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domingo, 17 de janeiro de 2010

O HAITI NÃO ERA AQUI - A TERRA QUEIMADA

Imagem publicada: foto de uma mulher negra, coberta de uma fuligem cinza, que se confunde com seus cabelos embranquecidos, emergindo entre os destroços e desmoronamentos provocados pelo terremoto que varreu a capital do Haiti, Porto Príncipe.

Em 1969 o cineasta italiano Gillo Pontecorvo realizou o lançamento do filme QUEIMADA (Burn!), que foi rodado na Colômbia.

 Lembro-me desse filme visto nos anos de chumbo, no período Médici. O filme foi censurado e retirado de cartaz por sua crítica política, pois sua base ficcional ocorre em uma ilha do Caribe. Uma ilha colonizada por 'portugueses', com maioria populacional de escravos negros, produtora do ouro branco da época: o açúcar. Este filme seria uma boa maneira de conhecer um pouco do que ocorreu com a colonização e os colonizados nas ilhas do Caribe. Teremos, talvez, a compreensão do que foi o primeiro "terremoto social e político" da terra haitiana.

Este filme tem Marlon Brando no papel de um agente inglês de nome Walker, ele vem à ilha para, primeiramente, insuflar um processo de rebelião dos escravos negros. Ele teria a função de oferecer apoio britânico à massa de trabalhadores escravizados pelos colonizadores, que seriam fora das telas os espanhóis, mas no filme, por questões políticas, são os nossos colonizadores: os portugueses.

Mantenho na memória a imagem do ar de arrogância britânica e colonialista que Marlon Brando empresta ao seu personagem. Era a imagem de um 'suposto salvador' dos miseráveis e incultos escravos daquela ilha açucareira. Na primeira parte do filme ele conquista a confiança de um escravo destemido, Jose Dolores, nome nada português, interpretado por um ator negro não-profissional: Evaristo Marquéz. Marcou-me na época em que assisti o filme a cena que viria próximo do fim do filme: a terra arrasada pelo fogo. A queimada foi a solução para caçar os insurgentes.

O mesmo agente inglês, Walker, teria retornado à ilha para combater os revolucionários. O napalm(1) da época, a queimada, foi utilizado para derrotar e depor quem ele ajudara a combater: os 'colonialistas' portugueses... A ironia feita pelo diretor do filme vem com a indagação de que ética pautaria o personagem de Brando, que de acordo com o momento político-econômico faria dele também um colonialista disfarçado, como alguém que entedia a escravidão como mero comércio e negócio lucrativo, hipocritamente hipercapitalista.

Hoje assistimos e revisitamos a ilha imaginária de Pontecovo. Estamos abalados pelo terromoto e não pelo fogo no Haiti. Aquela ilha sem fantasia, coberta de negrume e de miséria, foi arrasada, mais uma vez, só que agora por forças 'naturais'. E penso se a queimada dos canaviais do período colonialista, retratados politicamente no cinema, não foi prenúncio do que aconteceria com os primeiros negros que se rebelaram, os primeiros que romperam os grilhões torturantes do trabalho escravo nas Américas.

Em um primeiro tempo histórico ficaram cobertos de fuligem e cinzas, hoje experimentam novamente o cinza dos escombros e das tristes imagens de sua terra que treme... Continuam escravos? não sei, mas com certeza continuam sobre o efeito dos "tonton macoutes", os bicho-papões, uma escolta de torturadores que protegia seu ditador: Papa Doc, que hoje se reproduzem em milícias paramilitares que devem estar administrando a nova miséria.

Esta ilha devastada, não somente pela miséria, pelo analfabetismo, pela fome, foi esquecida por longo tempo. Não mais se produzia ouro branco por lá, só foi rememorada pelas recentes e novas rebeliões.

Novamente a ex-colônia precisava de uso da força, mesmo para impor a 'paz', com uma intervenção dos capacetes azuis (Onu) em 2004, capitaneada pelo Brasil. A ilha e seu povo, nesse momento, e quem sabe até agora, era uma ameaça para a paz internacional e a segurança da região. Era a hora de chamar novamente o agente Walker...

Algum tempo atrás vi alguns cartazes na rua que protestavam contra a permanência militar do Brasil no Haiti. Ocorriam concomitantemente à revelação de um suicídio de um militar brasileiro na ilha, o general que comandava a MINUSTAH (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti).

Hoje assistimos as famílias de militares brasileiros pranteando jovens que foram soterrados com o uniforme de nosso país. A ilha e sua terra queimada continua tendo suas vítimas de outros países. E ainda tremendo ela poderá continuar sendo objeto de intervenção internacional, só que agora com novo objetivo: a solidariedade humanitária.

Estou entre contente, pensativo e preocupado com a ajuda que dizem ser de milhões de dólares, inclusive do Brasil, para o povo haitiano. Será que agora teremos a possibilidade deste povo e país se tornar realmente livre?

A imprescindível mulher e médica, Zilda Arns, acreditava que sim, mas com um trabalho micropolítico e árduo de revolucionar as condições de saúde materno-infantil, alimentação e de educação básica da população mais pobre do Haiti. Ela tentava capacitar outros que acreditavam como ela na sua Pastoral. Ela estava lá para agenciar outros tipos de agentes, não os que abandonam os revolucionários e negam a revolução molecular quando ela se torna macro politicamente inoportuna.

Se fizéssemos um remake do filme Queimada a Doutora Zilda não poderia interpretar o papel de Marlon Brando, estaria mais próxima do homem negro escravizado e desejante de liberdade e justiça social.

Enfim, como já difundi em sua memória, e também em homenagem a todos os que estão sofrendo, ou sofreram como os brasileiros por lá soterrados e mortos, teríamos de lembrar que: CADA UM PODE SER MAIS UM, SE CADA UM FOR MAIS UM NA BUSCA DE UM MUNDO DE MUITOS QUE OLHAREM PARA UM SÓ MUNDO DE TODOS… O HAITI NÃO É LÁ, JÁ FOI, É, E PODE SER AQUI…

O hino nacional do Haiti, La Dessalinienne, nos diz: "...pour la patrie Mourir, mourir, mourir est beau Pour le drapeau, pour la patrie", ou seja: "Pela Pátria morrer, morrer, morrer é belo Pela bandeira, pela pátria", mas são os nacionalismos extremados, associados aos desejos fascistantes de massas, que geram os piores fascismos.

Há, nos tempos atuais, uma retomada silenciosa de microfascismos e de atitudes conservadoras em nosso cenário macrossocial. Vejamos as resistências, de alguns setores governamentais e do mundo empresarial, que um Plano Nacional de Direitos Humanos está gerando em nosso país.

Não devemos esquecer que a morte de qualquer ser vivo não deve ser justificada ou naturalizada..., e seja em Porto Príncipe ou nos mais longíguos e remotos locais deste planeta, com dizia John Donne( 1572/1631): a morte de um ser humano me interessa e me afeta, "porque sou parte (indivisível) da humanidade, portanto, não me perguntem por quem os sinos dobram... eles dobram por ti...".

Os negros e negras haitianos são, historicamente, tão pardos como a noite global (2) gostaria que fossem, mas seus olhos tristes de hoje são tão produtores de uma paixão humanitária que, esperançoso, desejo que, sensibilizados, possamos resgatar sua dignidade e porvir.

O Haiti como uma fênix negra pode e deve renascer de suas próprias cinzas libertárias e antiescravagistas. Liberté!, mesmo que tardia, seria uma palavra indispensável junto com a frase inscrita na bandeira haitiana: "L'union fait la force" ("A união faz a força") se reconhecermos o direito à Vida desses outros que durante tanto tempo submetemos à força e/ou à alienação do esquecimento. A Terra, depois de queimada, ainda precisa tremer para que lembremos dela?

copyright jorgemarciopereiradeandrade ad infinitum, 2011-2021, todos direitos reservados - TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025.

(1) Napalm - bomba incendiária, à base de gasolina gelificada, utilizada pelos EUA na guerra do Vietnã

Fontes: 




2) VER MATÉRIA SOBRE FRANTZ FANON neste blog - https://infoativodefnet.blogspot.com/search/label/Frantz%20Fanon

LEIA TAMBÉM SOBRE O HAITI  NO BLOG - 
OS DESATRES, OS HAITIS E AS SERRAS NO HIPERCAPITALISMOhttps://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/01/os-desastres-os-haitis-e-as-serras-no.html

O APRENDIZADO DO DESASTRE - O Hai de Ti é em qualquer lugar (é Aqui) 
https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/01/o-aprendizado-do-desastre-o-hai-di-ti-e.html

domingo, 22 de novembro de 2009

NA NOITE GLOBAL TODOS OS SERES TORNAM-SE PARDOS

imagem publicada de foto de FRANTZ FANON, como descrição para pessoas cegas  ou com deficiências visuais-  onde o psicanalista e psiquiatra martinicano está com a projeção de seu rosto duplicada em fundo preto e branco. Psicanalista e revolucionário defensor da descolonização dos inconscientes coletivos, que faz parte da história de libertação da Argélia, e deixou obras insuperáveis que são os referencias para os estudos pós-coloniais e diferentes campos do conhecimento...

NA NOITE GLOBAL TODOS OS SERES TORNAM-SE PARDOS

"(...) Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença. (...) Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar à santa fé católica, deve cuidar de sua salvação. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim." Carta de Pero Vaz de Caminha, 1/5/1500.

A Carta de inauguração textual desse novo território de 'gente' diferente, a partir do olhar eurocêntrico, lavrada pelo nosso primeiro missivista é uma revelação que todos podem questionar. 

Ela é datada, historiograficamente, mas a cito como reafirmação de uma questão ainda atual. O desejo inerente ao pensamento colonialista e dominador que atravessa todo discurso que fala em, 'tornar o Outro livre' ou a ele oferece alguma forma de redenção ou salvamento, ou de incluir os selvagens ao mundo civilizado. Pero Vaz de Caminha apenas traduziu um dos eixos centrais do modelo de colonização a que fomos, a Terra Brasilis, submetidos.

E um dia, logo após a morte de Zumbi, fez-se uma noite global, a Terra, Gaia, escureceu, quando todos os homens e mulheres, todos os seres humanos, ficaram pardos...

Escrevi há algum tempo um artigo, instigado por uma amiga, sobre a presença/ausência, nos textos sobre multiculturalismo, de um dos mais combativos psiquiatras e psicanalistas da des-colonização de nossos inconscientes coletivos: Frantz Fanon.

Para quem não o conhece passo algumas informações rápidas: Fanon nasceu preto e martinicano, portanto falando/aprendendo francês na Martinica, então colônia francesa, participou da II Guerra Mundial, fez Medicina na Faculdade de Medicina em Lyon, onde se formou em Psiquiatria, tendo a oportunidade de uma sólida formação em filosofia e literatura, passando por cursos de Merleau-Ponty e Jean Lacroix, convivendo com Lacan, fez incursões literárias em Hegel, Marx, Husserl, Heidegeer, Freud e Sartre. A este último coube o privilégio de prefaciar a obra que culmina com a época de sua morte, por leucemia, em 1961: Os Condenados da Terra.

Trago a memória de Fanon para nossos tempos, afetado que sou pelos seus textos, para uma compreensão do que tratamos como preconceito ligado à epiderme, ou outras originalidades, do Outro. Preconceito que nada mais é do que a tentativa de justificar o controle e a negação da Diferença, como nos explicou, em seu livro Pele Negra-Máscaras Brancas, este raro psicanalista negro: "-Negro sujo' ou simplesmente 'Olhe, um negro'. Vim ao mundo, preocupado em dar um sentido às coisas, querendo ser na criação do mundo e eis que me descubro objeto no meio de outros objetos..." (1).

Fanon em sua biografia deixou-nos também um exemplo da implicação com a vida e contra qualquer forma de opressão ou preconceito. Ele tornou-se um cidadão argelino, quando de sua vivência das atrocidades promovidas pelos franceses na luta de resistência pela independência da Argélia. Lá pode viver na pele a imposição de um regime colonialista, uma verdadeira escola de tortura e torturadores, que bestializava os afro-argelinos, mesmo que pertencentes à chamada África Branca, com a finalidade de justificar a dominação dos países africanos pelas potências europeias  Lá o modelo das Cruzadas era mantido também a ferro e fogo.

E se, na história oficial, nós os ìn-dios (sem deus) fomos 'descobertos' pelos europeus, a eles e sua Santa Fé deveríamos prestar obediência e servidão, ad infinitum, assim também funcionou a máquina de colonização no continente africano. Mas Fanon não fugiu à sua plural e humanitária formação. Ele se tornou um ativista da resistência argelina, reconhecendo, naquele momento histórico dos anos 60, que a violência tornara-se uma resistência, principalmente cultural, à opressão e à colonização. 

E por entrar de corpo e alma na guerra de libertação argelina sofreu diversos atentados e tentativas de assassinato, mas nunca desistiu do enfrentamento da divisão da sociedade em colonizados e colonizadores. Para ele o inconsciente de um antilhano negro é o mesmo de um europeu branco, como um psicanalista sempre soube que nossos inconscientes não tem cor de pele, muito menos o ideológico preconceito de raça...

DENTRO DO "GARRAFÃO MULTI-TRANS-INTERCULTURAL"

"Sou um homem e devo remontar ao passado do mundo... Todas as vezes que um homem fez triunfar a dignidade do espírito, todas as vezes em que um homem disse não a uma tentativa de escravização de seu semelhante, senti-me solidário com teu ato.." (1) F. Fanon

Aqui, segundo Fanon, não se está aprisionando o homem no passado, mas projetando-o para o futuro, pois quando não podemos mais respirar, por força e ação de qualquer forma de opressão ou despotismo, qualquer um nós ou muitos se revoltam. Mesmo que isso possa levar muito tempo.

 E, na atualidade, a cada dia, nos vemos mais e mais imersos em processos sutis de aprisionamentos, alguns deles, para brancos e negros, ou de outras epidermes coloridas, tomando nossos inconscientes, a exemplo dos nossos narcismos das pequenas diferenças. 

Aquele que nos distingue até entre os que identificamos como parte ou integrantes de nossa 'gang', 'tribo', 'comunidade do Orkut' (que foi extinta), 'membros da mesma confraria', 'parceiros do Facebook', 'inseridos em nossos grupelhos', 'fiéis da mesma igreja', 'idênticos em nossos bandos', 'identitários por nossas corporações', 'filiados a nossos clubes', 'fixados nos mesmos sermões, crenças ou dogmas', 'consumidores da mesmice', 'membros do mesmo cartão de fidelidade', 'usuários das mesmas drogas', 'vestindo a camisa do nosso time', ou do 'nosso uniforme', 'escolhidos de nossa elite', ou do 'nosso partido'..., pois para o poeta Carlos Drummond de Andrade: 

"(...) Contudo, o homem não é igual a nenhum outro 
Homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém.

Todo ser humano é um “estranho ímpar.” (2)

Porém, apesar dessa constatação poética, estamos cada dia mais tendo de escrever sobre inclusão e o reconhecimento da Diferença do Outro, para além de nossa estranheza, atração ou repulsa pelos nossos semelhantes. Escrevi, no artigo citado: " Na noite global todos os homens são pardos" (2005), sobre o paradoxo de estarmos vivendo um processo em que nos movemos divididos, narcisística e individualizadamente, o qual chamamos de globalização. 

Para um tempo que prefiro chamar de Era do Acesso (Rifkin), onde, por exemplo emblemático temos a Internet, onde alguns 'tocam na minha Banda Larga' e maioria, do lado de fora, nem mesmo ouve os seus ruídos de informação, faço a proposta de um 'koan' (dilema Zen). 

Estaríamos, metaforicamente, vivendo como pequeninos gansos que, ao nascer, foram colocados dentro de uma grande garrafa: o 'garrafão multi-trans-intercultural', hoje denominado de Mundo Globalizado, Hipermidiatizado e Hipercapitalista. Então, a nós, apresenta-se a seguinte interrogação: "Há muito tempo um homem colocou um ganso no interior de uma garrafa. Ele cresceu tanto que de lá não pôde mais sair. Como poderá o homem retirá-lo da garrafa, sem quebrá-la nem ferir o animal?” (3)

Então, como mais uma provoc-ação e estimulo às nossas imaginações, que podem ser quase estagnadas, vamos refletir o seguinte:vários homens e mulheres, quando ainda infantes e incipientes, de diferentes hordas, tribos e grupos étnicos, linguísticos e culturais, fomos sendo colocados em um imenso garrafão, um “garrafão mult-trans-intercultural”, tal qual as redomas protetoras de filmes de ficção científica. Algum tempo depois, após diferentes movimentos e acomodações, após alguns séculos de processo dito civilizatório e controle de nossas pulsões e subjetividades, nos ficaram as seguintes interrogações: como permaneceremos neste garrafão? 

Qual será a saída para que possamos, tal como porcos espinhos, nos colocarmos próximos/afastados, incluindo/excluindo, aceitando/rejeitando as diferenças? 

Como lidar com esta inadiável inversão do temor de sermos tocados, pelo Outro, pelos Outros, esses ‘estranhos ímpares”, ainda mais depois que fomos regados com um 'molho crítico-filosófico' de Spinoza, Foucault, Fanon, Bauman ou Deleuze? Como poderíamos sair deste garrafão caso nossa convivência humano/animal nos tornassem insuportáveis ao nosso mais próximo vizinho? Como não cair na 'tentação' da homogeização de nossos afetos, ideias, sensações e comportamentos, a fim de nos libertar destes ‘aprisionamentos’?.

MAS COMO FAZER OMELETE, SEM QUEBRAR A CASCA DO OVO?

Por isso é que a nossa re-visão desnaturalizadora dos paradigmas torna-se urgente. Não podemos nos tornar a 'todos e todas' PARDOS. No período colonial os pardos eram os que se distinguiam dos negros, pois eram os 'nascidos em liberdade', filhos de alforriados. Porém, no alfabeto libertário de Fanon esta liberdade 'concedida' apenas seria o mote para uma boa anedota:
"Um dia , São Pedro vê chegar na porta do paraíso três homens, um Branco, um Pardo, um Negro. " - O que você deseja? pergunta ao Branco. " - Dinheiro . " - E você? pergunta ao Pardo. "- A Glória. "- Dirigindo-se ao Negro, este lhe responde, com um grande sorriso aberto. "- Eu vim trazer a mala destes senhores".(4)

Portanto, a nós brasileiros e brasileiras, que durante muito tempo negamos nossa negritude, mesmo carregando uma pesada mala sem alça colonialista, já estamos conseguindo, após indignação e midiatização, devolver aos ingleses o seu cargueiro cheio de seu próprio lixo, talvez possamos criar/inventar outras linhas de fuga ou outras formas de resistência ativa se, não caindo na armadilha atraente de um 'garrafão aconchegante e hiper saciador', tivermos a ousadia de quebrarmos as cascas de nossos próprios ovos de serpente.

Aos meus 'estranhos ímpares' um brinde à Frantz Fanon: reconhecer-se Homem, só, mortal, finito, transitório, sujeito, muitas e infinitas vezes a ser apenas um objeto diante do Outro e sua incompreensível alteridade/multiplicidade, e, com uma indispensável qualidade: o humor.

Com vocês deixo a próxima piada desnaturalizadora e demolidora de estereótipos e estigmas, mas peço que a re-contem sem a finalidade de naturalizar o preconceito, portanto não valem piadas sobre: negros, mulheres loiras de mini-saia, pessoas com deficiências intelectuais, cegos, surdos, anões, albinos, nossos queridos portugueses ou japoneses e judeus, homoeróticos, transexuais, índios, carecas, obesos, 'mulatos', ..., e, principalmente de loucos e psiquiatras. A não ser que sejam agora de "humor branco", o humor dito negro agora não é mais politicamente correto. Ou então um novo humor ao 'molho pardo'? que tal?

Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massa TODOS DIREITOS RESERVADOS 2025).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) e (4) Frantz Fanon - Pele Negra, Máscaras Brancas - Ed. Outra Gente/Fator, Rio de Janeiro, RJ, 1983.

(2) Carlos Drummond de Andrade – Igual-desigual – A Paixão Medida – José Olympio Ed., Rio de Janeiro, RJ, 1983.

(3) Daisetz Teitaro Suzuki Introdução ao Zen-Budismo, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1973, pág. 44.

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Matéria e texto também publicada e difundida através do boletim eletrônico -
InfoAtivo DefNet Nº 4305 - Ano 13 - 21/22 de Novembro de 2009
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