segunda-feira, 26 de abril de 2010

QUEM NÃO GOSTARIA DE VIVER 100 ANOS?


Imagem publicada- uma ampulheta, o mais conhecido dos relógios marcadores de tempo com areia, que quando escorre entre os dois bulbos de vidro que a compõem sintetiza de forma clara a passagem do Tempo (Cronos). Nessa ampulheta na parte de cima encontra-se um ser humano sentado a uma mesa escrevendo enquanto a areia escorre pelo gargalo para parte de baixo. Eis a vida, que ao nascer, viram de cabeça para baixo as nossas ampulhetas individuais.

InfoAtivo DefNet nº 4400

"Antes de tudo, há o homem só.
Que nasce sozinho, que morre sozinho
e que sozinho vai vivendo, no seu ente mais fundo..."
(Mais Profundo que o Amor - D. H. Lawrence - poemas)

Será que muitos dos seres humanos não respondem negativamente, de acordo com as suas condições de vida, a este interrogar sobre a longevidade?

Principalmente, quando suas vidas tornam-se descartáveis e insípidas? Muitos, porém, me dizem que gostariam de viver e comemorar estes 100 anos, ainda mais agora com as possibilidades biomédicas de extensão e prolongamento da vida, esperando-se que, bioéticamente, com dignidade e qualidade. A idade, biológica e cronológica, de todos nós ainda é um dos parâmetros para que façamos a medida da vida. É ainda uma bio-ampulheta...

Porém a sobrevivência não é proporcional ao que chamo de 'supervivência", ou melhor da vida que se viva com intensidade e profundo sabor de vida, como nos sugeriu o título daquele suave-alegre-triste filme: o Tempero da Vida... 

A vida precisa de tempero, de bom cozimento, de hora certa para alguns ingridientes, de temperatura adequada para seu preparo, de igualdade e proporcionalidade das diferentes especiarias, uma pitada de ousadia e uma dose de poesia, e mais ainda de muita delicadeza e de arte para sua cozinha política, assim como também um educação do gosto para aprender a valorizá-la em suas diversas apresentações e diversificados odores e sabores, tudo regado por um salutar encontro na mesa grande da família humana e sua diversidade afetivo-culinária. (como o nome grego do filme - Politiki Kouzina, de Tassos Boulmetis).

O Tempero da Vida é uma obra que enternece. E mais ainda pelos ensinamentos do modo educar em cinema que propicia.Trata com suavidade a finitude e a infinitude do viver. Estou estes dias, uns mais dolorosos que outros, pensando/matutando muito o que escrever sobre um acontecimento familiar que me aguarda lá nas Minas Gerais. Há que temperar a vida... e homenagear nossas origens.

No dia 30 de abril de 1910 nasceu o homem que me gerou ao ser afetado por minha mãe, contribuindo para a luz/areia em minha vida com data de vencimento marcada. Ele conseguiu, com nobreza e dignidade, chegar aos 100 anos. Isto muito me orgulha e estimula, pois sua vida e trajetória é marcada por muitos acontecimentos e incidentes, uns trágicos outros cômicos. 

Como, por exemplo, o que ouvi em família quando ele, ao passar em frente a casa de sua futura noiva, minha mãe ANA, o jovem motociclista Arnaldo, sofreu um acidente por ficar olhando para a beleza dela. Ele acabou com uma '' fratura amorosa" de seu braço e de seu "coração"...tudo isso pela persistência de sua conquista afetiva. Aos 98 anos por outra paixão, o vinho, fraturou o fêmur, colocou platina em seu corpo, e em dois meses já caminhava com muito mais galhardia que eu e minha coluna e seus parafusos de titânio.

Costumo dizer que a vida de meus pais me ensina com clareza inevitável o entendimento de nossa transitoriedade humana. Ele, o meu pai fará 100 anos, e minha mãe, que já faleceu, só viveu até a proximidade dos seus anos 50-60. Ela faz parte dos episódios e vivências intensas que o velho Arnaldo teve de enfrentar, pois seu fim de viver foi arrastado, de forma irreversível, pela doença de Alzheimer. Por isso digo que já vivi bastante, e, do mesmo modo, diria como Neruda que "confesso" que vivo intensamente. 

A Dona Morte já me atormentou, mas depois da última cirurgia e seu pós-cirurgico hiperdoloroso, acho que aprendi um pouco mais de resiliência: nóis inverga mais nóis num quebra, diria o matuto, quando nóis ama profundamente a VIDA.

Eu, por tudo isso, acredito na construção de um sólido alicerce para viver e suportar viver. Viver não é moleza, diziam os meus ancestrais mineiros. E digo que esta vida que ando levando, pois sigo o poeta Fernando Pessoa em seu Dessassossego: "Viva a tua vida, não seja vivido por ela.".., o aprendizado da re-existência e do humor tem sido uma boa saída. A todo dia tem muitas coisas, pessoas ou fatos que lhe ajudam a despejar mais um pouco de areia-vida do outro lado da ampulheta... Mas resistir é preciso, viver não é preciso, além de navegar (hoje na Internet é claro)...

A longevidade tem de ser temperada pela arte-vidade, a amorosidade, a Transitoriedade,,,precisamos buscar, olhando para a imensidão do Universo, qual o astrônomo e astrofísico do filme grego, buscar alguma forma de amor intenso, nascido entre temperos, mas que nos faz ter a compreensão de despedida em cada encontro, em cada paisagem, em cada estação de trem ou local de partida. 

E olhando os planetas e o Sol compará-los, poeticamente, com todos as especiarias que um ente querido nos ensina utilizar para uma boa fermentação de nossas vidas. As mesmas vidas que correm o risco de serem transformadas em Vidas Nuas.

Como o velho avô que sonhava retornar a sua terra grega, o astrônomo aprendeu a gastronomia da vida. Eu aprendi com um antigo romeiro, daqueles que caminham a pé, até Aparecida do Norte, que, para superar nossas bolhas nos pés e nossos cansaços físicos, há que buscar alguma transcendência, um além de nossas mesquinhas condiçóes biológicas. Um Zarathustra andarilho que possa estender um tênue fio entre a vida vivida e um além do abismo que nos atrai todos os dias, a tal da pulsão de morte freudiana, mais conhecida como DonaThanatós.

Queria deixar aos meus seguidores e seguidoras, visitantes e leitores do blog um brinde a VIDA e escolher com eles/elas um canto, entre as folhas da relva, de Walt Whitman para homenagear ao meu pai e sua longevidade. 

Acho que o Canto à Estrada Aberta seria um bom brinde aos 100 anos de Arnaldo Pereira de Andrade, a quem dedicarei um grande cartaz/banner com os dizeres: "Arnaldo 100 você eu não estaria aqui...". E talvez responda a curiosa pergunta sobre o "segredo" de como ele chegou a esta idade: caminhar, caminhar, caminhar para além do corpo e sua limitações, como diz o poeta:
"A pé e de coração leve
Eu enveredo pela estrada aberta..."


referências no texto:
Ampulheta
http://www.museutec.org.br/previewmuseologico/a_ampulheta.htm

TEMPERO DA VIDA (FILME)
http://www.adorocinema.com/filmes/tempero-da-vida

DAVID HERBERT LAWRENCE - D. H. LAWRENCE
http://pt.wikipedia.org/wiki/D._H._Lawrence

CANTO A ESTRADA ABERTA- WALT WHITMAN
http://epifaniasvirtuais.wordpress.com/2008/02/13/54/

LIVRO DO DESASSOSSEGO - BERNARDO SOARES&FERNANDO PESSOA
http://livro-do-desassossego.blogspot.com/

ASSIM FALOU ZARATHUSTRA - NIETZSCHE
http://pt.wikipedia.org/wiki/Assim_Falou_Zaratustra

LEIAM TAMBÉM NO BLOG -  
O MUNDO ENVELHECE, AS INJUSTIÇAS AINDA PERSISTEM, E ENTRE TANTOS, O MEU PAI FAZ 102 ANOS - http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/04/o-mundo-envelhece-as-injusticas-ainda.html

sexta-feira, 16 de abril de 2010

POR QUE AS TECNOLOGIAS NOS AFETAM?


imagem publicada - duas crianças, um menino e uma menina, comendo pipoca, sentados em um sofá, assistindo a uma cena em 3D em anúncio de uma televisão em terceira dimensão, usando os óculos especiais para esta finalidade. Eles estão boquiabertos com a sensação provocada pela tecnologia 3D. E ficarão mais surpresos ainda com as que o Futuro nos reserva? ou não haverá surpresas com nossos caminhos sendo cruzados pelas diferentes tecnologias no Futuro?

"Os direitos nascem quando o aumento de poder do homem sobre o homem - que acompanha, inevitavelmente, o processo tecnológico ( a capacidade de dominar a natureza e os outros homens)- ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios para suas indigências." Norberto Bobbio (A Era dos Direitos)

Devido a um recente aviso da Samsung sobre o efeito danoso de uso de Televisores com 3D para mulheres grávidas, alcóolatras e pessoas idosas, com a presença de "efeitos colaterais", como: "Visão alterada, sensação de enjôo, movimentos involuntários como espasmos musculares, confusão, náuseas, perda de consciência, convulsões, cãibras ou desorientação", interroguei o que as altas (high) Tecnologias causam de 'mal' aos consumidores?

Os gregos tinham uma visão de arte para a palavra "Techné ou Tykne" (técnica), que implicava em dar um 'sentido' para seu signicado e significante; eles, como Aristóteles, em a Ética para Nicômano", tinham a Techné como uma representação das realidades sobre as quais o homem poderia intervir, indagando-se com um "para quê", qual a finalidade, portanto não era apenas um mero instrumento ou meio. Deveriam, e devem as tecnologias, existir em um contexto social e ético, no qual se produzia um valor de uso ao se indagar o 'como' produzir, criar, inventar e o indispensável ' para que e para quem'?.

Por isso, por exemplo, as tecnologias educacionais já foram, são e serão um indispensável ferramenta para determinadas pessoas como as que vivenciam deficiências. Ao se reconhecer que instrumentos ou meios podem desde facilitar, até radicalmente mudar, a visão ou outro de nossos sentidos ou funções corporais. Ao se reconhecer que os mesmos podem equiparar oportunidades e direitos ao remover as barreiras, com uso e acesso universal a todas as tecnologias. Sejam as visíveis ou as invisíveis. Sejam elas 'sociais' ou 'midiáticas ou novas tecnologias de informação e comunicação'.

Esta semana algumas novas tecnologias de acessibilidade e de comunicação estarão sendo apresentadas para pessoas surdas, cegas, com paralisias cerebrais, paraplégicos e outras formas de deficiências. Trata-se da Reatech, uma feira que traz no seu nome a implicação com as tecnologias, em especial as chamadas tecnologias assistivas ou as ajudas técnicas, que muitas vezes mudam e afetam, criativamente, a vida de pessoas com deficiência. 

Nesse campo tecnológico, que pode ser definido como um campo onde se criam ou inventam-se soluções e engenhocas, desde as mais rudimentares às mais sofisticadas, como as que dependem de meios eletro-eletrônicos, encontramos diferentes profissionais dedicando-se de corpo e alma para que as tecnologias estejam a serviço do ser humano. É uso bio-ético possível de uma invenção ou adaptação técnica ou tecnológica.

Eu, no momento, experimento uma adaptação que me tem permitido escrever deitado. É uma simples adaptação de um mesa dobrável com um braço de sustenção que suporta peso do laptop de forma segura. 

Assim como com uma inclinação, por um mecanismo sob a madeira desta mesa para notebook, tornando-a ergométrica e ajustável à melhor posição do seu usuário. É a tecnologia que se torna dobrável ao meu desejo de escrever e de me comunicar por este blog, e não o contrário. Não fosse esta mesa e a sua simples e econômica tecnologia não haveria, logo após a minha cirurgia de coluna vertebral, a possibilidade e a facilidade de usar minhas mãos, idéias e sentimentos para a escrita no notebook, mais ainda se este não existisse...

Por isso é que os gregos tinham o mesmo verbo "tictein"como conjugação tanto para a palavra "técnica" como para a "tecnologia". Eram nascentes da mesma raiz verbal. Este verbo que poderia ainda ser o preciso significado/sentido destas palavras, que o tempo se encarregou de tornar polissêmicas e, às vezes, desvirtuadas e banalizadas, já teve outra inventividade e poesis (capacidade de duplicação e multiplicação vital).

Talvez devessemos e possamos fazer a indagação: os gregos tinham a razão ou a emoção no ato de "criar, conceber, produzir, dar à luz"?. Retomo aqui o que já escrevi há alguns anos atrás (2003), acerca das exclusões de acesso às novas tecnologias e a urgência de sua socialização:

 "A 'naturalização' das tecnologias pode vir a ser enfrentada com resistência, como possibilidade de uma mudança e transformação de nossas condições de sujeitamento e submissão, a partir de uma tomada de posição política e social, na qual coletivamente possamos assumir e concretizar o desejo de que as tecnologias se tornem públicas, universais e democráticas...".

Então, nos perguntamos por quê alguns irão ver em 3D e outros em uma única dimensão: suas realidades ainda são em preto e branco? e ainda assim alguns serão excluídos por seus 'efeitos colaterais'? As mulheres por colocarem sua vida e a de sua concepção ainda intra-útero? os idosos por suas fragilidades geradas pelo envelhecimento biológico ou ou envelhecimento e exclusão por sua invalidez, na sociedade e nas famílias? e os "bêbados" por já estarem, para além de sua dependencia química, vendo e sentindo a vida embriagada em todas as suas duplicidades e esfumaçamentos?

Não, apenas como telespectadores estarão estes 'excluídos da Tv 3D', segundo uma fabricante de televisores e outros eletro-eletrônicos "lembra(ndo) que ver televisão em 3D pode causar desorientação no espectador..."

Para que não sejam acionadas judicialmente, no futuro, pelos bêbados e equilibristas, a empresa não nos adverte para não vermos os Big Brothers e outros reality shows da vida, mas 'para não colocarmos os aparelhos de TV perto de sacadas ou escadas'... Ou seja não nos adverte sobre como evitar o maior dos efeitos colaterais: nossa alienação dos direitos e a perda progressiva de nossas liberdades.

Ironia ou Desprezo por nossas capacidades de crítica e/ou lucidez diante deste recall tecno-eletrônico pós-surrealista?

Agora serão os mercados capitalísticos eletro-eletrônicos os nossos presente-futuros estimuladores de uma falácia: há tecnologias que nos fazem mal. Vamos voltar aos modelos tradicionais de tele-visão. Não importará que, no futuro, tenhamos uma microcâmera orwelliana embutida nestes aparelhos de lazer e controle remoto dos seus espectadores passivos. 

As tecnologias em si, como já disse pela etimologia, não são necessariamente nem boas nem maléficas. As tecnologias, inclusive as biotecnologias, conforme a visão bioética, necessitam é de um maior controle e re-visão de seu uso, finalidades econômico-políticas e de sua forma de produção no Hipercapitalismo.

Muitos dirão que gostamos da idéia da tridimensionalidade dos espetáculos, sejam na tela pequena da tv ou das panorâmicas telas do Cinema, como o recente Avatar de James Cameron, é certo. 

Mas temos de colocar outros óculos além dos adaptados à 3D. Principalmente, diante dos usos de tecnologias reificadas, inescrupulosas e consumistas: o indispensável telescópio/microscópio da crítica ao utilitarismo e à negação dos princípios de proteção da Vida Humana e de todos os seres vivos, bioéticamente, em nome do progresso e da falsa modernização descartável das tecnologias, em todos os campos da Ciência, do Mercado e da Invenção.

TECNOLOGIA PARA O ACESSO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS OU ACESSO UNIVERSAL A TODAS AS TECNOLOGIAS? continuarei indagando e questionando...

PS- Senhores Políticos, Sr. Ministro das Comunicações e demais autoridades do campo das Telecomunicações: quando é que reconheceremos o direito à "coisas telecomunicantes" menos 'perigosas' à Saúde Pública que a TV 3 D, por exemplo: para as pessoas cegas, com a Audiodescrição e para as pessoas surdas, como todos os programas, universalizantemente, com Closed Caption?

Fontes:

II REATECH - Feira de Tecnologias em Reabilitação, Acessibilidade e Inclusão
http://www.reatech.tmp.br/
Local - Centro de Exposições Imigrantes - Rodovia dos Imigrantes - Km 1,5 - São Paulo - SP - DE 15 A 18 DE ABRIL.

Grávidas, idosos e bêbados devem evitar TV 3D, alerta Samsung
http://tecnologia.ig.com.br/noticia/2010/04/15/gravidas+idosos+e+bebados+devem+evitar+tv+3d+alerta+samsung+9459008.html

Tecnologia assistiva para o acesso universal ou acesso universal às tecnologias? Jorge Márcio Pereira de Andrade
http://www.cidec.futuro.usp.br/artigos/artigo9.html

Exemplo de Tecnologias Assistivas já produzidas para Pessoas com Deficiência aplicáveis na Educação: http://www.clik.com.br/intelli_01.html

Audiodescrição - 
https://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2009/10/saga-da-audiodescricao-no-brasil.html

Closed Caption - http://pt.wikipedia.org/wiki/Closed_Caption

Inclusão Digital ainda é desafio para o Brasil ( 2017) 
http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2017/03/03/inclusao-digital-ainda-e-desafio-para-o-brasil.html

INFOATIVO DEFNET 4394 - abril de 2010

Referências bibliográficas -

'Para além das exclusões: por uma Sociedade da Informação rumo à Sociedade do Conhecimento e das Diferenças'
Jorge Márcio Pereira de Andrade, In "Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiências - Shirley Silva e Marly Vizim (orgs.) - Editora Mercado de Letras &ALB (Associação de Leitura do Brasil), Campinas, 2003.

Tecnologia Educacional - política,história e propostas - Edith Litwin - Editora Artes Médicas - Porto Alegre - RS - 1997.

LEIAM TAMBÉM NO BLOG - 
ROBÔS, POLÍTICA E DEFICIÊNCIA 
http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/07/robos-politica-e-deficiencia.html

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A SAÚDE E O SENTIDO PARA A VIDA II


Imagem publicada - um imagem do filme 1984, baseado no livro homônimo de George Orwell, que se passa no auditório onde os homens e mulheres são doutrinados pelo Grande Irmão, que aparece em uma tela gigante, trazendo a confirmação orwelliana de que: A Guerra é Paz, A Liberdade é Escravidão e a Ignorância é Poder, ampliando a "lavagem cerebral" a que todos, uniformizados e vigiados pela Teletela, se submetem em nome de uma sociedade burocratizada, alienante, onde a Vida pertence ao Estado, supondo-se que todos os corpos e mentes estejam sob total controle à distância, televisivamente.

InfoAtivo DefNet - 4387 - 07 abril de 2010

O texto abaixo foi escrito para comemorar/lembrar o Dia MUNDIAL DA SAÚDE, há muitos INFOATIVOS passados (no número 4200 DE ABRIL DE 2009) e foi publicado em um tempo que o Blog não existia ainda. A minha saúde física na época já tinha sido afetada. 

Apenas havia um corpo vibrátil, que pela dor pós-acidente que sofri, se afetava com os vários acontecimentos daquele momento. Resolvi republicar por um pedido especial e pelo fato de estar estes dias com muitas dores pela mudança climática absurda que estamos vivendo. Os meus parafusos presos me anunciam a temperatura, já que os soltos na cuca não funcionam tão bem. O frio do tempo anda se combinando com outras insensibilidades e friezas. Aos que já leram peço que descubram o prazer da releitura, pois um novo olhar nasce todos os dias em corações e mentes inquietas. 


AOS QUE AINDA NÃO LERAM o meu desejo que façam uma breve parada para refletir sobre as nossas SAÚDES:


A Saúde e o Sentido Para a Vida

"Um sábio escritor/aviador/filósofo, Antoine de Saint-Exupéry,nos deixou como legado, para além do Pequeno Príncipe, um alerta sobre a necessidade de que busquemos um Sentido para a Vida. Ele nos indicou o caminho quando, em seus livros Terra dos Homens e Um Sentido para a Vida, nos disse: "De que estamos nós precisando para nascer para a vida? Precisamos nos dar. Sentimos que o homem não pode comunicar com o homem senão através de uma mesma linguagem.... Quando nos encaminharmos na direção boa morte, aquela que tomamos na origem, ao despertamos do barro, somente então seremos felizes. Só então poderemos viver em paz e morrer em paz, porque o que dá um sentido à vida dá um sentido à morte".

Necessitamos, hoje, no mundo do medo líquido e das vidas desperdiçadas ou da vida nua, urgentemente de uma nova linguagem universal. Necessitamos todos de uma Nova Saúde, a moda de Nietzche e Walt Whitman. Necessitados estamos todos e todas de um sentido para nossas vidas.

Hoje, dia 07 de abril, se comemora o Dia Mundial da Saúde. Amanhã o que comemoraremos?
o desaparecimentos das 'novas pestes e epidemias? o fim de nossas 'não-visões brancas'? o surgimento de novos meios biotecnológicos de controle das mortalidades e do sofrimento humano? ou o enriquecimento e dignificação da vida humana com novos princípios éticos e bioéticos?


(HOJE, EM 2010, ACRESCENTO A CONFIRMAÇÃO DE QUE TEMOS UM NOVO TEMPO DO CAPITALISMO DOS DESASTRES EM MOVIMENTO, POIS AS CATÁSTROFES, TERREMOTOS E INUNDAÇÕES PASSARAM A SER CRÔNICAS DE MORTES ANUNCIADAS, E, LOGO APÓS CESSADO O VENTO, A CHUVA E OS TREMORES,SURGEM NAS TVS A ONDA DE PEDIDOS DE VERBAS POLÍTICAS PARA A RECONSTRUÇÃO DE CIDADES, COMO OS MILHÕES PARA O RIO DE JANEIRO INUNDADO NESSE ABRIL FRIORENTO)

Digo que sem a última resposta de nada valerá uma resposta às indagações anteriores. Senão, gananciosamente, os proprietários/empresários da Sáúde nos anunciarão/venderão uma falaciosa "descoberta" de um novo modo de Viver e Morrer, inclusive com as frequentes violações de todos os princípios sobre pesquisas em seres humanos. Isso, diante da nossa alienação, se não prestarmos atenção, com urgência, para a produção do que chamo de Vulneração/Expropiação da Vida.

Hoje é (era) dia de exclusão. Sim é(era) dia de exclusão 'saudável' no Big Brother. E se estamos todos aguardando o próximo 'milionário' e seu 'milhão', que dizem ser escolhido por nós, continuamos também assistindo a terra, a gaia, tremendo e nos anunciando novas e italianas e universais mortes, bem como novas lágrimas em olhos afegãos e/ou africanos ou nordestinos.

 A nossa atual sensibilidade para o sentido Universal da Vida tem, na banalização das violências, tornado , a cada dia na Idade Mídia, um modelo de viver. Nos estão afirmando, economicisticamente, que 'vale tudo' para vencer entre os muros, sob as câmeras e teletelas, com uma visão naturalizadora de um panóptico olhar de milhares de nós-espectadores.


(NESSE MÊS AINDA ESTOU LAMENTANDO A NÃO EXCLUSÃO DE UM BROTHER QUE SE REVELOU HOMOFÓBICO E PREPOTENTE, ALÉM DE TOTALMENTE DESINFORMADO SOBRE AIDS E SUA NECESSIDADE DE PREVENÇÃO PARA TODAS FORMAS DE EXPERIÊNCIAS SEXUAIS, E AINDA GANHOU, COM GRANDE APOIO POPULAR O SONHADO MILHÃO, POR SUA PERFORMANCE E RESISTÊNCIA ÀS EXPERIMENTAÇÕES TORTURANTES DE UM GRUPO PREVIAMENTE PREPARADO PARA ESTE REALITY SHOW SEM VIDA REAL...)

Estamos comemorando hoje a saída de nossos 'irmãos' ou 'irmãs' do Big Brother. Estaremos, então, felizes por nos identificarmos projetivamente com o Vencedor(a). Porém ,em seguida, quando um pequeno indiano nos ensinar como 'ganhar o primeiro milhão e nos tornarmos todos milionários', ainda assim estaremos cativos de um medo fundamental: "o medo de ser pinçado sozinho da alegre multidão, ou no máximo separadamente, e condenado a sofrer solitariamente enquanto todos os outros proseguem seus folguedos. O medo de uma catástrofe pessoal" (1).

Vivenciamos, absortos e absorvidos (mas não absolvidos) diante das nossas TVs um 'show da realidade', ou seja o reality show que está nos, subliminarmente, avisando que seremos 'inevitavelmente' excluídos. Apenas um será o milionário.
 


Confirmar-se e se naturaliza que o hipercapitalismo tem suas razões e suas verdades. Não será e não é preciso que ninguém nos advirta que estamos 'nos assistindo' nos reality shows da vida. Sabemos e naturalizamos que para vencer teremos de lutar para não sermos excluídos. Já nos colocamos como pré-desfiliados. E isso ocorrerá na fila do INSS, na fila do banco, na fila da escola, na fila do espetáculo, nas filas de entrada para a Era do Acesso, onde alguns poucos selecionados podem participar do show e milhares serão seus 'tele-colegas' deste trabalho sob clausura e confinamento.

(NESSE ANO DE 2010 FOI DADO O OSCAR PARA A GUERRA AO TERROR. UM AVISO AO MUNDO DE QUE NOVOS HERÓIS DESARMADORES DE HOMENS BOMBA ESTÃO EM AÇÃO, PARA PROTEÇÃO DOS QUE, MESMO INVADIDOS, SÃO AINDA VISTOS COMO OS FRACOS PERIGOSOS QUE PRECISAM DE LIÇÕES DE BIOPOLÍTICA DO CONTROLE TOTAL DE SUAS VIDAS, PETRÓLEO E OUTRAS RIQUEZAS, POIS A ÍNDIA SÓ SERÁ AMEAÇA SE APRENDER A FAZER USO BÉLICO DA ENERGIA NUCLEAR. OS FRÁGEIS E VIOLENTADOS MENINOS E MENINAS DE QUEM QUER SER MILIONÁRIO DE LÁ SÃO SUBSTITUIDOS PELOS FORTES E BEM DOTADOS DOURADOS RAPAZES TATUADOS DAQUI...)

E onde entra a Saúde no meio deste cenário? sim, as nossas saúdes (que não serão apenas a ausência das doenças) entram na necessidade do que Viktor E. Frankl (2), a quem dedico(dediquei) algum tempo de minhas leituras atuais, afirmou de forma contundente sobre sua experiência no campo de concentração de Auchwitz: "...que o sentido da vida sempre se modifica, mas jamais deixa de existir..., podemos descobrir esse sentido na vida de três diferentes formas: 1. criando um trabalho ou praticando um ato; 2. experimentando algo (como o amor, a beleza, a verdade) ou encontrando alguém; 3. pela atitude que tomamos em relação ao sofrimento inevitável".

A mim, na minha atual condição de saúde vulnerada, me interessa a autotranscendência necessária para o reconhecimento de minhas fragilidades consideradas humanas, inclusive, com o 'direito humano' de me deixar contaminar pela 'cegueira branca das mídias globais'. É, então, diante de minha vulnerabilidade humana que precisarei estar trabalhando, micropoliticamente, pela busca de novos modos de ser e estar no mundo.

Tenho, em homenagem a Orwell, a incansável tarefa de humanizar meus atos médicos, realizando as experimentações e pesquisas, com crítica e ética, de todos os avanços que a Medicina e as Biotecnologias em que estou envolvido/capturado.

 Devo tentar alcançar a proposta de Frankl, ele também médico e psiquiatra. Ele realizou com persistência e nobreza o ato da sobrevivência em um campo de concentração, reforçando que muitas vezes foi o humor, o amor aos seus semelhantes , o reconhecimento de seus algozes da SS como humanos, a resiliência e permanente busca de uma outra forma de saúde, lhe permitiu sair vivo desta experiencia crucial de vida nua, ou seja: buscar aquilo que alguns filósofos existencialistas ensinam, ou seja, tolerar a FALTA DE SENTIDO DA VIDA. 

Podemos, portanto, mesmo diante de uma situação inexorável e de nossa finitude, afirmar nossa transitoriedade vital e, com coragem e determinação, afastar o medo líquido e certo da Morte, afirmando que a Vida tem um sentido incondicional. O que nos dá um sentido às nossas vidas também dará um sentido às nossas mortes.


Por isso digo, em especial aos que ainda olham como inválidos os que se tornam pessoas com alguma forma de incapacidade ou deficiência, que a Vida vale a pena (sofrimentos criativos) e as penas (sofrimentos patológicos), quando compartilhamos de uma nova linguagem universal. Mais vale ainda se seu sentido e linguagem é propor um novo paradigma ético-estético e político para o viver (Guattari), onde tentamos ser éticos, para ser potência ativa que surge na imanência das práticas para coordenar a vida e escolher a forma de vivê-la, com profundo respeito à Diferença e os Outros. 

Mais ainda olhando com um olhar para além do olhar, um novo modo de ver/sentir estético e subversivo, rompendo, como criação e criadores permanentes, a pretensa unidade economicista do mundo capitalístico e globalizado atual; e, finalmente, nos afirmando micropoliticamente com a implicação de escolha de que modos de mundo desejamos VIVER e MORRER COM SUAVE DIGNIDADE.


A TODOS E TODAS MEU DESEJO DE UMA SAÚDE PARA ALÉM DA QUE NOS DIZEM SER NECESSÁRIO E INDICADA PARA BEM-VIVER.

jorgemarciopereiradeandrade copyright 2009-2010-2011 e ad infinitum enquanto houver saúde...

Referências bibliográficas -

Na imagem publicada - 1984 - George Orwell - Companhia Editora Nacional - São Paulo, SP, 1977

http://www.duplipensar.net/george-orwell/1984-orwell-resumo.html

(1) Medo Líquido - Zigmunt Bauman - Jorge Zahar Editora - Rio de Janeiro, RJ, 2008.

(2) Em Busca de Sentido - Um Psicólogo no Campo de Concentração - Viktor E. Frankl - Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 2008 - 26ª Edição.

Fonte original:
InfoAtivo DefNet - nº 4200 07-04-2009

NOTA- OS ACRÉSCIMOS DE TEXTO AO ORIGINAL FORAM ESCRITOS EM LETRA MAIÚSCULA E ENTRE PARENTESES  EM ITÁLICO ( PARA QUE AS ATUALIDADES E ACONTECIMENTOS) POSSAM CONFIRMAR A ATEMPORALIDADE DE ALGUMAS DE MINHAS IDÉIAS E DOS AUTORES CITADOS, LAMENTAVELMENTE, A RODAVIDA RODA E A VIDA RODA APESAR DA DONA MORTE).

LEIA TAMBÉM NO BLOG - 

ORGULHOS 'MULTIPLOS' - no COMBATE A TODOS OS PRECONCEITOShttp://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/orgulhos-multiplos-no-combate-todos-os.html

OS NOSSOS CÃES desCOLORIDOS - Nossas "DEPRESSÕES" E O DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTALhttp://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/os-nossos-caes-descoloridos-nossas.html

sábado, 3 de abril de 2010

UM AUTISTA PODE VIR A SER UM ARTISTA COM A ÁGUA?



imagem publicada - um quadro pintado pelo pintor italiano Caravaggio (1571-1610) que representa o mitológico Narciso, que foi condenado pela Deusa da Ética, Némesis, a ficar fitando sua própria imagem refletida no Lago de Eco, infinitamente, como um jovem muito belo, com roupas de época do século XV, com um reflexo espelhado dele magnificamente, com as características do tenebrismo de Caravaggio, pela iluminação do rosto do retratado, com cor de fundo em marrom predominando nesta tela.

INFOATIVO DEFNET - 4385 - abril de 2010

"O inconsciente molha aqueles que dele se embriagam... mutuamente." (Jorge Márcio d'aprés Felix Guattari)

Me instigaram estes dias a escrever sobre minhas experiências klínicas com os AUTISMOS. E a minha lembrança/saudade retomou o tempo em que implantava um Serviço de Psiquiatria infantil no quase desértico, pelo clima já diferenciado naquela época , e excluído, pelas comunidades desfavorecidas que o cercavam, o bairro de Bangu, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, na década de 80.

A cena clínica que me volta a mente é a de um menino que eu cuidava. O jovem "A", 10 anos, nome referência a primeira letra do Autismo, era um 'caso difícil' quando me foi apresentado, como um desafio, em reunião de equipe. Eu passei a atendê-lo em sessões individuais, semanais, em uma sala onde ele passava quase toda a sessão balançando o corpo, repetindo palavras ecolalicamente, e, após várias tentivas de contato com ele, descobrimos que podíamos "falar com as mãos na água' de uma pia no canto da sala. E foi aí que pude com muita suavidade tentar um contato com este 'difícil' garoto.

A lembrança de A me fez refazer a leitura de um bom livro que encontrei em 2008: Do Silêncio ao Eco - Autismo e Clínica Psicanalítica. É um excelente trabalho de Luciana Pires, que após experiências na Tavistock Autism Service (Inglaterra) e na experiência de quase dez anos em atendimento clinico a autistas no Brasil. Refiz a leitura e a recomendo aos colegas e demais interessados, pois lá encontrei o meu 'eco' psicanalítico para referendar as experiências clínicas da Clínica de Reabilitação Psicomotora Vicente Moretti.

Nesse livro pude entender que, empirica e afetivamente, tive um magnifico aprendizado com o 'paciente' "A". Foi ele que me ensinou a 'falar' através de uma água que escorria pela torneira da pia, e as poças que criava dentro dela, quando propositadamente interrompia seu ralo.

Foram poucas as vezes que consegui vencer a antinomia gerada pelo Autismo: o contato físico desejado por quem cuida e a inacessibilidade física e afetiva que o sujeito autista vivencia. Minhas pequenas e perseguidas vitórias ficaram para sempre em minha memória: os pouquissimos momentos em que A "deixou" que as suas mãos esbarracem nas minhas dentro da pia. Quantas "artes" fizemos com a água.

Para Luciana Pires há a possibilidade de uma clínica com as crianças autistas, com uma interrogação respondida, em texto suave e agradável, acerca dessa clínica a construir e aprender: "como se dá o contato com a criança autista ?". Ela exemplifica em seu belo texto alguns 'casos clínicos', de nomes Fátima, João, Paulo e Bruno.

Ela reconhece, indo dos inacessíveis aos ecolálicos, que existem vários autismos, como diz: "... em primeiro lugar, porque são singulares os indivíduos autistas e, em segundo lugar, porque o autismo não é um diagnóstico que define um campo de homogeneidade ( etiológica e/ou caracterológica)". Para esta autora, ao contrário do que se difunde, o seu diagnóstico comporta uma série de outros diagnósticos virtuais. Assim se constroi o "espectro autista".

Com o jovem A eu pude aprender também que o Eco que produzia me chamava para saída de meu/nosso próprio narcisismo. Era um apelo a me deixar envolver afetivamente, mesmo que a distância física e corporal nos deixasse longitudes, um do Outro. O rumor da água no seu fluxo nos permitia acalentar por alguns instantes as rumorosas torrentes e/ou enchentes de emoções que cada um trazia em si. E ao elaborar a transferência e a contratransferência que A produzia em nossos encontros pude alcançar um outra Escuta: a dos bailados que a água fazia, diferentemente do esperado, em cada um dos gestos estereotipados, assim classificados daquele jovem autista.

A água e seu fluxo também foram incorporados nesse encontro, o que me trouxe e traz a mente o mito greco-romano de Narciso (*), como nas Metamorfoses de Ovídio, onde a ninfa Eco jamais se fazia ouvir pelo encantador Narciso, este preso à sua própria beleza e egolatria. Tive, nos encontros com A, de superar essa posição narcísista gerada pelo desejo de uma clínica perfeita e bela. Ele , mesmo prisioneiro de seu narcisismo patológico, rompia todos os tratados e teorias. E era ele, na condição do "doente" a ser tratado, que era 'difícil e agressivo', ele era, enfim, considerado entre os 'intratáveis', assim como muitos dos sujeitos com transtornos invasivos do desenvolvimento ainda são classificados.

Mas há histórias clinicas onde a experimentação e a interrogação geram incomodos institucionais, quase sempre acabam em 'intervenções autoritárias'. Um dia ao chegar à Bangu, tendo enfrentado o calor de 40º graus, encontrei um intenso e conflituoso acontecimento. O jovem A não parava de gritar, uivar e se agitar na estereotipia, e ninguém sabia o por quê. Haviam, por determinação gerencial, retirado a pia da parede, tinha cortado a nossa àgua-comunicação-afeto. E, feita a desfeita, não há como explicar para uma singularidade tão complexa que o mundo dos neuróticos, quando instituídos em papéis e hierarquias, é pleno de inveja, disputas de poder, arrogância e desamor.

Não consegui mais fazer jorrar a água-amizade secreta com um jovem autista. Tínhamos sido derrotados pela insensibilidade diante da inacessibilidade aparente dos AUTISMOS.
Porém, aprendi, como Luciana, que os 'autismo(s) pede(m) a construção de novos paradigmas e um efeito renovador da clínica e da prática psicanalítica'.

E isto pode ser um convite aos colegas que se aprisionam em hermetismos e repetições teóricas, perdendo a ousadia primordial que nos foi deixada por Sigmund Freud, quando diz que se o psicanalista somente "efetuar a seleção [do material produzido pelo paciente], se seguir as suas expectativas, estará arriscado a nunca descobrir nada além do que já sabe" (1912)...

Este texto é uma homenagem ao DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO - Dia 02 de ABRIL, e ao jovem A, assim como o filho de uma amiga, Murillo e os muitos que estão fazendo ARTES por aí, mundo afora e mundo adentro... VESTI AZUL, COR DE ÁGUA DO MAR, UM DIA,UM TEMPO DE MINHA CLÍNICA, MINHA VIDA E MINHA "SORTE" ENTÃO MUDARAM.

FONTEs :
NARCISO - Mitologia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Narciso
AUTISMOS - conceitos - http://pt.wikipedia.org/wiki/Autismo
Outras informações Dia Mundial de Conscientização do Autismo -
http://www.ama.org.br/
http://cronicaautista.blogspot.com/2010/04/dia-mundial.html
E indico o blog de um jovem autista, FELIPE -
www.arteautismo.com

Referência Bibliográfica:
Do Silêncio ao Eco - Autismo e Clinica Psicanalítica - Luciana Pires, Editora Edusp/Fapesp, São Paulo, SP, 2007.
Outras Indicações para leitura:
Psicanálise e Desenvolvimento Infantil- um enfoque transdisciplinar - Alfredo Jerusalinsky e colaboradores - Ed. Artes e Ofícios, Porto Alegre, RS, 1999.
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