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sábado, 15 de maio de 2010

DIREITOS HUMANOS COMO QUESTÃO PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA


Imagem publicada _ uma foto de três meninas de mãos e braços estendidos, em roupas cor de rosa para fazer ballet, dentro de uma sala de aula, onde uma delas em destaque é uma criança com deficiência sentada em uma cadeira de rodas, tendo ao fundo o quadro negro com os números, como afirmação através da arte e da música do processo de inclusão escolar, e da Educação como um Direito Humano fundamental. (fonte Education for All-Unesco- foto de Arthur Calasans)

Nós, mesmo vivendo nos avanços legais do século XXI, ainda somos confundidos, quando presos ao senso comum, sobre o que significam em nossas vidas as palavras Direitos Humanos.


Porém, um grande educador nos ajudou, exemplificou e nos abriu os olhos e o coração ao escrever que: “Não precisamos nem sequer tentar definir o que entendemos por Direitos Humanos, mas no momento mesmo que pensamos em Educação e Direitos Humanos, direitos básicos, o direito de comer, o direito de vestir, o direito de sonhar, o direito de ter um travesseiro e à noite colocar a cabeça nele, pois este é um dos direitos centrais do chamado ‘bicho gente’, é o direito de repousar, pensar, se perguntar, caminhar; o direito à solidão, o direito da comunhão, o direito de estar ‘com’, o direito de estar ‘contra’; o direito de brigar, falar, ler, escrever; o direito de sonhar, o direito de amar. Eu acho que estes são os direitos fundamentais, por isso mesmo comecei pelo direito de comer, de vestir, de estar vivo, o direito de decidir, o direito ao trabalho, de ser respeitado... (Paulo Freire, Pedagogia dos Sonhos Possíveis, 2001).

Sim, todos devem ter esses direitos e buscar a sua plena realização. Há uma profunda e imprescindível conexão entre sua efetivação e o direito à Educação.

Nós já ouvimos, lemos e falamos muito sobre os Direitos Humanos. A cada dia mais nós estamos nos tornando, inevitavelmente, mais conscientes de seu real significado para as nossas vidas. Mas conhecer, aprender e exercitar estes Direitos não bastará se não nos for dado o direito básico da Educação?

Neste texto, interroguei e respondi sobre o direito humano fundamental do ato de aprender e ser educado. Exemplifico: - Não fosse eu um cidadão que vivenciou, com sucesso, ensinamentos básicos de uma escola, adquiriu lá à escrita e a leitura. Lá tive bons professores (as), fui levado a um conflito dos saberes, sendo estimulado pela curiosidade (paulofreireana) para sua apropriação e o letramento, para além da alfabetização. Depois, com dedicação e esforço, tive garantido o meu acesso e permanência ao ensino superior.

Portanto, não poderia agora estar elaborando e fazendo o uso destes conhecimentos e idéias sobre o que lhes transmitir como fazê-lo e a finalidade deste exercício da transmissão de minhas idéias, se não me fosse dado o Direito Humano fundamental de estudar, ser incluído e aprender. O ser incluído em uma escola, com todas as minhas singularidades, inclusive minha afrodescendência, equipararam-me com esta oportunidade do aprender a aprender, aprender a fazer e o aprender a ser. Tive a chance que ainda é negada a milhões de brasileiros e brasileiras: a educação de qualidade, laica, pública e de qualidade.

Em um documento do IBGE o MUNIC 2009, onde se mapeia a existência de Secretarias Municipais de Direitos Humanos, fica claro que ainda caminhamos a passos lentos e com pouca vontade política: apenas 74 municípios, em um cenário de 5565 municípios brasileiros, podem ser encontrados um órgão gestor de direitos humanos. Entre estes 74 apenas 5,3% dentre os que possuem órgãos gestores de direitos humanos, sendo que em 15 municípios a secretaria é exclusiva para direitos humanos e em 59 é uma secretaria compartilhada com outras políticas sociais.

Pela primeira vez a estatística acompanha a afirmação dos Direitos Humanos e revela a distância real da municipalização destes e a sua educação, cultura e apropriação nos recantos brasileiros. Ainda nos traz a questão da Acessibilidade às sedes de Prefeituras Municipais. Se não ultrapassamos as barreiras visíveis e invisíveis nos espaços de poder público, como as pessoas com deficiência podem fazer legítimas as suas reinvidicações em políticas públicas e direitos humanos?

Há, então, para os milhares de pessoas com deficiência a indiscutível necessidade de uma educação e uma escola não excludente, não discriminatória, não segregadora ou estigmatizadora, enfim um processo educacional “diferente”, que respeitará as diferenças e a diversidade humana.

Um processo e gramática civil garantidos por lei e pela efetivação dessas leis, que afirmem um direito, por exemplo, à esta educação de qualidade e Inclusiva, entendendo que a educação é tanto um direito humano em si mesmo, assim como um meio indispensável para realizar outros direitos, constituindo-se em um processo através do qual nós caminhamos para a cidadania ativa.

Por isso devemos aprender a aprender, principalmente os educadores e os educandos com e sem deficiência, uma nova concepção que está atravessando todos os tratados internacionais de direitos. Precisamos dessa vivência pedagógica que exige implicação e dedicação, pois, a cada dia que passa em nosso modo globalizado de viver, mais temos de “proteger nossos Direitos Humanos”, como afirma Norberto Bobbio. 

São, por exemplo, os Direitos Civis e Políticos que todos deverão exercitar esse ano na escolha de nossos representantes no Executivo e no Legislativo do Brasil. É quando nossos direitos humanos deverão ser defendidos ao se limitar o poder do Governo de interferir ou de violentar nossas liberdades individuais, pelo exercício consciente de nossos votos e escolhas partidárias.

Estes direitos são universais, indivisíveis e interdependentes. São entendidos como os direitos de todo ser humano, sem distinção de raça, nacionalidade, etnia, gênero, classe social, cultura, religião, opção sexual, opção política, ou qualquer outra forma de discriminação. E se definimos a Educação dita inclusiva reafirmaremos em seu cerne estas condições de não discriminação, em especial aos sujeitos com deficiência.

Em 2006 foi promulgada uma Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que hoje é uma emenda constitucional transformada no Decreto Lei 186-2008, que tem nos seus 51 artigos uma afirmação viva dos Direitos Humanos, e no seu Artigo 24, quanto aos países que a ratificaram como o Brasil afirma que devem ser tomadas medidas para: “... assegurar que as pessoas com deficiência tenham acesso a uma educação, desde o ensino fundamental, no ensino médio e no universitário, INCLUSIVA, gratuita, em igualdade de condições com as demais, na comunidade em que reside”...

E isto significou uma mudança radical no enfoque que vinha sendo dado ao conceito de Educação como um Direito Humano das pessoas com deficiência. O enfoque ou paradigma que ainda esteve sendo aplicado às pessoas em situação de deficiência é oriundo de uma visão biomédica, onde os sujeitos com estas situações ou condições eram tratados como ‘portadores’ ou ‘ sofrendo’ de uma deficiência. 

Além de consagrar uma errônea visão destes como “doentes”. E, portanto, precisando apenas de cuidados e tratamentos médicos ou reabilitados. Não foram e, ainda não são, por muitos espaços instituídos ou por nossos cidadãos e cidadãs, reconhecidos em sua singularidade, heterogeneidades e suas pluralidades.

A mudança que a Convenção vem afirmar é a de outra e diferenciada compreensão dos direitos humanos em sua transversalidade da vida que, brasileiros e brasileiras, irão se educar e conquistar uma cidadania planetária. Ainda vivenciamos em nosso País um processo de presença ainda de segregação, discriminação e/ou exclusão de pessoas com deficiência. 

Pois como nos apontou o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2003): “O contexto nacional, historicamente, tem se caracterizado por desigualdades e pela exclusão econômica, social, racial e cultural, decorrentes de um modelo de Estado fundamentado na concepção neoliberal, no qual as políticas públicas priorizaram os direitos civis e políticos, em detrimento dos direitos econômicos, sociais e coletivos”.

Por esse contexto político é que ainda temos de buscar mudanças, para além dos paradigmas, no campo dos direitos humanos e da educação inclusiva. Mais ainda agora pelas reações conservadoras diante do Programa Nacional de Direitos Humanos III, já modificado para atender forças neoliberais, militares e de cunho religioso, em um ano de eleições presidenciais.

Devido ao fato de que, historicamente, o modelo educativo que foi oferecido às crianças e jovens, tenha sido também profundamente afetado pelo modelo de Estado citado acima, ou seja, pelo hipercapitalismo e o neoliberalismo, hoje temos que afirmar a necessidade de mudanças nas políticas públicas educacionais, assim como as que se tornam imprescindíveis para efetivação dos direitos humanos.

Há uma mudança em curso e um novo modelo de atendimento educacional especializado já ganha maiores espaços e ajuda na desinstitucionalização dos modelos de educação instituídos até agora. A Educação Inclusiva caminha ao lado dos Direitos Humanos, com uma visão a cada dia mais demolidora da visão caridosa ou meramente reabilitadora das pessoas com deficiência.

O emponderamento para a Vida Independente, por exemplo, é um dos movimentos que estão alicerçando esta mudança inevitável. O olhar dos educadores também necessitará de um estímulo à empatia e à Educação em Direitos Humanos. E, confirmando que os direitos também dependem de nossa conscientização sobre eles e sua efetivação, a cada um de nós cabe, micropoliticamente, uma participação para que esta pedagogia de sonhos possíveis torne-se uma indestrutível realidade.

(copyright/left 2011 favor citar o autor e as fontes em republicações livres pelos meios de comunicação de massa e Internet)


INDICAÇÕES PARA LEITURA –
Plano Nacional de Direitos Humanos - / coordenação de Herbert Borges Paes de Barros e Simone Ambros Pereira; colaboração de Luciana dos Reis Mendes Amorim... [et al.]. –– Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Ministério da Educação, 2003.

Programa Nacional de Direitos Humanos III – Decreto nº 7.037 – Dezembro de 2009. http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.txt

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada – Coordenação de Ana Paula Crosara Resende e Flavia Maria de Paiva Vital _ Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, 2008.

Artigo- Jorge Márcio Pereira de Andrade - Para além das exclusões: por uma Sociedade da Informação rumo a uma Sociedade do Conhecimento e das Diferenças, In Políticas Públicas: Educação, Tecnologias e Pessoas com Deficiência, Silva, Shirley & Vizim, Marli, Editora Mercado de Letras/ALB, Campinas, SP, 2003

Sites para pesquisa/informação de educadores:

Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – ONU http://www.bengalalegal.com/convencao.php

A inclusão social de pessoas com deficiência

Direitos das Pessoas com Deficiência e Inclusão nas Escolas – Artigo W. B. Ferreira
Este texto foi escrito para ser publicado em revista de circulação em bancas de jornal, por sua extensão e por questões de revisão não foi publicado, respeitando a necessidade de afirmação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência com eixo fundamental de afirmação de direitos humanos, que não pode deixar de ser citada, difundida e aplicada em nosso país. Acrescentado ao texto a importante pesquisa do IBGE sobre as Pesquisas de Informações Básicas Municipais- MUNIC 2009. (ler íntegra da pesquisa em http://portal.mj.gov.br/sedh/v2_Munic.pdf )

LEIA TAMBÉM NO BLOG - 

INTERDIÇÃO, DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E DIREITOS HUMANOS http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/interdicao-deficiencia-intelectual-e.html

ONDE NASCEM E MORREM OS DIREITOS HUMANOS

TIROS REAIS EM REALENGO - A VIOLÊNCIA É UMA PÉSSIMA PEDAGOGA?

A DIFERENÇA NOSSA DE CADA DIA, SEMEANDO A IGUALDADE DE  DIREITOS 

O RETORNO DA INTEGRAÇÃO PELA INCLUSÃO: novos muros nas escolas, fábricas e hospitais... http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2016/08/o-retorno-da-integracao-pela-inclusao.html

domingo, 6 de dezembro de 2009

POR UMA MÍDIA QUE SE PREOCUPE COM A SUA LÍNGUA...


POR UMA MÍDIA QUE SE PREOCUPE COM SUA LÍNGUA...

e as possíveis consequências ético-político-estéticas de sua responsabilidade social

InfoAtivo.DefNet 4312 - Ano 13 - 06 de Dezembro de 2009.
imagem publicada - foto da matéria jornal - com o jovem Guilherme, que é pessoa com paralisia cerebral, em sua cadeira de rodas, em um corredor onde se vêem outras pessoas caminhando em direção oposta, e uma pessoa realizando filmagem para uma mídia televisiva sobre Guilherme. Autor: Luís Félix/GES

Dizem que o melhor e fiel escudeiro de Hitler, o seu Ministro da Propaganda, Sr. Paul Joseph Goebbels, tinha como alguns porta-vozes oficiais de Governo, à mesma maneira do que ainda assistimos muitas vezes, um bordão, ou seja um clichê, ou seja uma frase de efeito dos que desejam o controle ou a mistificação através da informação. Ele gostava de afirmar que uma ''mentira cem vezes dita, torna-se uma verdade". A partir deste modelo ainda frequente na Sociedade do Espetáculo é que proponho uma preciosa crítica e atenção para o que nos é dito, escrito, lido e televisionado. No campo das minorias e marginalizados cada dia mais temos de cuidar da linguagem e dos termos de uso comum que se naturalizam, assim como os usos e costumes da moda na e da Mídia. Acho que devemos olhar o que há debaixo da língua da Mídia, quando esta faz suas reportagens ou seus informes.

O que escrevo agora é uma continuidade do que escrevi há alguns dias. Era um desejo-antevisão dos 300 que entrariam/entrarão na Universidade pela porta da frente, sem escadarias ou barreiras atitudinais, comunicacionais, de informação e de "linguagem". Era uma opinião sobre o direito de uso de ajudas técnicas, tecnologias assistivas e todas as formas de facilitação e suplementação que permitiriam a acessibilidade e o acesso de um jovem com paralisia cerebral às Provas do Enem. Guilherme Finotti fez a prova do Enem. Assim espero. Ele conseguiu sua participação, escoltado por "agentes'" do INEP e da Polícia Federal.

Me lembrei de imediato, ao ler a reportagem, das imagens de crianças negras sendo escoltadas, pelo Exército, no Arkansas, EUA, para entrarem nas escolas públicas, por ordem presidencial de Eisenhower, no árduo processo de afirmação dos direitos civis dos negros na história norteamericana. Porém há que notar nessas aparentes cenas superpostas no meu imaginário, que lá, em 1957, entravam pelo menos umas 10 ou mais crianças nas escolas 'only for White', e aqui, nesse momento histórico, estamos com um (01) jovem gaúcho com paralisia cerebral, escoltado, que fez sua autodefesa e não teve nenhuma determinação presidencial para que lhe 'abrissem todas as portas da Educação'... A ele não foi negado o acesso, em princípio, mas sim negado que ele tem e terá sempre algumas diferenças a serem respeitadas e reconhecidas.

Depois, no auge do movimento de direitos civis de negros, o presidente Kennedy, nos anos 60 confirmou essa cena, quando teve de colocar também o Exército, para garantir a entrada e permanência de a necessidade de 01 cidadão negro à Universidade, em um estado sulista e reduto da KKK (Ku-Klux-Klan), o famoso Mississipi (em chamas). O seu governo tinha de cumprir uma determinação de 1954, quando a Suprema Corte, respeitou o posicionamento de seu juiz Earl Warren, que afirmou: "A segregação de crianças em escolas públicas baseada apenas na raça, mesmo que as instalações físicas e outros fatores sejam iguais, privam as crianças do grupo minoritário de oportunidades de igual educação? Acreditamos que sim (...) no campo da educação pública a doutrina "separados, mas iguais" não tem mais lugar. Escolas separadas são intrinsecamente desiguais. Além disso, defendemos que os litigantes e outros que estejam em situação semelhante (. ..) estão, pelas razões de segregação alegadas, [privados da igual proteção das leis e da 14ª Emenda]" (tradução livre) (1).
O que ficamos sabendo pela mídia, e que foi divulgado, muito ajudou a mudar a história de Guilherme. Nesse ponto reafirmo a responsabilidade da socialização de todos os acontecimentos, fatos ou dados. Obviamente sem o sensacionalismo e as distorções que uma notícia pode ela, sim, sofrer.
No século passado, a principal demanda era poder entrar, no caso norte-americano, nas instituições de ensino segregantes, o que assistimos hoje é um outro momento, mas ainda segregante quando um sujeito com deficiência desejava apenas fazer uma prova, com os devidos apoios de um computador E TECNOLOGIAS ASSISTIVAS. (LEIA O TEXTO publicado, EM 17/11/09, aqui no blog- "Seremos 300? Um pc para cada PC... - iNFOATIVO.DEFNET Nº 4303).

Será importante para a mídia, do jornal local ao Jornal Nacional, esclarecer e elucidar que ele, assim como outros jovens e crianças, NÃO SOFREM DE OU COM A PARALISIA CEREBRAL, pois esta condição neuro-psicomotora e física, não é motivo de sofrimento contínuo e progressivo.
A paralisia cerebral dele é decorrente de possível situação de má oxigenação de seu cérebro, ocorrida antes, durante ou depois de seu parto. É preciso dizer e publicar que seu Sistema Nervoso Central, ou seja seu cérebro, tão aficcionado à Astronomia, por mais que tenha uma lesão do passado é o mesmo que lhe leva hoje a tentar entrar para a Uni - diversidade. Muito embora, se saiba que a sua condição diversa e diferente lá também encontrará, sem dúvida,muitas barreiras.
Há sofrimento quando um sujeito, como ele, é visto como único responsável por sua condição e incapacidades, e não o que lhe foi imposto a partir das limitações e das barreiras que lhe foram e são impostas pela sociedade e o meio que o cercam. E o cercam literalmente.

Recomendo que conheçam uma história de um outro jovem com paralisia cerebral, que também teve barreiras enfrentadas e demolidas. Assistam ao documentario: KING GIMP. É o resultado de trabalho sério e dedicado de 12 anos, nos quais dois cineastas acompanharam e filmaram a vida de Dan Keplinger. Hoje ele é um reconhecido artista plástico, e para tal é só acessar seus trabalhos em: http://www.kinggimp.com/film.html (site com versão acessível), com uma história de vida e determinação, daí ser nomeado um Rei Coragem, apesar de Gimp também significar 'aleijado'. Os cineastas, Susan Hadary e Willian Whiteford, ganharam o Oscar de melhor documentário em 2000. Dan usa uma ponteira na cabeça tanto para fazer o roteiro desse documentário premiado, assim como ainda hoje para digitar e fazer suas obras de arte. Pela matéria do jornal, podemos saber que também Guilherme utiliza uma ponteira para estes fins. As suas 'artes' e intervenções são em outros campos. Elas porém precisam de ajudas técnicas e de tecnologias assistivas para serem transformadoras. Vejam e ouçam o King Gimp. O documentário já foi exibido com legendas na HBO, quem sabe um dia entrará nos canais abertos?
A similitude entre Dan e Guilherme, porque foram veiculados em canais de mídia, é que ambos persistiram, com os indispensáveis apoios de outras pessoas, inclusive de familiares, para que as barreiras, de todo tipo, fossem superadas e removidas de seu caminho educacional. Mas estas barreiras não são removidas facilmente. Nem mesmo a existência de leis, como o Decreto 5296, assim com a recente Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto 186-08), tem providenciado, como por exemplo atitudes de respeito às mesmas, pois até nossos gestores, governantes e representantes legislativos ou executivos, quicá o judiciário, tem feito O QUE É POSSÍVEL, a não ser nos seus espaços dedicados apenas a pessoas com deficiência. AFIRMAMOS QUE O ACESSO E A ACESSIBILIDADE TEM AMBOS SUA INTERDEPENDÊNCIA, como DIREITOS HUMANOS, e uma exigente implantação e realização dessas leis e direitos.
Basta o exemplo de Guilherme, que precisou de muita luta para estar na prova do Enem. Lembrando que ele, apesar de não conseguir guardar dólares nas meias ou cuecas, ficou numa sala 'cercado de agentes'. Talvez essa proteção, além do risco dele 'colar' pelo computador, tenha sido por sua 'periculosidade imanente". Ele e os supostos 300 que virão empurrar as portas fechadas das Universidades brasileira, nos dizem que é IMPOSSÍVEL DETER A 'ONDA', A TSUNAMI DE TRANSFORMAÇÃO DOS DIREITOS SAINDO DO PAPEL, apesar da VONTADE, NA SOCIEDADE DE CONTROLE, de fazê-lo. Eles e suas diferenças estão chegando e sonho, como Martin Luther King, serão incluídos em todos os espaços sociais.
Cada dia mais novas brechas e novos ares estão se abrindo para nossas mentes e corações. Aí, nesses interstícios e espaços de liberdade, como as 'extintas' rádios-livres, é onde deveríamos e devemos manter nossas revoluções moleculares contra todas as barreiras, todas as formas de discriminação ou segregação. As similitudes de imagens, histórias ou de desejos poderá ainda ser maior se, no mundo das mídias, houvesse uma preocupação ética-política e estética. Se na Idade Mídia não mais se transmitissem, reforçassem ou naturalizassem os preconceitos. Isso vale também para todos e todas que militam ou atuam em defesa dos direitos das pessoas com deficiência ou outros sujeitos em discriminação ou segregação. Nós também estamos imersos, ou até submersos, na mesma sociedade que desejamos mudar...

HÁ QUEM AINDA ACREDITE QUE SE ESTÁ FAZENDO O MELHOR, "DENTRO DAS POSSIBILIDADES", QUANDO AJUDAMOS A VIDA DE GUILHERMES OU DAN, ESSES SERES APARENTEMENTE PARALISADOS, USANDO DAS MUITAS LÍNGUAS E PODERES QUE UMA MÍDIA PODE TER... MAS SE ELA NÃO CUIDAR DE SUA FORMA DE USO DESTAS LINGUAGENS, DA ESCRITA, DA IMPRENSA, INDO DA TELEVISÃO AO CINEMA, O QUE ESTAREMOS FAZENDO É 'PROPAGANDA'. O QUE ESTAREMOS REPETINDO É A POSIÇÃO DO VELHO MINISTRO NAZISTA, MESMO QUE SUBLIMINARMENTE. ESTAREMOS COLOCANDO, POR EXEMPLO, O SOFRIMENTO ONDE NUNCA DEVERIA ESTAR NA PONTA DA NOSSA LÍNGUA: A FAMOSA VOX POPULI. EXPLICO: POR EXEMPLO NESSA REPORTAGEM, SE O GUILHERME "SOFRE DE PARALISIA CEREBRAL", PARA ALGUNS CIDADÃOS E CIDADÃS QUE LERAM O JORNAL DIÁRIO CANOENSE, ESTÁ IMPLICITA A SUA CONDIÇÃO DE ' DOENÇA' OU 'INVALIDEZ', QUE DE IMEDIATO SE CONSTROE COMO UMA VERDADE COM ESTA LINGUAGEM E TERMINOLOGIA. MAS ELE NEM É PORTADOR E NEM É UM SOFREDOR DE UMA DEFICIÊNCIA. AS DEFICIÊNCIAS NÃO SÃO DOENÇAS, NEM PRECISAM DE NOSSA CURA OU PIEDADE.

O QUE PRECISAMOS, então, DESTA MÍDIA? PRECISAMOS, URGENTEMENTE, É QUE DOBRE A SUA LÍNGUA E RE- DIGA:

JOVEM COM PARALISIA CEREBRAL, POR SEU ESFORÇO E DETERMINAÇÃO, REALIZOU HOJE A PROVA DO ENEM.
Guilherme Finotti utilizou um teclado adaptado e poderá entrar na Feevale.


AOS NOSSOS CINEASTAS, JORNALISTAS, MIDIATIZADORES E TODOS QUE TRABALHAM COM A COMUNICAÇÃO E OS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO DE MASSA, UM ÚLTIMO APELO: PROCUREM OS PRÓPRIOS SUJEITOS COM CONDIÇÕES HETEROGÊNEAS E DIVERSAS DE SER E ESTAR NO MUNDO, A EXEMPLO DOS QUE COSTUMAM, POR FALTA DE ESPAÇO NO JORNAL, SEREM DENOMINADOS DE DEFICIENTES, PARA LHES AJUDAR A MUDAR SEUS PRÉ-CONCEITOS....
Pessoas em situação de deficiência vivem uma diversidade funcional, que podemos afirmar lhes permite, para além das limitações visíveis ou invisíveis, ultrapassar o que lhe impomos como barreiras. Mas estas só caem se retirarmos o nosso tijolinho, de cada um, de preconceito, o qual ajudamos a sedimentar nesse novo/antigo e renovável muro da exclusão e da desigualdade.

PS- Não seria interessante que alguém começasse a acompanhar a historia e a trajetória do Guilherme? Quem sabe um dia alguém possa dizer que o viu na telinha da Globo ou da Band? E o melhor ainda é que ele possa ser visto "por cegos", ouvido "por surdos", entendido "por pessoas com deficiência intelectual", e até pelos surdo-cegos, que conseguem afetar-se pelo seu "tato" e sensibilidade, quando distribuídas, garantidas e mantidas as tecnologias, com indispensável audiodescrição e o desenho universal nas telecomunicações. Bem como, quando nosso Ministro das Comunicações, não repetindo o Ministro da Propaganda do passado, lembrar que NÃO PODEMOS NOS OMITIR E MENTIR SOBRE DIREITOS JÁ GARANTIDOS NA LEI, PARA ALÉM DE QUAISQUER PRESSÕES GLOBAIS OU INTERESSES POLÍTICOS... E nesse passo oferecer e garantir acesso a todas as forma de comunicação e todos os avanços tecnológicos que garantirão a ACESSIBILIDADE UNIVERSAL, da Escola, da Rua, da Cidade, da Internet e todos os espaços onde a vida EXIGE MOVIMENTO. jorgemarciopereiradeandrade copyright 2009-2010.

1 No original : "Does segregation of children in public schools solely on the basis of race, even though the physical facilities and other "tangible" factors may me equal, deprive the children of the minority group of equal educational opportunities? We believe that it does... in the field of public education the doctrine of "separate but equal" has no place. Separate educational facilities are inherently unequal. Therefore, we hold that the plaintiffs and other similarly situated... are, by reason of the segregation complained of, deprived of [equal protection of the laws under the Fourteenth Amendment]". In: COOTER, Robert D. The Strategic Constitution. Princeton: Princeton University Press, 2000. p. 336

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MATÉRIA VEICULADA NO JORNAL DIARIO DE CANOAS 05/12/2009
Hamburguense com paralisia cerebral faz a prova do Enem na Feevale


O pai de Guilherme Finotti também responde às questões do Exame Nacional do Ensino Médio.

Novo Hamburgo - O estudante hamburguense Guilherme Finotti, 17 anos, que tem paralisia cerebral, realiza neste sábado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Centro Universitário Feevale. Sem outros estudantes na sala, o jovem tem a companhia de agentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e da Polícia Federal durante a prova, que ele responde em um computador.
Seu pai, Luis Carlos Finotti, também fez o Enem, porém, no Colégio 25 de Julho.
Guilherme lutava há meses para prestar o exame em condições especiais, com computador, mouse, a colmeia (que protege o teclado para quem sofre de paralisia cerebral) e a ponteira, utilizada para acionar os botões
. http://www.diariodecanoas.com.br/site/noticias/ensino,canal-8,ed-149,ct-730,cd-231899,manchete-true.htm#