sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O DIREITO A DOIS CADERNOS, QUAL É A NOSSA PREFERÊNCIA? Incluir e/ou Excluir?

Imagem publicada – uma fotografia colorida de um mural, em um prédio, no Bairro da Liberdade, São Paulo, SP, com 08 cachorros diferentes, de cores diferentes (azul, laranja, rosa, verde, amarelo, vermelho, laranja com marrom nos olhos), segurando dois grandes cartazes, onde está escrito: EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS e ACABAR COM A FOME E A MISÉRIA, com um poste à esquerdade PROIBIDO ESTACIONAR, com prédios desenhados ao fundo e nuvens, na direita um osso desenhado com a autoria do mural -foto de meu arquivo pessoal.)

“... a discriminação negativa não consiste somente em dar mais àqueles que têm menos; ela, ao contrário, marca seu portador com um defeito quase indelével. Ser discriminado negativamente significa ser associado a um destino embasado numa característica que não se escolhe, mas que os ‘Outros’ nos devolvem como uma espécie de estigma...” (A Discriminação Negativa – Cidadãos ou Autóctones? Robert Castel, 2008).

Somos nós, os Outros, como grifei no texto de Castel, que temos a alteridade e a também certa autoridade para forjarmos a exclusão desses diferentes de nós.

Peço desculpas aos meus leitores e leitoras, desde junho não conseguia escrever para vocês. Minha própria auto exclusão se fazia motivo de meu silêncio de escrevinhador. Sim, escrever é um ato doloroso e espinhoso, parece fácil, mas não é como a simplificação do que fazemos diante dos nossos cotidianos como excludentes, não como excluídos.

Resolvi revirar meu baú de textos, estava com a reflexão sobre as multidões que vivemos recentemente. Fui passear há 11 anos atrás, em 2002, quando publiquei um texto, em fevereiro, como o título: O Direito a dois cadernos. Vou reproduzi-lo, parcialmente, e tentar reacender e reviver o momento que o desencadeou. Caso encontrem algumas coincidências é mera responsabilidade de todos nós como autores, atores ou espectadores, ou melhor, se fôssemos espect.-atores.

CENA 1 – Supermercado da Rede SUPER. Uma grande cidade, uma metrópole. Um menino. Uma fila de consumidores. 01 Caderno e uma 01 caixa de ovos. Um olhar.

Há dias, escrevi lá no passado, venho me questionando acerca da literatura, principalmente do uso pouco criativo, na televisão e na vida de todos nós, do visionário e escritor George Orwell (1903/1950). É o conhecido autor do romance ‘1984’. O Grande Irmão (Big Brother) naturalizou-se e foi banalizado. Mas uma vez a Sociedade do Espetáculo e do Controle nos enfeitiça e domina. Outra vez a mais não olharemos para outros monitores ou tele telas que nos seduzem.

Indagava-me há tantos anos o mesmo que agora, diante de um mundo pós-Snowden, sobre os nossos modos de ver e se distanciar do que Bauman chama de “vidas desperdiçadas”, ou seja, o que ele chama de ‘refugos humanos’, ou melhor, os seres humanos tornados descartáveis, como efeitos de nossas novas economias neoliberais do hipercapitalismo.

Voltemos, então, a Cena 1: Eis que estou, como natural que é, numa fila de consumidores, dentro de um supermercado. Obedientemente empurrando o meu carrinho de compras, poucas. Olho em volta e tudo é estímulo para o consumo. Novas marcas, novos marketings, novas seduções, novos e brilhantes produtos embalados.

Lá fora, na porta de entrada, a violência explícita (o olhar fiscalizador dos seguranças). No perímetro do caixa, limite e limitação, meu olhar consumido é despertado. Passa um garoto, sandálias de borracha, calças curtas e olhar vago ou pedinte (ainda não encontrei outros modos de descrevê-los). Visivelmente pobre, visivelmente empobrecido, visivelmente excluído (como o que nos disse Castel).

Ele traz nas mãos: 01 (um) caderno espiral, desses de 200 folhas e uma 01 (uma) caixa de ovos tipo extragrande. Ele passa e pede aos participantes das filas: - “Moço, moça, paga para mim essas coisas...”.

Todos olham, se entreolham, disfarçam, ele passa, o Supermercado está lotado. É dia do pagamento dos assalariados. Como já naturalizamos também nossa permanência em filas (Bancos, Correios, INSS, Loterias, Hospitais, etc...), ele passa... Ele se afasta. Em seguida abandona o caderno numa prateleira de papel higiênico. E continua a sua peregrinação suplicante. Os autorizados na fila enfileirados, ordeiramente, apenas nos entreolhamos de novo.

CENA 2 - A caixa do supermercado, a fila, o olhar desconfiado, a insegurança.

Eis que surge a pérola que me fez pensar sobre os 02 (dois) cadernos: uma mulher, negra como eu, também excluída como alguns ali presentes, mas que não se deu conta, ainda, da sua condição, olha para algumas pessoas enfileiradas e se justifica: -“se ele tivesse apenas pedido os ovos, eu até pagaria...”

CENA 3- 01 (um) Outdoor enorme, uma imagem de um computador e seu processador de dados, uma família reunida em torno dele, felizes.

O outdoor anuncia a chamada para o lançamento da Intel e do novo Windows, com uma frase rica de significados e significantes: “INVISTA NO SEU FILHO, ELE PODE RENDER UM GÊNIO”. Lá estão estampados uma menina, um menino, um laptop e o rosto de Einstein (sem a língua para fora!).

Autorizei-me, e ainda não me arrependi, em ‘compartilhar’ minhas indagações surgidas desse encontro triste. A primeira é: qual é a minha, a nossa dívida para com estes meninos e meninas que estão nessa situação de rua?

Vocês primeiro interrogaram se eu paguei os ovos ou o caderno? Eu também não paguei os ‘dois’ cadernos que o menino (a) trazia na mão. Eu também não retruquei à senhora que falou da sobre a escolha (que não era de Sofia). E, mais ainda, não me indignei, naquela hora, com toda essa situação. Por quê? Temor da atitude grosseira dos seguranças que expulsam essas crianças desses espaços?

Não, apenas era mais um nessa fila dos que pensam: quem sabe isso é uma ‘pegadinha’. Ou pior, no modelo panóptico e paranoico do orwelliano 1984, não agir é porque não estamos em uma gravação feita por uma câmera de segurança, ou uma câmera de televisão que nos mostrará para todo o país. Não me sentia, naquele instante, diante do refugo social, tão ‘global’ ou minimamente solidário.

Era, ou melhor, continua sendo, apenas mais um na fila. Era, lamentavelmente, e continua sendo apenas uma cena ‘local’. Triste, repetitiva e banalizada. Ou seja, natural, comum, rotineira, cotidiana, sempre igual. Mas a visão não é do antigo Big Brother, que estava, segundo Bauman, “preocupado em ‘incluir’ – integrar, colocar as pessoas na linha e mantê-las assim...”.

No nosso reality show pós-moderno estamos aplicando um novo Big Brother. Sua função e eficácia é a Exclusão. Como diz o sociólogo para: “identificar as pessoas ‘desajustadas’ no lugar onde estão, bani-las de lá e deporta-las para o lugar ‘que é delas’, ou melhor, jamais permitir que se aproximem...”.

CENA 4 – A caixa reclama, o segurança age, a fila permanece, e todos e todas pagam suas compras.

Acho que apenas alguns se interrogaram: Meninos e meninas com fome de quê? Eram 22 (vinte e duas) horas e o Supermercado Brasil estava fechando suas portas, para que os telespectadores da vida pudessem assistir ao ‘’Big Brother” da Rede Globo, em dobro. Um último olhar do consumidor me lembra na porta: “Sorria você está sendo filmado”... Estamos, enfim, seguros e vigiados.

Ora, ora, alguém vai perguntar: hoje nessa nossa evolução social e econômica não retiramos esses refugos da marginalidade, da fome e das ruas?
Porém, hoje, estou renascendo de minhas próprias cinzas escrevinhadoras para lembrar que já naquela época estive, também, anestesiado. Mas, entretanto, contudo e todavia tenho que lembrar também que já me indagava sobre as cenas e sua relação com as pessoas com deficiência.

Me perguntei se naquela cena dos pedidos à fila do supermercado, numa nova classificação sobre deficiências, se o ‘menino(a)’ pedinte não poderia ser ‘incluído’ como uma criança em situação de deficiência. Quem sabe, talvez, pela naturalização os ovos seriam pagos por mim ou outro ‘filante’, como manifestação de piedade ou caridade? Quase certo que sim, pois estávamos em um ambiente, como os shoppings de hoje, ‘totalmente seguros e assegurados’.

Não nos encontrávamos, fechando os vidros dos carros, nos cruzamentos das ruas, nos semáforos. E o pedido de pagamento não era um pedido de resgate, apenas, nos gerava aquela repulsa ou preconceito que já deixamos lá no cantinho dos nossos inconscientes.
Afinal para quê alimentar de ‘ luz’ àqueles que só reclamam de um ronco na barriga? Nós, os da fila, não acreditamos ainda na dicotomia entre intelecto, aprendizagem e estômagos?

Enfim, tudo isso que escrevi e refleti são apenas ‘cenários’? Ou seja, será que ele só inventou ou é apenas uma ficção ‘real’? Tudo isso foi, é e continuarão sendo cenários para falarmos de uma exclusão que está imbricada com a inclusão. A existência das fomes, todas as fomes, principalmente aquela que preocupava Paulo Freire, a educação, como um direito inalienável dos cidadãos e cidadãs, acaba sendo denunciada pela a sua ausência.

Recentemente, uma ameaça partida de não sei onde, gerada por interesses que não sei de quem, mas todos, excepcionalmente, sabem, fez um termo velho, ‘preferencialmente’, ser motivo de uma grande e polêmica disputa. Os meninos ou meninas dos Supermercados Brasil, mais ou menos uns 03(três) milhões, fora da escola devem ser ‘incluídos’, preferencialmente, em uma escola especializada em prevenção de futuras atitudes violentas ou transgressoras? A fundação que cuida deles e delas não é chamada também de centro de reabilitação? Essa fundação não é uma escola ‘especial’?

Voltemos, enfim, às cenas e às suas interrogações necessárias. Disse no passado e agora confirmo: - é aí que surgem as exclusões sociais e os discursos que as legitimam. Na pobreza e na miséria, humanas, dizem que quem tem um “ovo” torna-se rei, é soberano. Portanto, para quê os da fila se indignarem com essas exclusões? Para quê precisamos de cadernos de papel? Os direitos não são, também, de papel?

Por essas perguntas que não tenho o dever de responder sozinho, já que a gramática que pode mudar radicalmente os paradigmas não aceita ser apenas preferencial e exclusiva, é que insisto e lanço mais uma pergunta: Porque não damos 02(dois) cadernos, o de papel e o digital, para todos os meninos e meninas, com ou sem deficiências (inclusive as sociais), para que juntos, com todos os recursos e respeito às suas singularidades, exatamente por suas diferenças, eles e elas não tenham de escolher apenas um caderno? Ou não queremos quebrar esses ovos?

 Ou então, para acabar com as querelas e continuar na fila, com os corações blindados e as mentes capturadas, vamos distribuir, preferencialmente, à mão cheia, um único caderno onde se escreve repetidas vezes: - Eu não sou parte daquele show, eu não pertenço àquele mundo, eu sou do time que fica de fora, muito embora me convidem para uma breve passagem pelo grande campo, também excludente, chamado de Inclusão.

Já mandamos restaurar os nossos sofás que recentemente foram parcialmente danificados pelas imagens teleguiadas, porém vandalizadoras daqueles baderneiros que queriam erradicar, radicalmente, essas exclusões?  Não se esqueçam de que a rede social dos Supermercados Brasil está promovendo, com toda segurança, o lançamento do meio de controle de nossas necessidades básicas: o ‘embolsa tudo’. Com satisfação e gozo garantidos, sem ter qualquer dinheiro de volta.

AVISO AOS NAVEGANTES (também chamados hoje, pós tempos de espionagem virtual e até presidencial, after Snowden, de cidadãos e cidadãs de ‘vidro’, ou seja, total e amplamente transparentes para o Estado e o Mercado): quem encontrar um menino ou menina pedintes de ovos e/ou cadernos favor me avisar por meio das nossas redes includentes e cibernéticas, muito embora saiba que ainda resta um grande número deles que não sabe nem o que é Internet.

Copyright/left – favor citar o autor e as fontes, mesmo as inexistentes, em republicações livres pela Internet e outros meios de comunicação de massa (ou serão multidões?)

INDICAÇÕES PARA LEITURA CRÍTICA –

A DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA – CIDADÃOS OU AUTÓCTONES? , Robert Castel, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 2008.

VIDAS DESPERDIÇADAS – Zygmunt Bauman, Editora Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, RJ, 2005.

LEIA TAMBÉM NO BLOG –

O RETORNO DA INCLUSÃO PELA INTEGRAÇÃO: Novos muros nas Escolas, Fábricas e Hospitais.


INCLUSÃO/EXCLUSÃO: DUAS FACES DA MESMA MOEDA DEFICITÁRIA? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/02/inclusaoexclusao-duas-faces-da-mesma.html


A PARÁBOLA DA ROSA AZULhttp://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/05/parabola-da-rosa-azul.html

8 comentários:

  1. Certamente muitos olham as mesmas coisas e elas não dizem nada aos mesmos, quer por ignorância, insensibilidade, ou meramente por se sentirem apenas mais um na fila que segue o fluxo de: fazer o que e para que? É assim mesmo, a SOCIEDADE tem excluídos e nós, cidadãos comuns não "podemos mudar o rumo"... Ontem, à tarde , quando estava lecionando PORTUGUÊS, numa escola numa cidade da Baixada Fluminense, onde tenho alunos com Síndrome de Aspenger, uma funcionária disse: -Queria que todos os alunos fossem como ele, referindo-se a um aluno de 16 anos, dó último ano das séries, que estava deitado nos bancos distribuídos pelo grande pátio, esperando sua mãe chegar, visto que já estava de saída... Ela referiu-se ao não incômodo, a não ser bagunceiro, ser um aluno que interage mas sem causar "transtorno"à unidade escolar e ao bom andamento diário, segundo a mesma. Falei como ele é importante para a unidade, não pelo fato de agir e reagir no grupo, mas na interação que interfere sobre o "olhar das pessoas"... Ficou pior, ela perguntou-me:-Mas, professora Albea e lá no futuro, eles vão seguir e vão ser o que?
    Tentei diante de tal ignorância e incredulidade sobre SER GENTE daquele rapaz, estudioso, com família participativa (tão raro) em escolas públicas, que o destino dos próximos passos caberia ao tempo dizer, mas que ele e sua mãe não desistiriam jamais e isso era o fundamental!
    Essa história é para lembrar dos ovos, do caderno e da fila quilométrica que nos conduzem ao "lugar comum" de que as coisas CORREM OS RUMOS PRÉ-DETERMINADOS... Isso não é verdade , quaisquer interferência que façamos pode ser significativa, naquele instante de paralisação ou em outro momento, visto nascer um texto tão significativo como este, que nos leva à reflexão sobre os nossos olhares incrédulos e excludentes numa sociedade de consumo e dilaceração.

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    1. QUERIDA ALBEA
      O seu comentário, mais uma vez, traz uma contribuição à reflexão dos meus leitores e leitoras, principalmente pela sua experiência e vivência na educação pública e no direito inalienável à essa proposta inclusiva e de qualificação do atendimento escolar especializado... Temos ainda muito que realizar para sairmos dessas ''filas'' tão naturalizadas quanto banalizadas, principalmente na promoção de uma crítica e propostas daí decorrentes sobre nossa posição de apenas consumidores BBB e não de espect atores das nossas vidas... E que novamente possamos ver as multidões que rompem filas e normalizações provocando a diversidade e a multiplicidade em ato... um doceabraço e volte sempre com suas visões e vivências por aqui... jorge marcio

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  2. Acho que sou mesmo uma desajustada.
    Meus olhos brilhariam diante do caderno na mão do menino.E sendo como sou, talvez um ser de outro planeta, eu passaria a compra do garoto. Não porque sou temente à algum deus mas sim pela alegria de investir num possível gênio mesmo que ele não seja meu filho.Porque afinal, se somos todos uma só humanidade, não posso fechar os olhos às necessidades alheias.E não costumo me perguntar se as necessidades são pertinentes ou não, mas neste caso eu não teria dúvidas.Mas como eu disse no começo, sou uma desajustada!

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    1. Querida e PRECIOSA TURMALINA
      Que façamos sempre parte dessa ''turma'' de desajustados e de incomodados com nossas posições cristalizadas ou engessadas pelos processos de produção de subjetividade geradas por um mundo hipercapitalista... tenha certeza de que o caderno não foi esquecido junto à pilha de papel higiênico.. e que talvez, 11 anos depois, essa criança esteja incluída em algum banco escolar, mesmo que precário.... E continue apostando na mudança, mesmo que aparentemente invisível, pois nossas ações micropolíticas é que propiciam a chamada revolução molecular que nos empurra rumo a uma outra forma de viver e de conviver... UM DOCEABRAÇO jorge márcio

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  3. Eu vi as cenas e as lágrimas caíram dos meus olhos. Não pude contê-las... Há dias em que sinto a grande distância para atingirmos o patamar da HUMANIZAÇÃO. O caderno representou para mim o sonho do garoto de mudar seu destino devido a falácia de que a escola é responsável para se migrar de classe social e a educação é para TODOS. A caixa de ovos representou a esperança de "matar" a fome real da carne... O garoto representou os excluídos e ao mesmo tempo o "irmão" que é divulgado nos Templos. É muita hipocrisia!

    O texto é perfeito quando afirma que dificilmente falamos e agimos para minimizarmos a DEFICIÊNCIA SOCIAL.

    Um super abraço para você meu amigo querido!

    Ana Floripes Berbert

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  4. Muito bom seu texto!!! Como menciono nas aulas que ministro, principalmente para Professores" não dá para incluir sem pensarmos em alteridade" Como vemos o Outro e se esse Outro exerce qualquer importância para nós! Grande abraço!

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    1. Cara Elaine
      obrigado por sua leitura e por seu comentário, e fico contente que uma professora, uma educadora e uma ativa criadora de alteridades tenha captado minha mensagem de desejo de inversão total do temor ao Outro, buscando na educação e no convívio da escola a inclusão desses meninos e meninas ainda invisibilizados por nosso mundo globalizado e hipercapitalista, a abertura de brechas para outros combates a outras e múltiplas exclusões e desfiliações sociais. Um doceabraço jorge márcio

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  5. Li teu texto e me lembrei as várias vezes em que lanchando ou almoçando, via crianças cheirando cola do outro lado da rua ou me pediam dinheiro - eu pedia lanche e refrigerante para eles, sentindo-me mais inteira e fazendo daquele momento uma inclusão. Quando almoçando, pedia ao garçom que desse o que tinha me servido junto com refrigerantes aos meninos do outro lado da rua. Muito estranho eu almoçando e eles cheirando cola. É a sociedade injusta. Hoje, estou angustiada porque ainda não achei uma forma de fazer mais para esses excluídos da "festa". Sei bem o que é ser excluída.
    Abraço aconchegante.

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