que estão sentados em outros bancos, principalmente de hospitais ou filas da Previdência. Esperando, esperando o futuro que passa, vestido de nacionalismos, cartazes que passam e rebelião popular que se esquece. Esquece de dirigir seu olhar e respeito para com esta que poderá vir a ser a sua própria imagem, um retrato que ainda está em seu devir...(fotografia de meu arquivo pessoal).

“...A memória dos velhos desdobra e alarga de tal maneira os horizontes da cultura e faz crescer junto com ela o pesquisador e a sociedade onde ele se insere.... Se alguém colhe um grande ramalhete de narrativas orais, tem pouca coisa nas mãos. Uma história de vida não é feita para ser arquivada ou guardada numa gaveta como coisa, mas existe para transformar a cidade onde ela floresceu. A pedra de toque é a leitura crítica a interpretação fiel, a busca do significado, que transcende aquela biografia: é o nosso trabalho e muito belo seria dizer, a nossa luta”. (Bosi, 2003a, p. 69)

Hoje, mais um dia de me lembrar, eis a memória, das minhas dores físicas. Elas se tornaram fiéis escudeiras do meu viver? Acho que sim, mas me fazem também refletir sobre uma encruzilhada na qual se encontram três “entidades”, ou melhor, acontecimentos existenciais: nossas deficiências, a nossa memória e o nosso envelhecimento.

Como diz, humildemente, Eclea Bosi, no texto de abertura, as nossas histórias de vida não são feitas para os arquivos, para o mofo ou o esquecimento, aí significando o abandono ou desprezo. Nossas histórias merecem outro cuidado diante dessa encruzilhada que o mundo nos apresenta, principalmente por sua lógica do descarte e do consumo.

Ouvimos, falamos, repetimos e naturalizamos a previsão e o agouro de que todos nós nos tornamos pessoas com deficiência, no futuro. Nesse momento, pela óptica biomédica, estamos ainda “com saúde”. Ideal e econômicamente saudáveis, como nas propagandas dos planos de 'saúde'.

Porém o que temos de refletir é como isso poderá ser modificado. Nossa atual concepção/paradigma de uma deficiência depende totalmente  do meio no qual se produzem as barreiras, os preconceitos e as limitações que levam um ser humano às denominadas situações de deficiência. É o novo paradigma social que muda nossos velhos conceitos sobre ser, estar e ficar com uma deficiência.

Não nascemos já com algumas "deficiências"? SIM, não nascemos na perfeição, no modelo eugênico e ideal, além de racista, de seres sem nenhuma mácula, defeito, imperfeição, falha, incapacidade ou qualquer estigma. Somos, desde sempre, quiçá para o futuro, os “portadores da vida imperfeita”. Apenas humanos, demasiadamente humanos. E também "portadores da transitoriedade e da finitude".

Hoje muitos estarão falando dos “velhos”. Senhores e senhoras. Os que recebem nessa data uma comemoração internacional. Um momento de lhes assegurar seu Estatuto e suas questões de vida e sobrevivência fundamentadas pelos direitos humanos. Porém, não lhes daremos nosso espelhamento e nossa re-visão crítica, aquela que a Ecléa nos pede e ensina. Nosso espelho do futuro está coberto?

Precisamos de outro e novo olhar para aquilo e aqueles que denominamos “velhos”. Prefiro como sempre disse usar o termo “antigo” para me referir ao que muitos dizem ser nossa Terceira Idade, nosso fim e terminalidade. Vejo aí sempre aquele olhar que se reproduz no símbolo que está nos estacionamentos, metrôs e outros espaços públicos onde passamos a ser a prioridade apenas com uma bengala. Curvados pelo Tempo.

Todos terão, como eu, de usar apoios ou meios de locomoção que são também símbolos significantes do nosso desgaste físico corporal. Serão todos corpos com o significante permanente da perda, do passado sem futuro, da história a ser esquecida? Não, temos de buscar essa encruzilhada e conversarmos cara a cara com a Memória, essa amiga próxima e íntima da Dona Morte.

E é a Dona Morte que nos assusta que muitas vezes nos rouba o que chamamos de memória. A memória mais roubada é a dos fatos recentes, a que chamamos de anterógrada. Porém, nessa óptica apenas neuropsíquica, o que mais temos temor de perda são as memórias do passado. Já que as cultivamos, como uma flor destinada a murchar, as nossas lembranças, nossos velhos retratos, nossas antigas músicas e amores. Principalmente os amores regados com a nova suavidade dos encontros alegres.

Por isso hoje temos de rever esses conceitos naturalizados sobre uma época do viver que todos e todas temos de viver: o tornar-se idoso. Na nossa sociedade, ainda é regida pelo Estado do Bem Estar e da Saúde Eterna, continuamos na busca alquímica da “fonte da juventude”. Simbolizamos aí o nosso temor/terror da pele enrugada, dos movimentos lentos, das falhas e lapsos da memória, dos conflitos transgeracionais, e, “naturalmente”, nos tornarmos os “rabugentos”.

Uma mão com sua pele encarquilhada, com suas veias mais visíveis, com sua motricidade fina diminuída, com a lentificação dos movimentos, independentemente, do poder segurar um pincel e repintar, finamente, a própria imagem, hoje, pelas novas tecnologias, não encontrará nenhuma barreira se as puder utilizar sem barreiras. Porém o tornar-se mais um na deficiência está acompanhado, quase sempre, de uma probabilidade de não acesso a estes recursos ou tecnologias assistivas.

O pensar o nosso, o seu, o meu e o de todos, envelhecer em uma sociedade de vidas descartáveis é uma reflexão indispensável. Ou melhor, deve ser pensável e imprescindível. As vulnerações, ou seja, a produção de novas vulnerabilidades, em tempos de incertezas, desde o macropolítico até ao micropolítico, nos apresenta outra encruzilhada: - o aumento de nossas expectativas de vida, com ele o aumento das ‘deficiências’ dos sistemas de proteção social e previdenciária, e, inevitavelmente, o incremento de barreiras que propiciem mais marginalização e/ou exclusão social.

Portanto, ainda estamos nessa busca de qualificar quem, que mecanismos, que lógicas e que políticas tem produzido os mitos que cercam essa tal ‘feliz idade’. Os mitos que as colocam como beneficiárias e não como agentes da mudança de suas vidas. Presas fáceis dos modelos reabilitadores e biomédicos e suas mitificações, quase religiosas ou milagrosas. O mito de uma vida de eterna juventude.

Reforçam-se aí os mitos quando estes 'velhos' são excluídos do mercado de trabalho, com sua retirada para os aposentos domésticos. Os mitos que as convertem e novos e dependentes endividados dos empréstimos bancários especiais para estes aposentados. E, finalmente, os mitos, reforçados pelos ideais de Saúde plena, com sua re-habilitação  que se torna exclusivamente dependente dos avanços da medicina e das biotecnologias. Ficam, então, reféns da visão de que realmente estão mais próximos da Dona Morte do que da Vida.

É este o futuro que desejamos? É este o futuro que estamos providenciando e produzindo? Um duro e não harmônico futuro. Não aprendemos, ainda,  ir em busca da velha tradição oral? Que tal reaprendermos a escutar atentamente os nossos “velhos”.  Enfim, para uma escuta sensível e não como uma escuta que reforce nossos preconceitos ou mitos sobre o envelhecer.

Eu, aqui, como já disse no início, continuarei meu aprendizado, embora árduo, do conviver com um corpo que não é mais o dos “vinte anos”. E não usarei o vinho ou outros componentes que nos embriagam com a ideia fantasiosa de que “quanto mais velho, melhor”. Este é outro mito a ser superado. Só somos melhores quando nossas qualidades do viver também o são. Quando a vida é digna e os direitos não são só de papel.

Eis, então, a questão: mudaremos nossos paradigmas sobre as deficiências, as memórias e os diferentes, diversos, plurais e humanos envelhecimentos? Um belo fim para alguns pode ser diferente do que outras pessoas, nas suas diferenças, desejem e aspirem para seu futuro. O que podemos, então, a elas, humanas, demasiadamente humanas, dizer sobre o futuro?

Não tenho a sua resposta, não tenho mais que a permanência na dúvida e na indagação, estas que fazem com que supere quaisquer das minhas atuais limitações. São as mesmas que fazem que eu queira ter direito ao meu Testamento Vital. As mesmas que me impedem do afundar ou desaparecer dentro das areias movediças das certezas científicas ou dos dogmas religiosos.

Enfim, para não prolongar o texto, apenas para lembrar este contexto, esta crônica de uma comemoração do Dia Internacional do Idoso, desejo que nossos corpos, corações e mentes, não perdendo a paixão e o vigor, busquem, individual ou coletivamente, uma nova visão micropolítica e cartográfica do viver, mesmo com os limites, sem pedidos de complacência ou desejos de retorno ao suposto nirvana dos úteros maternos.

Não deixemos apagar a Memória. Principalmente aquela que exige um respeito e reaprendizagem: a da nossa História. A mesma, ouvida dos velhos, sobre as nossas naturalizações e banalizações das violências, das vulnerações e nossa capacidade de destruir, em segundos, o que levamos séculos para produzir, construir, arquitetar e transformar em beleza.

Avancemos, com dignidade e luta, para os braços da Dona Morte, com a certeza de escrevemos, conjuntamente, outra história sobre o viver e o Super-viver, não apenas o sobreviver. E os de mais idade, mais tempo cronológico e biológico, estarão entre nós...

E deixaremos envelhecidas memórias, um tanto ‘deficientes’, mas não escondidas nas gavetas de “velhas escrivaninhas” neo-tecnológicas chamadas de computadores.

Eu, solidariamente, estarei mais velho quando o meu pai fizer os seus 104, 105 e 106 anos...

Copyright/left – jorgemarciopereiradeandrade 2013/futuro (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet e outros meios de comunicação de massa TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

LEITURAS CRÍTICAS INDICADAS –

Memória e sociedade: lembranças de velhos. Ecléia Bosi, São Paulo: Companhia das Letras. (1994 – um texto sempre renovador e implicado com a vida, sem temor da finitude).

Bosi, E. (2003). O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê EditoriaI.

SOBRE O DIA INTERNACIONAL DO IDOSO - Dia Internacional do Idoso comemora expectativa de vida na terceira idade https://www.jornalnanet.com.br/noticias/7520/dia-internacional-do-idoso-comemora-expectativa-de-vida-na-terceira-idade

Notícia acrescentada em 2015 - Vivemos mais mas isso não quer dizer que sejamos mais saudáveis (diz a OMS) https://www.noticiasaominuto.com/mundo/461954/vivemos-mais-mas-isso-nao-quer-dizer-que-sejamos-mais-saudaveis

LEIA TAMBÉM NO BLOG –


AOS 103 ANOS AINDA SE APRENDE ALGUMA COISA? 

O MUNDO ENVELHECE, AS INJUSTIÇAS AINDA PERSISTE,E, ENTRETANTOS, O MEU PAI FAZ 102 ANOS - https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/04/o-mundo-envelhece-as-injusticas-ainda.html


A MÁQUINA DA EMPATIA - INCLUINDO A REINVENÇÃO DO OUTRO - https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/12/maquina-da-empatia-incluindo-reinvencao.html

MOVIMENTOS, MASSAS, MANIFESTOS E HISTÓRIA: POR UMA MICROPOLÍTICA AMOROSA, URGENTE! https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/06/movimentos-massas-manifestos-e-historia.html

ENVELHE=SER OU TORNAR-SE, + 1, VELHO? 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2014/04/envelheser-ou-tornar-se-1-velho.html

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O MUNDO ENVELHECE, AS INJUSTIÇAS AINDA PERSISTEM, E, ENTRETANTOS, MEU PAI FAZ 102 ANOS...


Imagem publicada – uma foto colorida que tirei lá em Minas Gerais, na minha terra natal, Cambuquira, onde se vê um vasto céu azul ao fundo, com árvores em segundo plano, todas vicejando e verdes-vivas, no primeiro plano aparecem, em destaque no céu, galhos secos e velhos que fazem parte de um árvore-envelhecida. Um detalhe nos chama atenção que é a casa de barro de um pássaro: o João de barro. É, nesses aparentes galhos que se lançam ao céu como veias e artérias, que o passarinho encontrou seu melhor abrigo e futuro protegido, e lá permanecerá até que a velha árvore caia...

“A vida é uma viagem experimental, feita involuntariamente. É uma viagem do espírito através da matéria, e como é o espírito que viaja, é nele que se vive. Há, por isso, almas contemplativas que têm vivido mais intensa, mais extensa, mais tumultuariamente do que outras que têm vivido externas. O resultado é tudo. O que sentiu foi o que se viveu...” (Fernando Pessoa através Bernardo Soares)

Estamos cansados de nossas dores? E das dores do mundo também? Qual será nossa pro-cura?

HÁ TEMPOS EM QUE SONHAMOS COM OUTRO MUNDO, OUTRA NÃO FINITUDE DA VIDA.Eis que aquela Senhora Dona Morte nos incomoda e nos toma por inteiro. Eu aqui Outro Pessoanamente dessassossegado, por mais que lhe escreva novas cartas de-vidas, ela continua ainda sem me dar as respostas definitivas. E sinto que os anos da velhice já se anunciam.

O mundo esta envelhecendo. A notícia de que me 2050 teremos muito mais pessoas idosas do que jovens me preocupa. A minha atual situação me faz pensar na transitoriedade e no fim de todos e todas.Porém há um aviso que vem junto com esta constatação da OMS: teremos triplicado também o número de idosos com demências.

Segundo a especialista: "Minha mensagem é que o envelhecimento da população é algo que deve ser abordado. Há uma mudança dramática que atingirá tanto o mundo em desenvolvimento como o desenvolvido", disse Somnath Chatterji, coordenadora do estudo Global sobre o Envelhecimento e a Saúde Adulta da Organização Mundial da Saúde (OMS.

Escrevi no texto anterior sobre a necessidade de mantermos a presença do que chamamos de nossa Mente quando se decidir sobre a anencefalia. A expectativa que me causa medo agora, quiçá até certo pânico, é essa trágica perda de contato com o mundo, mesmo que envelhecido, para os que vivenciarão este prognóstico demenciador.

Como não temer esse futuro? Talvez eu não tenha as respostas para nossos tremores e temores. As respostas sempre são múltiplas e plurais. Porém, posso tentar lhes avisar sobre algumas reflexões que já foram feitas por quem estudou e analisou essas psicologias do viver e do morrer.

Há em todos e todas as criaturas com Vida um temor ou medo da Morte e do Morrer. Eu já experimentei esse fel, ou melhor, esse doce veneno.
Principalmente quando tenho de enfrentar situações onde a injustiça ou negação de seu acesso esteve presente. Eis um estímulo final para a gota que enche o copo que já estava cheio de depressão.

Há sempre os que se supõem capazes, especialistas ou dotados de poder, que se sentem nesse lugar supremo. Os que podem mudar as leis sobre a aposentadoria, os que podem cassar e reduzir o tempo de alguns que desejam sair da vida laborativa, os que doutos se sentem para instituir o que eles próprios nunca vivenciarão: asilos, isolamentos, pauperização ou mesmo a morte solitária.

Há, então, que repensar nossos desejos de fazê-los apenas “nossos velhos”. Como no texto anterior, lembrando-se de Narayama, ainda temos de derrotar nossos preconceitos e estigmas sobre a velhice. Vivenciamos no atual modelo de vida sócio-político e jurídico, o risco de nos tornarmos uma Sociedade que pratica e praticará o “gerontocídio”.

Os que se vestem de fardas, togas ou ternos pretendentes a um lugar de eterna autoridade podem ainda causar muitos estragos nesse processo do envelhecimento da Gaia. Assim como dos nossos idosos, ou melhor, todos e todas nós...

São os que ocupam papéis de decisão sobre os rios, as matas, os bichos, os índios, as florestas, incluindo aí dos os dilemas bioéticos do nascer ao morrer da Vida. Estão, como se não fossem envelhecer, lá Câmara, no Palácio, no Senado ou nos seus supremos assentos...

Porém esses senhores e senhoras também estão envelhecendo. E, recentemente, o mundo pode assistir com uma Dama de Ferro, inglesa, após sua senectude pronunciada pode tornar-se pateticamente mais uma pessoa demenciada. Há e haverá muitas Margareths ainda na História esse mundo que caminha com passos largos para sua própria devastação.

Poderá a Terra também tornar-se “demente”? Sim e ainda poderá apresentar algumas convulsões, algumas formas estranhas de tique, e, principalmente, voltar-se para a barbárie aceitando as falsas falas de extremistas de direita como Breivik, lá na Noruega.

Tivemos esses dias mais um DIA DA TERRA. Acho que a maioria do mundo nem se mexeu na direção de sua real comemoração: a sua redenção e urgente salvamento. Esquecida a data mundial a cada dia temos mais Sírias a resolver. Temos mais malárias a combater, e a tuberculose agora é um “privilégio” de quem depende do Crack, no presente de seu aniversário. Por aqui os ruralistas e os seus interesses irão destruir mananciais.

A Terra pode realizar os filmes futuristas de devastação, solidão, medo, isolamento e completar seu desfecho abraçando-se com a Dona Morte. Ou, então, reproduzir o que a propaganda da TV já naturaliza quando, saturada, ela nos “espirra” e lança no espaço todos os seus habitantes humanos.

Mas ainda podemos crer como dizia Erich Fromm em uma ‘’revolução da esperança’’. Aliás, essa palavra já foi até associada a uma de nossas mais brasileiras maneiras de ser e sonhar. Este psicanalista, ao vivenciar a crise mundial de 1968, já apontava o nosso risco de mecanização do viver e as tecnocracias tornando-se mais forte que a esperança.

Entretanto, ele acreditava que em um renascimento do humanismo e fazia um apelo à ação grupal. Ele interrogava: “De que maneira o homem, no auge da sua vitória sobre a natureza, torna-se prisioneiro de sua própria criação e corre sério perigo de se destruir?”.

Tentando, com olhar voltado para mim mesmo, responder a sua indagação é que retornei à foto e ao dia em que a tirei. Ela é um pedaço da terra onde até hoje meu pai insiste em plantar e colher. Um homem rural que não se tornou nunca um ruralista, muito mais um fervoroso aprendiz do meio ambiente.

Ele, que agora no dia 30 de abril, completa os seus 102 (cento e dois) ANOS. O meu querido Arnaldo sempre foi um homem do mato. Ele é que levava pelas estradas que nos conduzem ao respeito à Terra, a terra e seus mananciais. Com ele aprendi serenamente a observar como semear e como tentar colher. Ele já tinha um código de ética com as florestas...

A ele estarei rendendo todas as minhas homenagens possíveis. Ele me revelou como é preciso ser “camarada” e “velho companheiro” da nossa uterina mãe Gaia. Talvez, quem sabe, este velho romeiro e caminhante tenha me trazido os primeiros ensinamentos ecosóficos. Ainda que não tivesse todos os saberes, os mesmos que me proporcionou com seu trabalho e as mãos calejadas na roça.

Aos filhos, fazendo coro com minha mãe, só um grande legado e herança: o conhecimento. Esta seria talvez uma das saídas para responder ao que indagamos. Sair de um modelo e paradigma tecnocrático e desumanizador para um novo paradigma ético, estético e político como queria Guattari.

O psicanalista também interrogava como podemos estar produzindo pessoas doentes para que possamos ter uma economia sadia. Eis que, cada dia mais, o hipercapitalismo se locupleta com as desgraças, as epidemias e os sofrimentos dos desfiliados e excluídos.

O mundo envelhece, as injustiças persistem, mas há lá em Minas um senhor com 102, caminhando para os 103 anos, que olha ainda com ternura para o futuro de seus bisnetos.

Lembrei-me de meu pai com a matéria sobre o hindu que correu uma MARATONA em 08 horas. O meu velho já caminhou muitas maratonas em sua forma humilde e mansa, sempre com uma fé incomensurável, nas milhares de romarias a pé até Aparecida do Norte, cruzando a Serra da Mantiqueira. Invejo e respeito seu fervor que supera quaisquer dores ou cansaços em nome de sua fé na Vida e nos Homens.

Como então levar um pouco desse senhor idoso para o coração e as mentes daqueles que se negam a reconhecer seu próprio envelhecimento das ideias, das emoções e de seus saberes?

A ELE DEDICO ESTE TEXTO-ESPERANÇA na crença de que muitas revoluções moleculares ainda se darão, e os nossos devir-criança nos trarão de volta o prazer de pisar na terra, no chão e nele cultivar o desejo de um OUTRO MUNDO, sem a negação da diversidade, da diferença e da multiplicidade dos seres humanos. Comecemos cuidando de todas as nossas cachoeiras e das águas que turvamos e poluímos.

Ao envelhecimento e ao processo de “alzheimerização” previsto pela OMS, desejo que possamos ter muito mais Arnaldos do que Anas. Explico, é que minha mãe vivenciou, assim como nós seus amados, a experiência do Alzheimer. Digo sempre que me encontro na encruzilhada genética destes dois seres humanos, muitas vezes caminhando mais para a direção de minha mãe. Entre a longevidade com saúde e a morte precoce com uma demência.

Decorre daí o temor de nossos futuros demenciados. Não podemos perder a esperança de outras formas de viver e super-viver. Temos de ser futuristas, porém, com um olhar e sentimento bioético para com a sua, a nossa e a VIDA DA TERRA.

E, hoje, novamente eufóricos, podemos anunciar uma revolução gerada pelas ciências, vinda lá de Portugal: “Uma equipe de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através do seu Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), produziu uma molécula única - PiB (composto B de Pittsburgh) – que possibilita a detecção da doença de Alzheimer antes de os sintomas clínicos se revelarem, permitindo ainda distinguir esta patologia de outras formas de demência..;”

O futuro dependerá, então, de nossa mais profunda e radical revolução. Continuaremos mortais, nossas mentes-cérebros poderão demenciar, nossos corpos tornar-se-ão ciborgues, nossos corações podem vir a ser pura lata ou platina, mas podemos, apesar de tudo e todos, manter um pouco de sabedoria dos nossos velhos.

E que venha o Futuro, pois um século e dois anos o meu pai já VIVEU: intensa e amorosamente.

O mundo pode renascer! A Justiça tornar-se justa e equânime. E o meu pai terá feito parte do meu legado de sabedoria a deixar como semente.


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Notícias citadas da Internet –

Organização Mundial de Saúde- Demência afeta 35,6 milhões e triplicará até 2050
https://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2413153&seccao=Sa%FAde

Em 14 anos, São Paulo terá mais idosos que crianças https://www.estadao.com.br/noticias/cidades,em-14-anos-sao-paulo-tera-mais-idosos-que-criancas,533252,0.htm

Em 2050, mundo terá mais idosos que crianças https://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI1543102-EI294,00-Em+mundo+tera+mais+idosos+que+criancas.html

Universidade de Coimbra produz molécula para detecção precoce da doença de Alzheimer https://www.rcmpharma.com/actualidade/id/23-04-12/universidade-de-coimbra-produz-molecula-para-deteccao-precoce-da-doenca-de-a

Homem de 100 anos completa maratona
https://www.jn.pt/VivaMais/Interior.aspx?content_id=2061898
LIVROS para reflexão e crítica –

LIVRO DO DESASSOSSSEGO – Fernando Pessoa, Vol. II, Editora Unicamp, Campinas, SP, 1994)
PSICOLOGIA DA MORTE – Robert Kastenbaum e Ruth Aisenberg, Editora Universidade de São Paulo, São Paulo, SP , 1983.
A REVOLUÇÃO DA ESPERANÇA, por uma tecnologia humanizada – Erich Fromm, Editora Círculo do Livro & Zahar Editores, Rio de Janeiro, RJ,

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QUEM NÃO GOSTARIA DE VIVER 100 ANOS?
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POR QUE AS TECNOLOGIAS NOS AFETAM?
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