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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CIBERATIVISMO - 02 ANOS - Outras Línguas, Outros Sentidos e a busca do OUTRO


Imagem Publicada – um encontro entre o passado e o presente no campo da vida digital. É uma foto tirada na Tailândia onde um monge vestido de sua cor laranja, dialoga com um menino que traz um laptop do programa One Laptop per Child(um computador para cada criança...), de Nicholas Negroponte, tendo outro jovem olhando a cena. O laptop tem a cor verde, e uma manivela que é o meio pelo qual sua bateria interna irá funcionar, demonstrando-se na máquina o reencontro das tecnologias em que o passado ajuda o futuro. É o caminho para a Era da pós-informação, para além da Idade Mídia atual....

–CIBERATIVISMO EM AÇÃO
Edição comemorativa 
dos 02 anos do Blog INFOATIVO DEFNET

CADA HOMEM É, sozinho, 
A casa da humanidade.

Não tenho nada na cabeça

A não ser o céu.

Não tenho sapato
A não ser o passo,
Não faço nada com o passo, 
Só traço a linha do futuro.
E o futuro tem caminho
na UNIMULTIPLICIDADE,
pois cada homem é, sozinho,
A CASA DA HUMANIDADE. (Tom Zé, compositor, Fórum Mundial, março 2001)


Hoje às onze horas e onze minutos, segundo os numerólogos e os matemáticos, uma sincronia de tempo e da vida se realizou. Um dia a mais no calendário? Ou um dia para celebrar a grande e importante descoberta da ‘’liberdade sem fio’’? Ou apenas mais um dia, um dia para que mais de 4.000 chineses busquem afirmar a sorte e se casem jurando o amor eterno?


Eu aqui, usando uma "velha máquina de escrever, agora mais digital do que nunca", ainda com o Windows XP, estou comemorando o que há dois anos atrás se tornou um espaço de vivências, idéias e de minha própria super-vivência. Em 14 de novembro de 2009 foi ao ciberespaço o Blog INFOATIVO.DEFNET.



Estava eu me recuperando de um duplo trauma físico e psíquico. Primeiro tinha feio uma neurocirurgia e implantado 06 parafusos e 02 hastes de titânio dentro de meu corpo. Uma experiência da tentativa de supressão total da dor e da minha marcha prejudicada e claudicante. Já escrevia e publicava, via e-mail, o boletim eletrônico do DefNet. Entretanto, como meus passos e caminhada, ainda era muito pouco neste universo de comunicação e inteligência coletiva. 

Ao vivenciar, no corpo e na mente, a desagradável experiência pós-operatória de ser “largado’’, ou melhor não sustentado apropriadamente, pelos profissionais de saúde de um hospital universitário, descobri como sair desta queda. Novas dores aprendi em 11 de outubro de 2009. As mesmas que hoje busco re-aprender com elas...

Um mês após já tentava encontrar um caminho para resolução de minha imobilização física parcial. Precisava sair e ao mesmo tempo "ficar de cama". Como dar vazão ao mundo de emoções e sentidos que experimentava? Como não interromper meu ativismo na Internet? Como me levantar para além de quaiquer limitações de meu corpo?. 

Eis que uma adaptação de uma mesa dobrável e um laptop (o mesmo que pifou antes da cirurgia, e mais uma vez me deixou na mão estes dias) tornaram-se os meios tecnológicos de redenção de minhas dores físicas. Mas principalmente o melhor antídoto de uma possível depressão ou isolamento. Escrever tornou-se meu melhor remédio.

Hoje após 02 anos de luta e de tratamentos os mais variados ainda sobram muitas dores. Para além delas, hoje o blog já se tornou meu maior espaço de combate e afirmação dos direitos humanos. Entre eles afirmo o direito do alívio da dor humana. Por todos os meios, por todas as mídias, sem fronteiras ou limites.

São mais de 51.000 visitas e múltiplas difusões e retransmissões de meus textos pela Internet. São agora 90 posts. Espero possam ser 90.000.Escrever tornou-se um ato criativo de livre comunicação.Retomei o meu ciberativismo. Reafirmei minha esperança de uma socialização irrestrita do saber...

Neste dia 11 de novembro de 2011 lanço, no ciberespaço, hoje uma nuvem, este texto comemorativo dos 02 anos, antecipando os dois dias que antecederam a criação do blog, pois ele esteve nesse período em gestação no ano de 2009.Estou agora em busca de Outras Línguas, Outros Sentidos e, principalmente do Outro que me re-conheça e re-transmita...

Recentemente retomei um texto que escrevi em 2003. Trata-se do artigo: PARA ALÉM DAS EXCLUSÕES: POR UMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO RUMO Á UMA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DAS DIFERENÇAS. Estava relembrando uma pesquisa sobre a hegemonia linguística na Internet em pesquisa da FUNREDES. Ainda hoje somente 10% das línguas estão na Internet (Daniel Pimenta).

É um artigo escrito para o livro: Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiência (veja em leituras indicadas abaixo). Foi uma resultante de um trabalho junto ao Congresso de Leitura do Brasil. Nele eu já afirmava minha necessidade de crer em um outro modo de incluir: a inclusão digital, combatendo, com urgência, a real exclusão digital.

Em 2003, para a construção dos cibercidadãos e cidadãs, trazia, em meu texto, a afirmação do Livro Verde que propunha:
. Aumentar drasticamente o número de pessoas com acesso direto e indireto à Internet.
. Popularizar o acesso à Internet em todo País (hoje com redução de valor da Banda Larga e pulverização de telecentros, por exemplo)
. Produzir e disponibilizar hardware e software de baixo custo;
. Promover a implantação de serviços públicos de acesso universalizado e sem discriminações;
. Oferecer mecanismos de aprendizagem em informática e treinamento no uso da Internet em larga escala.

Talvez alguns destes avanços foram concretizados, outros estão a caminho. O que ainda interrogo é que Inclusão Digital estamos produzindo? E, vendo-nos incluídos já conseguimos incluir o acesso à informação como direito humano essencial e fundamental para a cidadania? A Sociedade da Informação, na Idade Mídia, tem produzido novos modos de subjetivação? Esta produção de subjetividades caminha na direção de um paradigma ético, estético e político?

Por estas e muitas outras interrogações, como em uma torre de Babel atualizada, é que precisamos aprender as outras línguas, os outros sentidos. Há um novo horizonte aberto com as crises do capitalismo mundial integrado (Guattari). Segundo Zizek: "...Mas você conhece aquela praga, o que dizem os chineses quando detestam alguém: 'Que você viva tempos interessantes'. É isso. Nos aproximamos de tempos interessantes..."

Nesse mês será lançado um Plano Nacional para as Pessoas com Deficiência, no dia 17, e espero que possamos encontrar, para além de toda transversalidade do Decreto 6949/09 (a legitimização e implementação da nossa Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência), a indispensável concretização de políticas públicas de INCLUSÃO DIGITAL de toda a heterogeneidade que são as deficiências e os que se encontram nessa condição.

Nessa comemoração do InfoAtivo. DefNet, ainda em seus primeiros passos, espero que os tempos sejam mais que interessantes. Espero, desejo e trabalharei, com suas opinões e sugestões, para que possamos ver/produzir e sentir outras saídas, outros caminhos sábios e novas suavidades para o viver. Venham comigo! E multipliquemos nossas conexões com o futuro...

MEU MAIS DOCE ABRAÇO A TODOS E TODAS, Leitores, seguidores, comentaristas, amigos e amigas, com meu profundo e intenso desejo de que possamos chegar a casa dos 1.000...a cada dia em nossas interações e trocas "ciber-afetivas".
E que o CIBERATIVISMO nos contamine e nos apaixone para que, para além de nossas grupelhizações ou processos identitários defensivos, multipliquemos, também a mil, molecular e micropoliticamente todas as novas e surpreendentes cartografias coletivas.

ASSIM, intensos e desejantes, sejamos as novas revoluções por uma INTERNET LIVRE, ACESSÍVEL e PLURAL, com ou sem suas novas massas, sempre como cibercidadãos e cibercidadãs implicados com a mudança dos paradigmas... EM TODAS AS LÍNGUAS E EM TODOS OS SENTIDOS.

copyright jorgemarciopereiradeandrade 2011/2012 (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massa TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

Leitura Indicada no texto:
Para Além das Exclusões: por uma Sociedade da Informação Rumo à Sociedade do Conhecimento e das Diferenças - Jorge Márcio Pereira de Andrade - 
In Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiência, Shirley Silva & Marli Vizim (Orgs.) - Editora Mercado de Letras/ALB, Campinas, SP, 2003. (https://www.alb.com.br)

A Vida Digital – Nicholas Negroponte, Editora Companhia das Letras, São Paulo, SP, 1995.https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Negroponte

Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil - programa do Governo Federal na promoção de um planejamento para a INCLUSÃO DIGITAL
https://www.mct.gov.br/index.php/content/view/18878.html

Informações na INTERNET

ONE LAPTOP PER CHILD - http://www.olpc.org.br/
Profesor de la UnB afirma que menos del 10% de las lenguas del mundo están en la Web
https://noticias.universia.com.br/translate/pt-es/vida-universitaria/noticia/2011/11/10/887414/professor-da-unb-afirma-menos-10-das-linguas-do-mundo-esto-na-web.html

O Horizonte está aberto - https://www.outraspalavras.net (entrevista a Tom Ackerman com Slavov Zizek)

Sobre Ciberativismo - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberativismo

Leia também no Blog (entre os primeiros textos publicados):

OS NÓS E OS SEM REDE – Acesso à Banda Larga na Internet Brasileira
https://infoativodefnet.blogspot.com/2009/12/os-nos-e-os-sem-rede-acesso-banda-larga.html

SEREMOS 300? 01 pc para cada PC – do LIMÓGRAFO AO COMPUTADOR
https://infoativodefnet.blogspot.com/2009/11/infoativo.html

UMA LUZ NO FIM DO LIVRO - https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/uma-luz-no-fim-do-livro.html

ENTRE O MARCO E A BENGALA - NA INTERNET O QUE É LEGAL? https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2009/11/infoativo_26.html

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

OS NÓS E OS SEM REDE - Acesso à Banda Larga na Internet brasileira


OS NÓS E OS SEM REDE -
Acesso à Banda Larga na Internet brasileira

InfoAtivo.DefNet - 4313 - Ano 13 - 09/12/2009
imagem publicada - foto de uma Banda de música, à moda antiga, composta por diversos instrumentos, de sopro e percussão, como a famosa tuba ou trombone, com seus uniformes tradicionais, com quepes e fardas à moda das bandas militares, no início do século XX, da cidade de Florânia, RN. Foto de arquivo do Prof. Flávio José de Oliveira Silva.

Uma música que já fez sucesso, a Banda, de Chico Buarque, é uma memória agradável que fala de ficar 'á toa na vida', e poder ver uma bandinha passar, daquelas de música do interior, daquelas que a saudade ressoa na memória. A Banda, nos lembra, aos mais antigos da Internet, os coretos de praças de pequenas cidades do interior, antigas ágoras sociais. Me lembrei da música pois quando foi sucesso, nos anos 60, eu nem imaginava que um dia teria uma outra banda transversalizando minha vida: a banda larga.

A Banda do Chico era um forma alegre e viva de conviver/re-existir, em 1966, com os iniciais ares de repressão e tristeza da Ditadura Militar. A nova banda, hoje dita larga, me faz pensar em outras formas de existir, a minha, a sua, a nossa VIDA DIGITAL.

Uma importante matéria foi publicada no Jornal do Senado, Nº 3.146/275, no período de 06 a 30 de novembro, que nos informa que "ALTO PREÇO E FALTA DE REDES LIMITAM O ALCANCE DA BANDA LARGA", no Brasil. A matéria ocupa um importante debate sobre o acesso às informações e dados pela Internet, com a constatação de que: "PAÍS TEM OBSTÁCULOS PARA OFERECER CONEXÃO DE ALTA VELOCIDADE COM PADRÃO SIMILAR AO DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS. REDUÇÃO DE PREÇOS E AUMENTO DA REDE SÃO DESAFIOS PARA ATINGIR A META DE 90 MILHÕES DE ACESSOS ATÉ 2014..."

O que de início vemos é que ainda estamos, apesar de todas as propagandas, ocupando um lugar de destaque entre os 'países não desenvolvidos no campo da Internet', ao menos pela diferença entre o Brasil e países como o Japão, onde "o Mbps de banda larga sai a R$2 (DOIS REAIS)... e no Brasil o preço mínimo é de R$50 (CINQUENTA REAIS)..." E mais ainda em um país no qual somente "16% têm acesso com velocidade superior a 2 megabytes", o que revela que se "o número de acessos ainda cresce rapidamente, a velocidade de navegação cresce "timidamente", de acordo com a 12ª edição do Barômetro da Banda Larga.

E você(s) que lê(em) esta constatação, provavelmente, estão entre a maioria dos brasileiros e brasileiras que considerados "mais popular". Ou seja nossa velocidade de acesso está entre 512 kbps e 999 kbpsa . Ainda estamos ouvindo a bandinha no coreto da praça, enquanto os japoneses e japonesas interagem, em tempo real e veloz, com as suas bandas de rock no resto do mundo globalizado.
Ainda nos mantêm, na realidade global, info-excluídos, como nos interiores, pois por aqui são muitos os Brasis, onde nem mesmo o telefone chegou. Concluímos, então, que alguma coisa precisa ser feita para além de reconhecimento estatal dessa realidade de exclusão digital a que nos submetem, tanto como país 'em desenvolvimento', como ciber-cidadãos e cidadãs em crescimento.

Nós, podemos nos chamar de "navegantes com rede", mas para que nos mantenhamos nesse "bote inflável e digital", nessa condição atual, precisaremos reconhecer a existência dos 'SEM REDE'. Ainda concentramos todos os serviços de provedores no sudeste brasileiro. "Só o estado de São Paulo tem 4,5 milhões dos 10,9 milhões de pontos fíxos de banda larga", comenta a reportagem do Jornal do Senado.

Uma das saídas dessa situação caminha, dentro de um projeto legislativo, na direção dos interiores brasileiros. O projeto do Senador Aloisio Mercadante (PT-SP), de número 1.481 de 2007, está para ser votado pelo Plenário da Câmara. Este projeto de lei destina verbas do FUST (Fundo de Universalização das Telecomunicações), aquele que todo mês é aplicado em todas as nossas contas de telefone, e que já acumula 08 milhões de reais, para "oferecer conexão de todas as escolas públicas, POR BANDA LARGA, até 2013, e também promover a universalização do acesso à Internet para pessoas de baixa renda".

Já escrevi e publiquei, há 06 anos atrás, um artigo sobre a urgente necessidade de uso dos recursos do FUST, COM A IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE UNIVERSALIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES, onde afirmava que este é: "... um campo dos recursos públicos e de possíveis políticas públicas efetivas, que pode ser um passo imprescindível para que as novas tecnologias se socializem e cheguem onde não são rentáveis e, a maioria das vezes, são urgentemente necessárias: junto dos excluídos sociais..." (1)

A Internet, nestes tempos da velocidade e da fugacidade, que gosto de chamar de IDADE MÍDIA, traz um fator potencial gerador de novas culturas, novas subjetividades, novos espaços de criatividade e invenção, por isso não pode continuar sendo o privilégio de alguns. As técnicas e tecnologias não são boas ou más, mas com certeza não são apolíticas ou neutras. Elas podem, quando aprofundam o chamado abismo digital, reforçar as desigualdades e os processos de desfiliação social.

Precisamos portanto, todos e todas, entrar/participar nessa nova BANDA, que em samba-pop-rock vamos chamar, ainda, de 'Narrow Band'. Porém essa bandinha mixuruca, de público restrito, não é igual à Bandinha da Cidade que tocava, democrativamente, para todo mundo. Era como, na musica do Chico uma banda que tocava para moços, moças, crianças, velhos e qualquer um. Talvez, "para ver a banda passar", um bom caminho seja a distribuição de tecnologias para as escolas, como prevê o projeto. O futuro urge e até voa, enquanto a chamada Inclusão Digital caminha a passos lentos, pelo menos nos bytes da banda larga.

Enfim, como sonhei/desejei no artigo, os múltiplos caminhos em direção ao que denominei de uma Sociedade do Conhecimento e das DIFERENÇAS, ainda acredito que podemos influir, usando criativamente as novas tecnologias para que, na Era do Acesso, muitos venham compartilhar de nossa rede. Mas é um sonho que só pode ser vivido coletivamente prá virar realidade.

Uma rede, assim como as de pesca, não se constroe ou tece sem os NÓS. Uma rede sem nós, sem pontos nodais infinitos, não é o que utilizamos quando tentamos 'pescar' na Internet sejam dados, sejam notícias ou amigos, sejam idéias ou divertimentos, tanto no campo das artes como dos conhecimentos, como neste Blog.

Nesse momento usamos a teia tecida de uma rede aberta, democrática e plural, cada dia mais veloz porém excludente. O que temos de, éticamente, denunciar que ela é, ainda, uma rede que não conta com as mãos mais calejadas, humildes, envelhecidas, iletradas, empobrecidas ou diferentes, de uma grande maioria, ainda considerada off-line, sem rede, sem direito à esta tessitura digital. No hipercapitalismo o preço do desenvolvimento é muito mais alto, principalmente para os países que são chamados "em desenvolvimento".

VAMOS, PARA A PRAÇA, HOJE A ÁGORA DIGITAL, BOTAR A BOCA NO TROMBONE?

Aviso aos navegantes do Brasil, pagamos mais que qualquer país do mundo para continuarmos acessando a INTERNET, enquanto japoneses pagam 0,75 dólares para cada megabite de velocidade, nós por aqui estamos pagando 34,50 dolares, segundo a matéria do Jornal do Senado, que me desaponta quando diz: "O Ministério das Comunicações sonha ter, em 2014, a banda larga popular (com 2 Mbps- megabites por segundo) ao custo mensal máximo de R$30,00..., porém anos-luz do que se cobra pelo mundo afora". E ainda temos o Marco Digital do Ministério da Justiça para encarar e opinar...

Eu que agora não estou à toa na vida, mas preocupado com a exclusão digital, pela passagem e o preço do tempo, e por não ver tantas mudanças como apregoam os órgãos oficiais, declaro:
"Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou ..."


(copyright jorgemarciopereiradeandrade 2009-2010 - favor citar a fonte em caso de difusão na Internet, com envio especial aos nossos gestores, senadores, deputados, etc...TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025)

FONTES-
JORNAL DO SENADO - para acessar via INTERNET - https://www.senado.gov.br/jornal/iNoticia.asp?codNoticia=91827

Artigo publicado sobre o tema:
(1) Para além das Exclusões: Por uma Sociedade da Informação rumo à Sociedade do Conhecimento e das Diferenças- Andrade, Jorge Márcio Pereira, in Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiências, Silva, Shirley & Vizim, Marli, Editora Mercado de Letras/ALB, Campinas, SP, 2003 (págs.175-217)


Para ler a letra da Música do Chico Buarque: https://letras.terra.com.br/chico-buarque/45099/
Para a história da Banda de Música da Cidade de Florânia: https://www.inforside.com.br/noticias.aspx?id=12&sectionID=4

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ENTRE O MARCO E A BENGALA - NA INTERNET O QUE É LEGAL?


InfoAtivo.DefNet Nº 4307 - Ano 13 - 26 de novembro de 2009.
ENTRE O MARCO E A BENGALA – Na INTERNET O QUE É LEGAL?
Jorge Márcio Pereira de Andrade
(imagem, informe para pessoas cegas - uma mão segurando firmemente todos os cabos que permitem a conexão para as Infovias de comunicação...)

O Governo Federal através do Ministério da Justiça lançou um Blog para que possamos discutir ”nossos direitos e deveres” no projeto de ‘construção colaborativa de um marco regulatório da Internet no Brasil’. 

Fico, a princípio, contente pela visão estatal de que todos e todas devem e podem contribuir nessa discussão. Entretanto, como um antigo e persistente difusor de informações na Internet, através do InfoAtivo, me preocupei, de imediato, sobre a questão da Inclusão Digital e o acesso universal às tecnologias de Comunicação e Informação.

Lembro a todos e todas que já há um documento OFICIAL sobre os PRINCÍPIOS PARA A GOVERNANÇA E O USO DA INTERNET NO BRASIL. A Resolução CGI, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, que reunido em 2009, aprovou este documento, no qual são declaradas importantes considerações sobre a presença de Direitos Humanos no uso, apropriação, difusão e socialização de dados e informações pela Internet. 

 Com um primeiro artigo onde se defende a Liberdade, a Privacidade e os Direitos Humanos, reconhece-se que o uso da Internet deve ser guiado por estes princípios, reconhecendo-os como “fundamentais para a preservação de uma Sociedade justa e democrática”. Veja(m) o documento em: https://www.cg.org.br/regulamentacao/resolucao2009-003.htm

O que então faz com que o Governo Federal, sabedor da nossa massa de excluídos da banda larga, ou seja ‘off-line’ da Internet, procure saber e discutir através de um Blog com seus ciber-cidadãos-consumidores que possuem a Banda Larga, interrogando o que é legal na Internet?

Segundo uma matéria do IDG-Now em 19 de novembro: “Segundo o ministério, o blog criado para a discussão recebeu mais de 120 mil acessos e cerca de 500 comentários de internautas nos primeiros 20 dias da consulta pública.” O interesse dos participantes, do que considero ainda uma ‘pesquisa indireta de opinião’, já que só quem tem acesso poderá responder, revelou de início a preocupação com alguns temas: acesso anônimo, a guarda de logs (registros de acesso), ampliação da banda larga, liberdade de expressão na internet e privacidade. No IDG-Now também nos informam que: segundo o IBGE apenas 23,8% dos domicílios brasileiros tem Internet. Em outras pesquisas na Internet vejo que ainda permanecemos com a íntima relação entre pobreza e exclusão digital.

Mas se já temos uma Resolução que afirma a preservação destes temas, porque não incluí-los na discussão do Blog?
Podemos e precisamos nos apropriar, o mais breve possível desta participação ativa do MARCO LEGAL, pois eu, aqui na minha mineirice, fico mais próximo de meu amigo 'Marco' Antônio e sua BENGALA LEGAL,seu site, blog e ativismo, para além de nossas fronteiras e limites, com a afirmação do direito a ir além do acesso à Internet: o direito humano de comunicação, com acesso a todas as tecnologias, da Web ao Livro Acessível.

 Um direito de informação a ser aberto e irrestrito às invisíveis massas de excluídos, aos diferentes e ainda preconceituosamente tratados, às pessoas com deficiência. Ou seja, ainda nem mesmo ampliamos a ACESSIBILIDADE de todos os sites, respeitando a diversidade e a diferença dos usuários da Internet, o que deverá ser verificado no site do próprio Marco Legal: https://culturadigital.br/marcocivil/

O que quero dizer com isso é que ainda presenciamos o que se chamou de DIGITAL DIVIDE, ou seja, o ABISMO DIGITAL, onde um número infinito de cidadãos e cidadãs ainda vivem como os sem-internet, lembrando, como já escrevi anteriormente que devemos nos interrogar: vamos propor então tecnologias assistivas para o acesso universal ou o acesso universal a todas as tecnologias?. 

Nesse artigo reproduzido no site do Centro de Educação Comunitária e Inclusão Digital, a ser acessado no site: https://www.cidec.futuro.usp.br/artigos/artigo9.html, temos a interrogação: “Seria possível pensar numa inclusão social a partir de uma inclusão digital? Seria ou será possível que, neste nosso mundo do global e das desigualdades se acirrando ainda mais, superaremos os abismos que separam os que têm acesso às Tecnologias de Comunicação e Informação dos sem-computador, sem-net, sem-participação social econômica ou política?”

Aos nossos amigos, seguidores e aos que permanecem fora da Internet (a massa de desfiliados que ainda não usam ou se apropriam da Internet), indo além da Inclusão em busca de uma Emancipação Digital, após nossos letramentos digitais, devemos a responsabilidade de, rizomaticamente, difundir esta consulta oficial do Governo.

Acessemos o MARCO DIGITAL, mas não nos esqueçamos que vivemos em uma Sociedade do Controle, donde devemos nos manter alertas e ‘info ativos’, reafirmando como base de todos possíveis marcos regulatórios a garantia da Liberdade de expressão e comunicação, assim como sua interdependência com os Direitos Humanos.

LEMBRETE - O InfoAtivo.DefNet apoia e solicita a todos e todas que participem da Campanha DOMINEMOS A TECNOLOGIA, com 16 dias de ATIVISMO DIGITAL: TOMAR O CONTROLE DAS TECNOLOGIAS PARA ELIMINAR A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES, promovido pela APC - Asociación para el Progresso de las Comunicaciones (Internet y TIC por desarrolo sustentable y justicia social) - https://www.apc.org/es .

DOMINEMOS LA TECNOLOGÍA!
16 DÍAS DE ACTIVISMO: TOMA EL CONTROL DE LA TECNOLOGÍA PARA ELIMINAR LA VIOLENCIA CONTRA LAS MUJERES
https://www.DominemoslaTecnologia.net
25 de noviembre - 10 de diciembre Por más información, envía un correo electrónico a: ideas@dominemoslatecnologia.net

ARTIGO - RESOLUÇÃO GGI.BR/RES/2009/003/P -
3. Universalidade
O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos.

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