terça-feira, 2 de março de 2010

GRACIAS A LA VIDA EN EL CHILE


imagem publicada - uma mulher olha e segura a Terra com as duas mãos, garantindo que possamos buscar um outro olhar ecosófico para com nossa Terra mãe.

- Nas águas de Março, quando a Terra ainda é trêmula...

O Haiti nos avisou. O Chile nos alerta mais um pouco. A terra continua se movendo, sob nossos pés, como um bicho que se move sob a areia. E nós precisamos nos lembrar de nossa frágil, ora triste, ora alegre e bárbara figura sobre ela. Ao menor ruido de seu ventre e mudanças de suas placas tectônicas, nós viramos frágeis corpos que temem e tremem com a GAIA.

Estou me lembrando de dois nomes poéticos e vivos em meu coração. Os dois ecoam o Chile em minha própria história, sendo ecos de um tempo em que poesia tinha cárater militante e de revolta. Me lembro primeiro de uma mulher que nos legou uma das mais belas canções latinoamericanas: Gracias a la Vida.

Me refiro a Violeta Parra (Violeta del Carmem Parra Sandoval), uma artista quase completa, indo da música, como compositora e cantora, até às artes plásticas como ceramista. A ela associamos, os que viveram os Anos de Chumbo das Américas Latinas amordaçadas por ditaduras e outras violências políticas institucionalizadas. Muitos cantaram Gracias a La Vida como um hino de resistência e de resiliência diante dos muitos momentos de tristeza ou frustação gerados nos anos 70.

Violeta foi uma madre chilena que nunca se afastou de seus dois filhos, e só abandonou a vida pela dupla decepção com o seu projeto não realizado de um espaço comunitário e rico, assim como um amor pleno de paixão. Uma tenda comunitária, onde a cultura e o folclore do povo chileno seriam e teriam sua própria vida. Um amor que não se cansasse de amar e de cantar a vida. Sua memória é um bom lembrete para o caminho rumo ao Dia Internacional da Mulher que se aproxima. Ela cantou e recantou a Vida.

Mas para cantar a terra, o charco, o deserto e também o momento de terra trêmula do Chile é preciso convocar outra paixão poética: Pablo Neruda. Ainda não vi ou ouvi ninguém lembrando que a terra que agora foi, novamente, arrasada pelo terremoto e os tsunamis é a pátria deste homem e da mulher cantante. E não posso deixar de lembrar uma poesia, traduzida por Thiago de Mello, que tenho em um velho ( e guardado a sete chaves) livro de ANTOLOGIA´POÉTICA de Neruda.

A VOCÊS E AO POVO DO CHILE dedico este espaço, pedindo licença ao homem do Chile que confessou ter vivido, para espalhar seu canto e poesia:

QUANDO DE CHILE (Pablo Neruda)

Ò Chile, larga pétala
de mar, de vinho e neve,
ai quando
ai quando e quando
e quando
me encontrarei contigo
me enrolarás tua fita
de espuma branca e negra na cintura,
desencadearei minha poesia
sobre o teu território...
...Existem homens,
Metade peixe, metade vento,
outros homens existem feitos de água.
Eu estou feito de terra.
Vou pelo mundo
cada vez mais alegre:
cada cidade me dá VIDA NOVA. O MUNDO ESTÁ NASCENDO...
...Ai pátria sem farrapos,
ai primavera minha,
ai quando
ai quando e quando
despertarei nos teus braços
empapado de mar e orvalho...


Posso então Volver a los 17..., e quem sabe sofrer de outros Tremores e Temores
. Meu momento é de cantar a vida, para além da imobilidade e das restrições e sofrimentos ou penúrias. É o momento de um CANTO GERAL, que ecoe sobre toda a Terra. Um canto lembrando Parra/Neruda e seu desejo que o Chile não volte aos seus anos de Pinochet ou de opressão, avançando na direção de uma nação/povo que saiba também renascer de seus próprios escombros...

E se, na minha imaginação, Neruda pudesse ser o Carteiro de Violeta..., a história de amor à vida desta sensível poetisa e cancioneira poderia ter outro desfecho?

E O HAITI CONTINUA PRECISANDO DE UM MOVIMENTO VIVA O HAITI VIVO... e eu canto GRACIAS A LA VIDA EN EL CHILE,,,

FONTES:
VIOLETA

http://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_Parra
GRACIAS A LA VIDA = MERCEDES SOSA -
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I
PABLO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda
http://www.fundacionneruda.org/
O Carteiro e o Poeta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Il_postino

publicação do INFOATIVO DEFNET 4355 - Ano 14 

Antologia Poética - Pablo Neruda - Editora Letras e Artes - Rio de Janeiro - 1964 ( tradução Thiago de Mello)

LEIAM TAMBÉM NO BLOG -
OS DESASTRES, OS HAITIS E AS SERRAS NO HIPERCAPITALISMO http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/01/os-desastres-os-haitis-e-as-serras-no.html

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