domingo, 19 de agosto de 2012

AOS MEUS “COLEGAS”, INTOCÁVEIS E INDEPENDENTES – O Cinema reverencia as Deficiências.


Imagem publicada – cena do filme Les Intouchables (Grande Prémio Sakura do Festival de Cinema de Tóquio) onde um homem negro, Driss (o ator Omar Sy, o primeiro ator negro a receber o prêmio César, o Oscar do Cinema Francês, de Melhor Ator), empurra outro homem em uma cadeira de rodas motorizada, que está em “alta velocidade”. Esse homem é Philippe (o ator François Cluzet) um refinado multimilionário tetraplégico francês, que precisa de um auxiliar de enfermagem para parte dos cuidados que seu corpo exige. O contratado é Driss, um senegalês que vive nos subúrbios, com diversos dramas familiares, mas também possui um refinado humor, que poderíamos incorretamente chamar de “humor de um negro”, mas que muda radicalmente a vida paralisada, sem compaixão ou pena, do incorretamente chamado de “paralítico homem branco”. É de suas transversalidades afetivas que nascem algumas propostas que podemos tentar refletir sobre nossas próprias “deficiências” no viver e no amar À VIDA E AO(S) OUTRO(S).

Hoje à noite consegui, com intensidade e desejo, ir, novamente, ao cinema. Fui ver os Intocáveis (Les Intouchables), dentro do Festival de Cinema Francês Varilux 2012. E, mais uma vez, pude constatar que o melhor remédio para as minhas dores é a emoção e o humor.

O filme baseia-se na história real de Philippe Pozzo di Borgo, um milionário que ficou tetraplégico após um acidente com um parapente (paraquedas dirigível). Além da imobilidade física ele vivenciou, na vida real, a convivência com suas dores e seus fantasmas afetivo-amorosos. O que para mim é no mínimo tocante, profundamente.

Ao retornar para a minha casa, após e para além de minhas lágrimas diante de um homem tetraplégico e seu amigo negro, tive a confirmação de minha certeza: o filme Colegas é o melhor filme no 40º Festival de Cinema de Gramado. Exultei, precisava escrever uma nova “carta”.

Já pensava nessa premiação como um passo adiante para que o cinema nacional se tornasse, mais uma vez, um promissor e ativo demolidor de preconceitos. O filme que vi hoje sobre a possibilidade de ressignificarmos a Vida diante de uma deficiência também se manifesta no enredo de Colegas.

O sonho compartilhado é a única forma de exercício vivo da liberdade. Quando o personagem Driss,revela seus medos diante do voo de avião ou de um parapente, que para o seu milionário “patrão” Philippe (François Clouzet) fica claro que no mais íntimo de que em todos/todas nós há um grande temor: podemos até morrer, ou ficarmos paralisados, quando damos asas à nossas imaginações.

Assistam com a mesma intensidade afetiva o nosso premiado “Colegas”. Este filme de Marcelo Galvão faz por merecer seus prêmios: Melhor Filme, Melhor Direção de Arte e Prêmio especial do Júri, este último dado ao trio de atores com síndrome de Down Ariel Goldenberg, Breno Viola e Rita Pokk. E que novembro esteja mais perto do que longe...

Dos três só conheço pessoalmente o Breno. E posso lhes assegurar é um grande ator. Um jovem de bem com a vida, principalmente por sua garra. O que já demonstrou, como judoca, no tatame. Sua veemência deve ser a mesma de quando o vi defendendo, como um auto defensor, a necessidade de outro olhar e reconhecimento de pessoas com síndrome de Down.

Naquela ocasião estávamos na cidade de São Paulo, e Breno participava, ativamente, da discussão sobre os mecanismos de monitoramento e implementação nacional da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Lá estava ele ocupando um papel que cada dia mais deverá se encontrar/afirmar: as próprias pessoas com deficiência afirmando sua independência e autonomia.

Difundi hoje uma notícia sobre outro jovem parecido com ele, nessa afirmação. Chama-se Luiz e mora em Fortaleza. Ele também traz essa capacidade de luta e determinação. Como praticante de jui-jutsi e muay-thai, sonha em ser um campeão. E tenho certeza de que ainda terá seu momento de sucesso como os seus outros três “colegas”.

Há muito que dizer sobre as duas emoções intensas que vivi hoje através e com o cinema. A primeira é a minha identificação com os personagens dos INTOCÁVEIS. Senti-me muito próximo da condição de quem sonha com o texto e a música, assim como a relação “epistolar” de Philippe.

Para um ser humano basta essa urgência/necessidade de comunicação, mesmo que através de outras línguas, pessoas ou meios, que vai das letras à música, à imagem e, principalmente, aos afetos e os bons encontros.

O ato de escreve para alguém, de forma dedicada e amorosa é um meio de buscar esses interlocutores, para além de quaisquer de nossas dores ou limitações. A presença das cartas de um tetraplégico para uma mulher como busca do amor é como diz o personagem: começamos no intelectual para chegarmos depois ao físico.

Hoje então estou escrevendo, como já fiz para um jovem com Síndrome de Down na universidade, uma missiva, uma nova carta: uma mensagem aos meus Colegas por sua contribuição à sétima arte. Diz-nos a matéria que Breno Viola pediu para que a plateia de Gramado os aplaudisse de pé. No foram atendidos e veementemente aplaudidos.

O cinema nacional está para mim hoje de parabéns. Devemos aplaudir de pé essa escolha do longa-metragem Colegas. E, confirmando o que já escrevi, espero que este seja apenas um dos passos que os atores premiados realizem em direção a outros e importantes festivais. Lá também, tenho certeza, seu talento, sua sensibilidade artística e suas bem humoradas improvisações ou provocações irão tocar muitas mentes, muitos corações.

O que desejo é que estes jovens possam ser vistos, ouvidos, e, principalmente, compreendidos para além de sua condição de pessoas com Síndrome de Down. Há ainda um forte e ativo preconceito, fundado nas garras do modelo biomédico, de sua imagem e conceituação como “doença”.

Recentemente um “cientista”, Savulescu, académico de Oxford defende a alteração das leis, argumentando que criar crianças eticamente melhores deveria ser encarado como uma "obrigação moral" de pais responsáveis.

Ele, na contramão de uma posição bioética questionadora da Eugenia, afirma que “... que o controle genético de embriões já é permitido para evitar determinadas doenças, nomeadamente o síndrome de Down ou mesmo em relação a genes potencialmente cancerígena, argumentando o que já não está muito longe de criar da engenharia genética...”. Uma engenharia de perfeição aspirada e idealizada, bio e éticamente questionável que já inspirou diferentes épocas e diferentes paradigmas fascistantes da Medicina.

SINDROME DE DOWN NÃO É UMA DOENÇA TRANSMISSÍVEL E SIM UMA CONDIÇÃO GENÉTICA LIGADA A TRISSOMIA DO CROMOSSOMO 21!

Enquanto Philippe Pozzo di Borgo, o real que só aparece no fim do filme, há um Outro que se constrói em nosso imaginário pela brilhante atuação dos atores. E, pelo seu refinado humor, somos levados a rir para não chorar do que se expressa, não como doença, mas como limitação ao nosso corpo. Seja pela cor da pele ou pela fratura de vértebras cervicais.

Assim, mudando de paradigmas, com a reflexão sobre estes filmes, não devemos achar que todos os tetraplégicos são iguais. E nem todas as pessoas com Síndrome de Down. Para cada ser humano, na relação direta com sua condição social e econômica, sua cultura e sua equiparação de oportunidades, as diferenças podem ou não ser graves impedimentos para a vida independente.

Bastaria, hoje que os diretores e roteiristas tivessem invertido os papéis de Driss e de Philippe. As possibilidades de superação ou não de milhares de pessoas com deficiência ainda se encontram na realidade da vida do acompanhante negro. A maioria ainda é, além de marginalizada, muito pobre, sejam ou não pessoas com deficiência.

E o que o Cinema tem a contribuir para as pessoas com deficiência? Para além do sonho que todos os espectadores e espectadoras buscam no seu escurinho há o que se clareia em algumas mentes sobre as subjetividades e as novas alianças necessárias para suportar nossas infindas fragilidades e “defeitos” humanos. É o seu papel instigador e crítico.

Os dois filmes que abordo são exemplos dessa função em nossas telas oníricas quase reais. O que nos aproxima, humanamente, desses Outros que são nossos colegas de vida e viagem, são as nossas próprias solidões. Nossa “salvação” não vem do além, vem do partilhar, do compartilhar e do respeitar, amistosa e amorosamente, esses des-conhecidos.

Só uma boa e intensa viagem pelas estradas. Uma inusitada e inesperada busca comum de alegria, com a inversão do temor de sermos tocados, como o que ocorre com Driss ao ter de cuidar, intensamente, de um corpo sem movimentos. O que é preciso então para que nossas dores comuns sejam, por alguns momentos fugazes de riso e alegria, diminuídas e aplacadas?

Em minha opinião que possamos, primeiramente, retomar as antigas salas de projeção de cinema das mais recônditas cidadezinhas deste país. Cada sala que perde suas poltronas e telas para movimentos religiosos é para mim o reforço de nosso aprisionamento no vazio dos BBB globais e outros recordes televisivos.

E, reconquistando esses Cinemas Paradiso, que suas telas sejam cada dia mais “cinemascopicamente” coloridas com esses tocantes retratos da solidariedade e da amizade conquistada. E se multipliquem novamente para além dos shoppings e dos templos...

Aos meus “Colegas”, já que eu ocupava, como eles, a exceção/diferença dentro da sala de cinema, como único “corpo deficiente visível e notável”, dedico meu texto e minha total reverência. A mesma reverência a estes intocáveis que devem se tornar, por direito e por desejo, o máximo possível, INDEPENDENTES.

E, como Philippe ainda não consegui deixar minha “alma” descansar, preciso de ar e de alguém como alteridade, mesmo seja apenas um leitor ou leitora desse blog...

Não consigo muito menos descansar meu corpo dolorido e quebrantável. Ainda quero reencontrar Brenos, Ritas, Arieis, Luizes e muitos outros e outras, todos e todas já são e serão meus colegas nessa estrada aberta chamada de transitoriedade dos bons encontros.


Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade 2012/2013 (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela INTERNET ou outros meios de comunicação de massa)

FILMES CITADOS:

OS INTOCÁVEIS (Les Intouchables
) – Direção de Éric Toledano e Oliver Nakache, 2011, França.
COLEGAS – Direção de Marcelo Galvão, 2011, BRASIL – Vencedor do 40º Festival de Cinema de Gramado, RS - 2012
http://blogcolegasofilme.com /

Matérias e fontes sobre o texto na Internet:

"Colegas" vence como melhor filme do 40º Festival de Gramado http://cinema.uol.com.br/ultnot/2012/08/18/colegas-vence-como-melhor-filme-do-40-festival-de-gramado-veja-premiados.jhtm

Turma do Luiz (jovem com Síndrome de Down em Fortaleza) http://www.opovo.com.br/app/opovo/esportes/2012/08/18/noticiaesportesjornal,2902009/turma-do-luiz.shtml

Em Gramado, 'Colegas' desdramatiza a Síndrome de Down (e rompe Paradigmas/Estigmas consolidados!) http://www.dgabc.com.br/News/5975068/em-gramado-colegas-desdramatiza-a-sindrome-de-down.aspx

Síndrome de Down ganha visão cômica e livre de tabus em 'Colegas' (Festival de Gramado - SUCESSO merecido) http://cinema.terra.com.br/festival-gramado/noticias/0,,OI6078325-EI20667,00-Sindrome+de+Down+ganha+visao+comica+e+livre+de+tabus+em+Colegas.html

Filme estrelado por atores com síndrome de Down é aclamado em Gramado http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2012-08-14/publico-aclama-colegas-em-gramado.html

Mostra de cinema francês traz diversidade da produção do país http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,mostra-de-cinema-frances-traz-diversidade-da-producao-do-pais,916507,0.htm

“Os Intocáveis” toca os expectadores em estréia do Festival Variluxhttp://br.artinfo.com/news/story/819442/os-intoc%C3%A1veis-abre-hoje-em-s%C3%A3o-paulo-o-festival-varilux-de-cinema-franc%C3%AAs-que-estar%C3%A1-em-cartaz-em-33-cidades-do-brasil

Engenharia genética de bebés é uma "obrigação moral": http://expresso.sapo.pt/engenharia-genetica-de-bebes-e-uma-obrigacao-moral=f747290#ixzz23yCVDcDW

LEITURA INDICADA:

O Segundo Suspiro - Philippe Pozzo Di Borgo. Editora: Intrínseca, Ano: 2012.

Sexualidade, Cinema e Deficiência – Francisco Assumpção Jr. & Thiago de Almeida (Orgs.) – Livraria Médica Paulista, São Paulo, SP, 2008.

LEIA(M) TAMBÉM NO BLOG:

O VIGÉSSIMO PRIMEIRO DIA - CINEMA E SÍNDROME DE DOWN http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/03/o-vigessimo-primeiro-dia-cinema-e.html

CARTA A UM JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN NA UNIVERSIDADE http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/carta-um-jovem-com-sindrome-de-down-na.html

NÃO SOMOS ANORMAIS, SOMOS APENAS CIDA-DOWNS.... http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/03/nao-somos-anormais-somos-apenas-cida.html

SINDROME DE DOWN E REJEIÇÃO: UM CORPO ESTRANHO ENTRE NÓS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/sindrome-de-down-e-rejeicao-um-corpo.html

A PAGAR-SE UMA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/pagar-se-uma-pessoa-com-sindrome-de.html

12 comentários:

  1. SUA VIVENCIA NOS ENSINA A REAPRENDER A VIVER, REDIMENSIONAR A EXISTÊNCIA COMO FRUTO DE RESPEITO E PRAZER AO ENTRAR EM CONTATO COM REALIDADES MÚLTIPLAS, ONDE O OUTRO É SIGNIFICATIVAMENTE IMPORTANTE PARA O NOSSO VIVER... GRATIDÃO E ADMIRAÇÃO SÃO PALAVRAS QUE APONTAM O QUE SINTO, NUMA CONSTANTE APRENDIZAGEM!

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  2. Querida e sempre afetiva Albea
    o que me cabe é tentar ampliar as nossas sensibilidades e sensibilizações diante daquilo que chamamos de VIDA...e mais ainda para que nós, simples e mortais seres humanos, possamos compreender e buscar sentidos para nossas jornadas individuais e coletivas. Espero poder continuar contando com seu apoio e difusão destes textos do blog. MUITO OBRIGADO e receba um DOCEABRAÇO

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  3. Teodoro Lorent
    É com muita alegria no coração que partilho dessa mesma felicidade que sente hoje com o cinema mundial e nacional, Jorge!

    É como a frase do astronauta Armstrong na Lua, realmente "um passo gigante para a Humanidade!"

    Caloroso abraço,
    Téo

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  4. Parabéns pelo belo trabalho, por sua história de vida, pelo respeito a nossas crianças especiais!sou mãe de um autista e te convido a conhecer o meu blog
    http://universoautismo.blogspot.com.br/
    Que Deus continue iluminando seu trabalho!

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  5. Dr Jorge Márcio vc foi acredito um dos maiores incentivadores minha participação grupos debates internet como portadora síndrome rara Osteogenesis Imperfecta ( ossos de cristal) Sinto em cada depoimento cada troca experiência algo que me enriquesse em termo de Vida! Sua experiência incansável contribuição a inclusão participação das pessoas rotuladas Deficientes me sensibiliza com Pai Profissional Colega?! Tb dos limites fisicos! Meu site Celia Regina Deficiente Física Sera que Sou? Foi iniciado minha Vida que meus amados Pais pioneiros em OI ( partiram ano passado período 5 meses) sinto necessidade continuar nossas experiencias E ganhei muito participando Associações Eventos e Grupos e Pessoas Internet como vc! Parabens abraços Celitinha (assim minha amada Mãe me chamava) de Cristal

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    1. Celia também tenho OI e também a pouco tempo passei a me integrar nos debates e movimento que venha me acressentar mais informações e também abraçar a causa da inclusão.
      Abraços!!!

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    2. Célia Regina Vieira Bastos5 de setembro de 2012 14:16

      Claudia vejo agora sua msg!Estamos comunidade ANOI AMIGOS NACIONAIS DE OI no FACE BOOK, mis de 400 portadores,pais,profissionais da saúde!Não sei se vc jáa faz parte me add no face e entra para ANOI abraços Célia

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  6. Cara, você é o "cara"! Sou mãe de um Autista, e sofremos, assim como os Downs, o mesmo tipo de estranheza no mundo social!
    Pretendo ver êsses filmes com a mesma doçura, como a que você me
    transmitiu. Você falou como cineasta, não sei, como amante do bom cinema, mas, principalmente, como uma alma generosa e sensível.
    Deus te abençoe!

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  7. I was suggested this blog by my cousin. I'm not sure whether this post is written by him as nobody else know such detailed about my problem. You are incredible! Thanks!
    Review my website : billionaire

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  8. Caro dr Jorge! Vc é uma valiosa fonte de reflexões no FB. Se nada me fizesse participar da rede, suas contribuições frequentes e coeerentes já a justificaria!
    Obrigada mais uma vez! Tomei a liberdade de editar e colocar para que minha rede de amigos também desfrutem de suas colocações! Um abraço!

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  9. Dr Jorge, que o seu trabalho, voz e luta se espalhe por todas as pessoas para conscientização e respeito ao Ser Humano, nossos irmãos na dor, na alegria e nas doenças! Parabéns, forte abraço meu e de toda equipe do Tudo para Pessoas com Deficiência no face. Tudo Para PcD

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  10. Como sempre ,Dr. Jorge Márcio vc simplesmente arrasou com este texto.. Amo ler tudo que vc escreve. Parece que vc consegue entrar na alma de cada deficiente e transmitir para nós pais uma nova maneira de enxergar suas atitudes, seu jeito diferente....
    Parabéns!!!!!

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